segunda-feira, 30 de maio de 2011

350 mil pessoas na festa do Pau da Bandeira de Barbalha

Barbalha dá vivas ao padroeiro. A bandeira de Santo Antônio está no alto do pau da bandeira, hasteado ontem me festa que reuniu 350 mil pessoas. Entre a fé em Santo Antônio e a espera pelo tão sonhado matrimônio, muitas solteiras esperavam pela chegada do tronco para pegar uma lasquinha

Já é tempo de festejar Santo Antônio, padroeiro de Barbalha. Na noite de ontem, o pau da bandeira, que traz no topo a imagem do santo, foi hasteado na praça da matriz do município, dando início a mais de 15 dias de festa.

Multidão de 350 mil pessoas acompanhou a chegada do tronco de “rama branca” de mais de duas toneladas, símbolo de que a cidade está em dias de comemoração do padroeiro.

Em casas, bares, ruas e avenidas, moradores e visitantes encheram a cidade desde o sábado, atraídos pelos shows em três palcos. Entre devoções mais convictas e outras mais efêmeras, Santo Antônio já respondia aos pedidos dos menos exigentes, demonstrados nos carinhos de casais em meio ao forró ou em um banco de praça.

Na manhã de ontem, a alvorada festiva na praça reuniu mostras do caldeirão cultural do Cariri: 53 grupos de reisado, bandas cabaçais, vaqueiros e os penitentes do sítio Batateiras podiam ser vistos circulando pela cidade.

Enquanto isso, no Sítio São Joaquim, entre seis e sete quilômetros de Barbalha, começava cedo o trabalho das dezenas de carregadores do pau da bandeira. Gente como o operador de máquina João Bosco de Aquino, 53.

O esforço que ele reserva para conduzir o tronco é repetido há 35 anos por pura tradição e fé. “Se eu não for até a Igreja (matriz), não valeu para mim”, afiança. Ele conta que o filho de 23 anos até já pediu para ficar no seu lugar, mas ele não quer conversa. “Vai custar mais uns anos para isso”, desafia.

Cortes e lascas
Neste ano, o pau da bandeira encontrou pelo menos dois imprevistos. Três metros dele foram cortados antes do início do trajeto. “Alguém criminosamente fez isso”, lamenta Rildo Teles, mestre do pau há dez anos. Outro contratempo foi uma rachadura do tronco, no começo do cortejo na avenida, contornada com pneus para amortecer os impactos.

Apesar do furto, não faltou madeira para quem precisou de material para as famosas simpatias de casamento. A contadora Cidnete Ribeiro, 44, levou várias lascas do pau encomendadas por amigas solteiras do Amapá, sua terra natal. “As meninas por lá estão doidas para casar. Vou levar umas lascas e elas vão fazer o chá”, diverte-se ela.

O poder certeiro do pau da bandeira é tão conhecido, que a operadora de telemarketing Tatiane Santos, 19, fugia das lascas que a amiga havia tirado. “Sou muito nova para casar”, justifica ela. Primeira vez na festa, ela conta que só veio pela diversão. Diferente da estudante Geovana Syze, que apesar dos 14 anos tem muita pressa para casar. “Estou noiva. No fim do ano sai”, conta ela, que tem mãe com matrimônio atribuído ao pau da bandeira.

O quê

ENTENDA A NOTÍCIA

A Festa do Pau da Bandeira deve reunir 500 mil pessoas em 15 dias de orações e festas. Apenas ontem, uma multidão de 350 mil lotou cidade de 55 mil habitantes. Entre sagrado e profano, o tradicional e o forró eletrônico, a cidade vibra.

Fonte: O Povo Online
Reportagem: Thiago Mendes
Foto:Rafael Cavalcante

Barbalha une sagrado e profano - Festa de Santo Antônio 2011

A bandeira com a imagem de Santo Antonio já está tremulando em frente à Igreja Matriz da Barbalha, anunciando que a cidade está em festa. É a imagem, em tamanho grande, de todas as cidades do interior que transformam as festas religiosas em oportunidades de encontros, confraternização e, sobretudo, num ato devocional a Santo Antônio, o padroeiro. É o sincretismo religioso que aqui aportou, na época da colonização, misturando o profano e o sagrado com as crendices de negros, índios e brancos.


