Já é tempo de festejar Santo Antônio, padroeiro de Barbalha. Na noite de ontem, o pau da bandeira, que traz no topo a imagem do santo, foi hasteado na praça da matriz do município, dando início a mais de 15 dias de festa. Multidão de 350 mil pessoas acompanhou a chegada do tronco de “rama branca” de mais de duas toneladas, símbolo de que a cidade está em dias de comemoração do padroeiro.
Em casas, bares, ruas e avenidas, moradores e visitantes encheram a cidade desde o sábado, atraídos pelos shows em três palcos. Entre devoções mais convictas e outras mais efêmeras, Santo Antônio já respondia aos pedidos dos menos exigentes, demonstrados nos carinhos de casais em meio ao forró ou em um banco de praça.
Na manhã de ontem, a alvorada festiva na praça reuniu mostras do caldeirão cultural do Cariri: 53 grupos de reisado, bandas cabaçais, vaqueiros e os penitentes do sítio Batateiras podiam ser vistos circulando pela cidade.
Enquanto isso, no Sítio São Joaquim, entre seis e sete quilômetros de Barbalha, começava cedo o trabalho das dezenas de carregadores do pau da bandeira. Gente como o operador de máquina João Bosco de Aquino, 53.
O esforço que ele reserva para conduzir o tronco é repetido há 35 anos por pura tradição e fé. “Se eu não for até a Igreja (matriz), não valeu para mim”, afiança. Ele conta que o filho de 23 anos até já pediu para ficar no seu lugar, mas ele não quer conversa. “Vai custar mais uns anos para isso”, desafia.
Cortes e lascas
Neste ano, o pau da bandeira encontrou pelo menos dois imprevistos. Três metros dele foram cortados antes do início do trajeto. “Alguém criminosamente fez isso”, lamenta Rildo Teles, mestre do pau há dez anos. Outro contratempo foi uma rachadura do tronco, no começo do cortejo na avenida, contornada com pneus para amortecer os impactos.
Apesar do furto, não faltou madeira para quem precisou de material para as famosas simpatias de casamento. A contadora Cidnete Ribeiro, 44, levou várias lascas do pau encomendadas por amigas solteiras do Amapá, sua terra natal. “As meninas por lá estão doidas para casar. Vou levar umas lascas e elas vão fazer o chá”, diverte-se ela.
O poder certeiro do pau da bandeira é tão conhecido, que a operadora de telemarketing Tatiane Santos, 19, fugia das lascas que a amiga havia tirado. “Sou muito nova para casar”, justifica ela. Primeira vez na festa, ela conta que só veio pela diversão. Diferente da estudante Geovana Syze, que apesar dos 14 anos tem muita pressa para casar. “Estou noiva. No fim do ano sai”, conta ela, que tem mãe com matrimônio atribuído ao pau da bandeira.
O quê
ENTENDA A NOTÍCIA
A Festa do Pau da Bandeira deve reunir 500 mil pessoas em 15 dias de orações e festas. Apenas ontem, uma multidão de 350 mil lotou cidade de 55 mil habitantes. Entre sagrado e profano, o tradicional e o forró eletrônico, a cidade vibra.
Fonte: O Povo Online
Reportagem: Thiago Mendes
Foto:Rafael Cavalcante
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