Então, onde está a crise? E em quê? Primeiro, nas relações constituídas principalmente pela sociedade ocidental, capitalista e individualista, e seu modelo machista - concepção ideológica e prática masculina reproduzida pelas mulheres. O homem é o provedor e a mulher responsável pelos afazeres de casa e dos filhos.
Veja: o sonho de um casal de namorados e noivos de tomar café pela manhã, almoçar e jantar junto; levar e pegar o filho (a) na escola; a mãe cuida da casa e prepara a alimentação; vai à missa ou ao culto junto; depois o lazer. Aonde existe esse modelo de família?! Na prática, pai e mãe trabalham fora de casa e a "secretária" - empregada doméstica - fica com o filho (a); delega à escola a formação religiosa e ética - "paga pra isso". O lazer, o pai sai com os amigos e a mãe com as amigas, enquanto que o filho (a) vai brincar com os amiguinhos ou vai para o parque com a secretária.
E aquela família dos sonhos, onde está?! No mínimo é uma raridade nos dias atuais. O sonho entra em confronto com a realidade. A relação se desgasta em nível amoroso e sexualmente, e rompe-se oficialmente, até porque não se concretizou na forma do sonho; a própria realidade se encarregou de sucumbi-la.
Os casais, então, não devem sonhar? Não! Pelo contrário, o sonho ou utopia é a química que alimenta a esperança do ser humano. É fundamental que continuem sonhando! Dizia Lenin: "O desacordo entre os sonhos e a realidade nada tem de nocivo, sempre que a pessoa que sonha acredite seriamente no seu sonho, observe atentamente a vida, compare suas observações com seus castelos no ar e trabalhe sistematicamente na realização de suas fantasias".
A sociedade capitalista, consumista, individualista e esquizofrênica corrói o sonho dos casais e das famílias. É preciso mudar as atuais relações sociais e econômicas para formas mais igualitárias e humanas, para que se possa ter homens e mulheres mais humanos e fraternos. As sociedades saudáveis geram casais e filhos saudáveis! Articular utopia e realidade. Juntos, lutemos por uma nova sociedade!
Fonte: Adital
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