A grande diferença é a dimensão da festa que é aberta com o carregamento do pau da bandeira, uma tradição que, de acordo com a coordenação do evento, reúne cerca de 300 mil pessoas. O tronco da "rama branca", com 23 metros de comprimento e pesando mais de duas toneladas, foi transportada, nos ombros dos devotos de Santo Antonio, do Sítio São Joaquim, a 7km da sede da cidade, para a Praça da Matriz, onde a bandeira de Santo Antônio foi hasteada. O carregamento aconteceu de 12 às 22 horas, aproximadamente, com a participação de cerca de 200 homens. Neste ano, eles reclamaram do peso da árvore. Por isso, a bandeira só foi hasteada após cerca de 10 horas de sacrifício.


A caminhada foi antecedida de um ritual, que faz parte da devoção dos carregadores. Ao meio dia, de mãos dadas, eles rezam o Pai Nosso, em torno da madeira. Este ano, a oração foi puxada pelo novo vigário de Barbalha, Cícero Alencar, que assumiu a paróquia há menos de um mês, em substituição aos padres Salvatorianos, que estiveram no comando da Matriz de Santo Antonio durante 65 anos. No final da oração, o padre pediu a proteção do Santo para que não houvesse nenhum acidente durante o trajeto.

Em seguida, sob o comando do "capitão do pau", Rildo Teles, o tronco foi carregado nos ombros dos devotos de São Antônio, que vão se revezando ao longo dos 7Km de percurso. Pelo menos, seis acidentes com ferimentos leves foram registrados. No início da noite, a Polícia disse que aconteceu dois atentados à bala, porém autores e vítimas não foram identificados, devido a intensa movimentação de pessoas.

Cachaça

O cortejo é puxado por uma carroça, com duas pipas de aguardente, "A Cachaça do Seu Vigário", distribuída com os carregadores. De acordo com Cícero Bernard, conhecido por "Federal", que há 23 anos conduz a carroça, são consumidos cerca de 300 litros de cachaça durante o trajeto. "Quem mais bebe são as mulheres. Quem mais dá trabalho são os homens, que chegam aqui metidos a valente. Uma vez, em briguei com seis elementos", lembra. Na medida em que o cortejo se aproxima da cidade, a multidão aumenta. Um carro de som orienta a condução do pau.

A cada 100 metros, a madeira é jogada no chão. As moças solteiras aproveitam o momento de descanso dos carregadores para tocar na madeira na esperança de encontrar o "príncipe encantado". Segundo a crendice popular, a moça que pega no pau da bandeira não passa mais de um ano sem casar. Algumas exageram se sentam no tronco.

Por conta dessa crendice, a devota Maria Elisa Leite Granjeiro já casou três vezes. "O quarto casamento já está apalavrado, vai depender de Santo Antonio", garante. Ao revelar esta promessa, Elisa justifica que os casamentos anteriores não deram certo por causa da Lei Maria da Penha. "Santo une e a Lei separa", complementa.

Já era noite quando o mastro foi fincado em frente à Igreja Matriz. É o último ato de um espetáculo protagonizado apenas por homens simples que transformam força bruta em devoção ao padroeiro. O funcionário público aposentado, Raimundo de Souza, diz que já transportou o pau. Hoje, com mais de 70 anos, só acompanha de longe. Com a chegada na Matriz, a festa toma outro aspecto. A Igreja Católica assume o comando das cerimônias religiosas com procissões, trezenas, leilões e missas.

Devoção

"Neste ano, o movimento está maior, inclusive com mais grupos folclóricos"
Dorivam Amaro
Secretário de Cultura de Barbalha

"Já casei três vezes e vou casar a quarta com a ajuda do santo. Já está apalavrado"
Maria Elisa Leite Granjeiro
Funcionária pública

"Quem mais bebe são as mulheres, mas os homens dão muito mais trabalho"
Cícero Bernardo
Carroceiro da "Cachaça do Seu Vigário"


MAIS INFORMAÇÕES

Prefeitura Municipal de Barbalha, Rua Neroly Filgueiras Sampaio, 141, Centro - Região do Cariri
Telefone: (88) 3532.0090


NAÇÃO CARIRI

Grupos folclóricos enchem de colorido as ruas da cidade

A Festa de Santo Antonio não é somente o carregamento do pau da bandeira. Na manhã de domingo, a cidade se transforma na vitrine das raízes culturais nordestinas. É o desfile de mais de 50 grupos folclóricos que enchem de cores as ruas da cidade, adornadas com casarões antigos.

O conjunto de imagens e sons está sendo estudado por pesquisadores e intelectuais de diferentes países. Este ano, está sendo lançado um documentário, dirigido pelo cineasta Rosemberg Cariry e produzido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que trabalha o tombamento do evento como patrimônio cultural brasileiro. Entre os diversos grupos folclóricos, um destaque para a Ordem dos Penitentes, uma organização religiosa medieval, implantada no Cariri pelo Padre Ibiapina, que tinha como penitência a autoflagelação. Hoje, os devotos não cumprem mais este ritual. Eles também não se escondem mais no anonimato, como o faziam antigamente.

A presença deles no desfile chama a atenção dos fotógrafos. Afinal, eles só praticam seus rituais, na Semana Santa, durante a noite. Andam encapuzados. Só aparecem em público na abertura da Festa de Santo Antônio. Com 86 anos, o "decurião", chefe do grupo, Severino Antonio Rocha, garante que a tradição terá continuidade com as novas gerações.

Além dos Penitentes, as ruas ganham colorido especial com grupos de reisado, bacamarteiros, vaqueiros, manieor-pau, banda de música, entre outros.

Estas tradições, que estão arraigadas na cultura do povo sertanejo, constituem os elementos que caracterizam a força da Nação Cariri.


Participação

300 mil pessoas é o público estimado para a abertura da festa em Barbalha. O evento desperta a atenção dos nordestinos, mas também de pessoas de diferentes países do mundo


Fonte: Diário do Nordeste
Reportagem e fotos: Antônio Vicelmo
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=989300

Fostos do Pau da Bandeira de Santo Antônio

Fotos do cortejo e hasteamento do Pau da Bandeira de Santo Antônio.



http://www.flickr.com/photos/cetamaam/sets/72157626712379125/show/

Fonte: Radio Cetama
www.radiocetama.com.br
http://www.radiocetama.com.br/ver_noticia_barbalha.asp?id=17142

sexta-feira, 27 de maio de 2011

500 mil pessoas são aguardadas para a festa de Santo Antônio em Barbalha

Falta pouco para o início dos festejos da tradicional Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio, em Barbalha. A partir deste domingo, devoção, cultura e festa se unem no Cariri para celebrar o santo casamenteiro e padroeiro da cidade.

A Prefeitura de Barbalha estima que 500 mil pessoas participem do evento entre o dia 29 de maio e 13 de junho. No dia 29, dia do hasteamento do mastro de Santo Antônio, 350 mil pessoas devem passar pela cidade.

Tudo começa na manhã do domingo, com missa às 9 horas seguida de procissão da matriz de Santo Antônio até a Igreja do Rosário. Às 11 horas, milhares de pessoas acompanham os sete quilômetros de carregamento do tronco de “rama branca”, de duas toneladas e meia e aproximadamente 23 metros de comprimento, do Sítio São Joaquim até a sede do município.

Em três palcos, 53 grupos de reisados, maneiro-pau, bandas cabaçais, entre outros, se apresentam para o público que enche a cidade nesse período do ano. Até o dia 13 de junho, no Parque da Cidade, grandes shows prometem reunir entre 20 e 25 mil pessoas por noite.

De acordo com o secretário de Cultura e Turismo de Barbalha, Dorivan Amaro, a prefeitura prepara esquema de infraestrutura, segurança e decoração especial para a festa.

Amaro cita que 190 policiais militares e 60 profissionais contratados vão fazer a segurança do evento. Oito homens do Departamento Municipal de Trânsito (Demutran) e seis da Polícia Rodoviária Estadual (PRE) ajudam a organizar o trânsito.

O secretário do Turismo explica que, neste ano, os shows à noite serão abertos ao público. “Todos os shows são de portas abertas porque entendermos que isso gera emprego e renda. É uma festa aberta para os barbalhenses”, pontua. Para agradar todos os gostos, também foi incluído um show religioso no evento, com a banda de rock gospel Rosa de Saron.

E como nem tudo é só festa, além das missas na Igreja de Santo Antônio, há trezenas (treze noites de oração) à noite e peregrinação, de casa em casa, da imagem do santo padroeiro.



ENTENDA A NOTÍCIA

A Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio é uma das mais tradicionais festas populares do Estado. Ano passado, o público foi estimado em 450 mil pessoas. Shows gratuitos devem atrair mais gente este ano a Barbalha, no Cariri.

SAIBA MAIS

De 28 de maio a 13 de junho, a festa em Barbalha terá apresentações em três palcos: no Largo do Rosário, no Marco Zero e outro no Parque da Cidade. Nesses locais, os destaque são os shows de forró e atrações de destaque local e nacional. Apresentam-se: Forró do Muído (dia 9), Ítalo e Renno (10), Quinteto Violado e irmãos Aniceto (11) e José Augusto (12, Dia dos Namorados)

Os festejos terminam só no dia de Santo Antônio, 13 de junho. Para marcar a data, haverá celebração de missa de encerramento às 9 horas na Igreja Matriz e cortejo pelas principais ruas da cidade, à tarde, com o carro-andor que carrega a imagem.

O tronco que serve de mastro na festa do padroeiro foi cortado no último dia 13 seguindo Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) proposto pelo Ministério Público Estadual e Instituto Chico Mendes. A Prefeitura se comprometeu a replantar 200 mudas por conta do corte e já definiu as árvores para os próximos três anos de festa.

Neste ano também foi lançado documentário do cineasta Rosemberg Cariry sobre a festa. O vídeo compõe inventário de documentos no processo de tombamento da Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio como patrimônio imaterial brasileiro.

O ritual do corte do pau para a festa de Santo Antônio foi oficializada pela Igreja de Barbalha em 1928. Há registros, porém, que dão conta da festa sendo realizada ainda no século XIX.


Fonte: O Povo ONLINE

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Curso gratuito da Fundação Democrito Rocha - Agentes Ambientais


A questão ambiental ganhou nas últimas décadas, um espaço social relevante, fazendo-se presente no cotidiano das pessoas e das instituições. No mundo de hoje, já se coloca a necessidade de refletir e de agir sobre os impactos e ameaças que pesam sobre a qualidade de vida no planeta Terra.

Hoje, a questão ecológica não pode ficar fora da agenda de qualquer pessoa ou organização minimamente comprometida com o meio ambiente e a qualidade de vida. A gestão ambiental, casamento entre ecologia e negócios, é uma realidade cujos efeitos econômicos tornam-se cada vez mais profundos e impactantes. A necessidade de preservar as condições de vida no planeta nos coloca num caminho sem volta. Portanto, é premente que se inicie uma revisão completa das concepções de progresso que nortearam os modelos de desenvolvimento social e econômico nos últimos séculos. A definitiva opção pelo desenvolvimento sustentável baseado na gestão ambiental tem, além do fator econômico, um determinante humano.

Considerando a educação ambiental uma ação multidisciplinar, o curso procura aprofundar a consciência cívica e a responsabilidade social dos cidadãos, assim como subsidia-los com fundamentação teórica a fim de capacitá-los como agentes multiplicadores e facilitadores de controle ambiental.

Com os recentes dados publicados acerca do clima pelo IPCC, faz-se urgente um trabalho de educação formal com o objetivo de preparar Agentes Ambientais para monitorar o meio ambiente do seu entorno geográfico e divulgar boas práticas de preservação e conservação do planeta.

Informações: http://www.fdr.com.br/agentesambientais/

A discriminação no Brasil é étnica, social e regional

Por Emir Sader

O processo de ascensão social de massas, inédito no Brasil, volta a promover formas de discriminação. A política – de sucesso comprovado – de cotas nas universidades, a eleição de um operário nordestino para Presidente da República – igualmente de sucesso inquestionável -, a ascensão ao consumo de bens essenciais que sempre lhes foram negados – fenômeno central no Brasil de hoje -, provocaram reações de discriminação que pareciam não existir entre nós.

A cruel brincadeira de repetir um mote das elites – “O Brasil não tem discriminação porque os negros conhecem o seu lugar” – mostra sua verdadeira cara quando essas mesmas elites sentem seus privilégios ameaçados. Setores que nunca se importavam com a desigualdade quando seus filhos tinham preparação sistemática para concorrer em melhores condições às vagas das universidades públicas, passaram a apelar para a igualdade na concorrência, quando os setores relegados secularmente no Brasil passaram a ter cotas para essas vagas.

Professores universitários – incrivelmente, em especial antropólogos, que deveriam ser os primeiros a lutar contra a discriminação racial -, músicos – significativa a presença de músicos baianos, que deveriam ser muito mais sensíveis que os outros à questão negra -, publicaram manifesto contra a política de cotas, em nome da igualdade diante da lei do liberalismo.

A vitória da Dilma, por sua vez, provocou a reação irada e ressentida de vozes, especialmente da elite paulistana, contra os nordestinos, por terem sido os setores do país que pela primeira vez são atendidos em seus direitos básicos. Reascendeu-se o espírito de 1932, aquele que orientou o separatismo paulista na reação contra a ascensão do Getúlio e de suas politicas de democratização econômica e social do Brasil. Um ranço racista, antinordestino, aflorou claramente, dirigidos ao Lula e aos nordestinos, que vivem e constroem o progresso de São Paulo, e aos que sobreviveram à pior miséria nacional no nordeste e hoje constroem uma região melhor para todos.

A discussão sobre o metrô em Higienópolis tem a vem com a apropriação privilegiada dos espaços urbanos pelos mais ricos que, quando podem, fecham ilegalmente ruas, se blindam em condomínios privados com guardas privados. A rejeição de pessoas do bairro – 3500 assinaturas – à estação do metrô expressava o que foi dito por alguns, sentido por todos eles, de impedir que seja facilitado o acesso ao bairro – a que mesmo seus empregados particulares tem que chegar tomando 2 ou 3 ônibus -, com a alegação que chegariam camelôs, drogas (como se o consumo fosse restrito a setores pobres), violência, etc.

Nos três tipos de fenômeno, elemento comum é a discriminação. Étnica, contra os negros, na politica de cotas; contra os nordestinos, nas eleições; na estação do metrô, contra os pobres.

Os três níveis estão entrelaçados historicamente. Fomos o último país a terminar com a escravidão, por termos passado de colônia à monarquia e não à república. Adiou-se o fim da escravidão para o fim do século. No meio do século XIX foi elaborada a Lei de Terras, que legalizou a propriedade – via grilagem, em que em papel forjado é colocado na gaveta e o cocô do grilo faz parecer antigo. Quando terminou finalmente a escravidão, todas as terras estavam ocupadas. Os novos cidadãos “livres” deixaram de ser escravos, mas não foram recompensados nem sequer com pedaços de terra. Os negros livres passaram a se somar automaticamente à legião de pobres no Brasil.

O modelo de desenvolvimento, por sua vez, concentrador de investimentos e de renda, privilegiou o setor centro sul do Brasil, abandonando o nordeste quando se esgotou o ciclo da cana de açúcar. Assim, nordestino, esquematicamente falando, era latifundiário ou era pobre. Esse mesmo modelo privilegiou o consumo de luxo e a exportação como seus mercados fundamentais, especialmente com a ditadura militar e o arrocho salarial.

A discriminação dos negros, dos nordestinos e dos pobres foi assim uma construção histórica no Brasil, vinculada às opções das elites dominantes – em geral brancas, ricas e do centro-sul do pais. A discriminação tem que ser combatida então nas suas três dimensões completamente interligadas: étnicas, regionais e sociais. O fato do voto dos mais pobres (que inclui automaticamente os negros) e dos nordestinos estar na base da eleição e reeleição do Lula e na eleição da Dilma, com os avanços sociais correspondentes, só acirram as reações das elites. Discriminações que tem que ser combatidas com politicas publicas, com mobilizações populares e também com a batalha no plano das idéias.

Fonte: Carta Maior

Custo de acesso à internet deve chegar a zero no Ceará

O plano que visa democratizar a internet no Brasil começa a ganhar capilaridade. A GVT e Intelig venceram o leilão para tocar o Plano Nacional de Banda Larga no Ceará, que vai distribuir acesso rápido à rede mundial de computadores em periferias e cidades do interior

O custo do acesso à internet no Ceará tenderá a zero após implantação do Cinturão Digital, do Governo do Estado, e do Plano Nacional de Banda Larga, projeto do Governo Federal. De acordo com o presidente da Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice), Fernando Carvalho, além do custo de acesso, o valor cobrado pelas prestadoras de serviço de conexão devem reduzir com a implantação dos programas dos governos estadual e federal.

Conforme o colunista do O POVO Jocélio Leal publicou na última sexta-feira, 13, a GVT e Intelig venceram o leilão da Telebrás para assumir a Banda Larga Popular no Ceará. Com isso, o Governo pretende atrair empresas do porte do Google e Microsoft para o Estado, além de ampliar o acesso à rede.

Fernando destaca que a rede da chamada Banda Larga Popular é de qualidade. “Algumas pessoas pensam, quando veem o nome popular, que é uma coisa de baixa qualidade. Não. Se tiver que ser popular, tem que ser de qualidade”, afirma o presidente a Etice.

A GVT, que executará o programa no Ceará junto com a Intelig, não garantiu se haverá aumento no acesso à rede ou barateamento do serviço. “Ainda é muito prematuro para garantir alguma coisa”, afirmou a assessoria de imprensa da empresa. A Intelig não respondeu até o fechamento desta edição.

Atualmente, o preço médio mensal de um acesso à internet é de R$ 40 para uma conexão de um megabit por segundo. Em São Paulo, o custo médio da mesma conexão é de R$ 70.

O Governo Federal vai contemplar seis cidades do Ceará entre os 100 primeiros municípios do País a receber o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL): São Gonçalo do Amarante, Sobral, Quixadá, Barreira, Maranguape e Russas.

O acesso das cidades à internet por meio da PNBL deveria ter iniciado em abril, o prazo, porém, não foi cumprido. A nova data para o lançamento do programa no Ceará não definida.

O objetivo do programa do governo é “universalizar” o acesso à internet com conexão de qualidade. Para viabilizar o programa, as estatais federais vão conceder à Telebrás o uso de fibra ópticas e infraestruturas para transferência de dados. Ontem, foi aprovado o uso de fibra ópticas da Petrobras nas regiões Sul e Sudeste, que começam a ser usufruídas pela Telebrás a partir da próxima semana.

Cinturão Digital
Três anos antes do PNBL, o governador Cid Gomes já anunciava para o Ceará o Cinturão Digital. Trata-se de um rede on-line que vai conectar os órgãos estaduais.

O presidente da Etice, Fernando Carvalho, diz que há um troca de interesses mútuos entre o Cinturão Digital e PNBL. “Eles (Governo Federal) terão com acessar a Polícia Federal ou a Receita Federal por meio do Cinturão Digital, por exemplo; e o Estado terá mais caminhos para atingir pontos do Ceará. Os interesses se complementam”, explica.

ENTENDA A NOTÍCIA

Aos poucos o Brasil começa a pensar em acesso democrático à internet, mas ainda estamos longe. De acordo com pesquisa Ibope divulgada em abril, 38% dos brasileiros têm acesso à rede, dos quais 31% acessam por meio de lan houses.


André Teixeira, Jornal O Povo.

domingo, 15 de maio de 2011

Patativa do Assaré e o semiárido

Nascido na região do Cariri, Ceará, Antonio Gonçalves da Silva, foi alfabetizado aos doze anos. Já a partir dessa época passou a fazer repentes e a se apresentar.


Um convite a uma experiência metalinguística em todos os sentidos: assim é “Patativa do Assaré – o sertão dentro de mim”, lançamento de Edições SESC SP e Editora Tempo d’Imagem. Um livro-arte, obra de Tiago Santana e Gilmar de Carvalho, sobre a vida e a arte do homem que através da narrativa poética compôs um testemunho sobre o dia-a-dia no semiárido nordestino.

Nascido na cidade de Assaré, região do Cariri, Ceará, Antonio Gonçalves da Silva, o Patativa, foi alfabetizado aos doze anos. Já a partir dessa época passou a fazer repentes e a se apresentar em festas e ocasiões importantes. Além da impressionante capacidade de memorização, se destacou pelo talento e versatilidade, compondo tanto versos nos moldes camonianos quanto poesia de rima e métrica populares. O livro, cujo projeto surgiu em homenagem ao centenário de nascimento do poeta, em 2009, é composto por fotografias, xilogravuras e textos que abrangem os principais momentos de sua vida. A obra constitui-se em um sensível inventário que possibilita compreender quem foi esse artista, onde viveu e em qual contexto desenvolveu a excelência de sua produção poética.

Para o poeta Xico Sá, que assina o prefácio do livro, “Guimarães Rosa em prosa e Patativa do Assaré em versos são dois grandes autores tradutores dos sertões brasileiros”. E da abertura à contracapa essa impressão se confirma. Utilizando a estrutura do ABC – poema longo, temático, cujas estrofes começam com as letras do alfabeto e que também foi usado pelo próprio Patativa – os autores retratam o poeta em sua singularidade, bem como os temas que foram mote de suas poesias: seca, inundações, messianismo, ciclo religioso, caatinga, migrações, tradição épica.

Este lançamento, segundo o diretor regional do SESC São Paulo, Danilo Santo de Miranda, “é a oportunidade de oferecer uma produção reflexiva das imagens e palavras que compõem o amplo painel da vida do poeta de Assaré. Trata-se de uma composição que estimula o exercício crítico e colabora com múltiplas perspectivas sobre a relevância de sua poesia que recorre a fragmentos da tradição oral”.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Corte do Pau da Bandeira de Santo Antônio

A árvore cortada é uma espécie denominada popularmente de “rama branca” que tem 23 metros e pesa mais de duas toneladas.

Créditos: Site da Rádio Cetama
www.radiocetama.com.br

A Festa de Santo Antônio de Barbalha teve sua programação iniciada nesta sexta-feira (13), com o Corte do Pau da Bandeira nas matas do Sítio São Joaquim. O ritual que se repete há mais de 80 anos aconteceu por volta das 11 horas no Sítio São Joaquim, distante seis quilômetros da cidade, de onde no próximo dia 29, será transportado pelos carregadores até o patamar da igreja matriz.

 

A árvore cortada é uma espécie denominada popularmente de “rama branca” que tem 23 metros de comprimento e pesa mais de duas toneladas. A ação foi iniciada como ato de devoção e fé, quando os carregadores cumpriam promessas por graças alcançadas.

 

O carregamento do pau da bandeira de Santo Antônio tornou-se um fenômeno cultural estudado por pesquisadores e intelectuais de várias partes do mundo, por ter tornado-se uma “romaria” em que o simbolismo reunido em torno de um objeto de adorno a um santo diminui as fronteiras entre sagrado e profano.

 

O grupo de carregadores saiu do Largo do Mercado Municipal por volta da 8h em direção à Igreja Matriz, onde o pároco deu a bênção, seguindo depois para o Sítio São Joaquim, para realizar o corte.

 

A árvore fica colocada na chamada “cama do pau”, permanecendo ao sol para secar e ficar um pouco mais leve. No dia 29, no início da manhã, os carregadores voltam ao Sítio São Joaquim e por volta do meio-dia saem em cortejo, do até o centro do Barbalha, percorrendo mais de seis quilômetros e chegando, por volta das 19h, para fincar o mastro no patamar da Igreja Matriz. Ainda nesta sexta-feira (13), acontecerá uma programação especial aberta ao público.

 

Na Praça Filgueira Sampaio (antigo Calçadão), às 18h20min haverá o lançamento do documentário de autoria do cineasta cearense, nacionalmente reconhecido, Rosemberg Cariry, que levou para as telas a manifestação da religiosidade e da festa popular, com o filme “Festa do Carregamento do Pau da Bandeira de Santo Antônio”. Após a exibição do documentário, acontece show com “Os Peleja”, a partir das 21 horas.

 

A Festa de Santo Antônio de Barbalha tem como marco o cortejo do carregamento do pau, dia 29, antecedido de missa, de apresentações de nada menos que 53 grupos folclóricos e de uma extensa programação de shows musicais, que continua até 13 de junho.

 

Ao longo deste período, a cidade contará com palcos no Parque da Cidade e no Largo da Igreja Matriz sempre com programação musical até a madrugada, com direito a muito forró e atrações de destaque local e nacional.


MAIS FOTOS

Fonte: Site da Rádio Cetama de Barbalha
www.radiocetama.com.br

Nutricionista lista os 10 piores alimentos para sua saúde

Que atire a primeira pedra quem não se rende a um fast food, salgadinho ou cachorro-quente e depois fica preocupado com as calorias que ingeriu. Mas o que pouca gente sabe é que os perigos desses alimentos vão muito além da questão estética e podem ser um risco para a saúde. Para esclarecer esses problemas, a nutricionista Michelle Schoffro Cook listou os dez piores alimentos de todos os tempos.

10º lugar: Sorvete

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Apesar de existirem versões mais saudáveis que os tradicionais sorvetes industrializados, a nutricionista adverte que esse alimento geralmente possui altos níveis de açúcar e gorduras trans, além de corantes e saborizantes artificiais, muitos dos quais possuem neurotoxinas – substâncias químicas que podem causar danos no cérebro e no sistema nervoso.

9º lugar: Salgadinho de milho

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De acordo com Michelle, desde o surgimento dos alimentos transgênicos a maior parte do milho que comemos é um “Frankenfood”, ou “comida Frankenstein”. Ela aponta que esse alimento por causar flutuação dos níveis de açúcar no sangue, levando a mudanças no humor, ganho de peso, irritabilidade, entre outros sintomas. Além disso, a maior parte desses salgadinhos é frita em óleo, que vira ranço e está ligado a processos inflamatórios.

8º lugar: Pizza

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Michelle destaca que nem todas as pizzas são ruins para a saúde, mas a maioria das que são vendidas congeladas em supermercados está cheia de condicionadores de massa artificiais e conservantes. Feitas farinha branca, essas pizzas são absorvidas pelo organismo e transformadas em açúcar puro, causando aumento de peso e desequilíbrio dos níveis de glicose no sangue.

7º lugar: Batata frita

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Batatas fritas contêm não apenas gorduras trans, que já foram relacionadas a uma longa lista de doenças, como também uma das mais potentes substâncias cancerígenas presentes em alimentos: a acrilamida, que é formada quando batatas brancas são aquecidas em altas temperaturas. Além disso, a maioria dos óleos utilizados para fritar as batatas se torna rançosa na presença do oxigênio ou em altas temperaturas, gerando alimentos que podem causar inflamações no corpo e agravar problemas cardíacos, câncer e artrite.

6º lugar: Salgadinhos de batata

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Além de causarem todos os danos das batatas fritas comuns e não trazerem nenhum benefício nutricional, esses salgadinhos contêm níveis mais altos de acrilamida, que também é cancerígena.

5º lugar: Bacon

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Segundo a nutricionista, o consumo diário de carnes processadas, como bacon, pode aumentar o risco de doenças cardíacas em 42% e de diabetes em 19%. Um estudo da Universidade de Columbia descobriu ainda que comer 14 porções de bacon por mês pode danificar a função pulmonar e aumentar o risco de doenças ligadas ao órgão.

4º lugar: Cachorro-quente

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Michelle cita um estudo da Universidade do Havaí, que mostrou que o consumo de cachorros-quentes e outras carnes processadas pode aumentar o risco de câncer de pâncreas em 67%. Um ingrediente encontrado tanto no cachorro-quente quanto no bacon é o nitrito de sódio, uma substância cancerígena relacionada a doenças como leucemia em crianças e tumores cerebrais em bebes. Outros estudos apontam que a substância pode desencadear câncer colorretal.

3º lugar: Donuts (Rosquinhas)

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Entre 35% e 40% da composição dos donuts é de gorduras trans, “o pior tipo de gordura que você pode ingerir”, alerta a nutricionista. Essa substância está relacionada a doenças cardíacas e cerebrais, além de câncer. Para completar, esses alimentos são repletos de açúcar, condicionadores de massa artificiais e aditivos alimentares, e contém, em média, 300 calorias cada.

2º lugar: Refrigerante

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Michelle conta que, de acordo com uma pesquisa do Dr. Joseph Mercola, “uma lata de refrigerante possui em média 10 colheres de chá de açúcar, 150 calorias, entre 30 e 55 mg de cafeína, além de estar repleta de corantes artificiais e sulfitos”. “Somente isso já deveria fazer você repensar seu consumo de refrigerantes”, diz a nutricionista.

Além disso, essa bebida é extremamente ácida, sendo necessários 30 copos de água para neutralizar essa acidez, que pode ser muito perigosa para os rins. Para completar, ela informa que os ossos funcionam como uma reserva de minerais, como o cálcio, que são despejados no sangue para ajudar a neutralizar a acidez causada pelo refrigerante, enfraquecendo os ossos e podendo levar a doenças como osteoporose, obesidade, cáries e doenças cardíacas.

1º lugar: Refrigerante Diet

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“Refrigerante Diet é a minha escolha para o Pior Alimento de Todos os Tempos”, diz Michelle. Segundo a nutricionista, além de possuir todos os problemas dos refrigerantes tradicionais, as versões diet contêm aspartame, que agora é chamado de AminoSweet. De acordo com uma pesquisa de Lynne Melcombe, essa substância está relacionada a uma lista de doenças, como ataques de ansiedade, compulsão alimentar e por açúcar, defeitos de nascimento, cegueira, tumores cerebrais, dor torácica, depressão, tonturas, epilepsia, fadiga, dores de cabeça e enxaquecas, perda auditiva, palpitações cardíacas, hiperatividade, insônia, dor nas articulações, dificuldade de aprendizagem, TPM, cãibras musculares, problemas reprodutivos e até mesmo a morte.
“Os efeitos do aspartame podem ser confundidos com a doença de Alzheimer, síndrome de fadiga crônica, epilepsia, vírus de Epstein-Barr, doença de Huntington, hipotireoidismo, doença de Lou Gehrig, síndrome de Lyme, doença de Ménière, esclerose múltipla, e pós-pólio. É por isso que eu dou ao Refrigerante Diet o prêmio de Pior Alimento de Todos os Tempos”, conclui.

Fonte: www.ecodesenvolvimento.org.br/