sábado, 28 de março de 2009

Cidades na Hora do Planeta


Mesmo a pouco mais de 24 horas da Hora do Planeta, cidades e instituições de todo o Brasil continuam confirmando seu apoio ao movimento que já é o maior alerta mundial contra o aquecimento global. Já são 79 cidades que se comprometeram a apagar suas luzes no dia 28, durante uma hora, junto com mais de 2.800 cidades no mundo inteiro.

No estado do Rio de Janeiro, São Gonçalo e Rio das Ostras se juntaram a outros municípios, como Nova Iguaçu e a própria capital, e se comprometeram a pagar as luzes. Em São Gonçalo, todos os prédios públicos do município ficarão às escuras entre 20h30 e 21h30 no sábado. Com população de mais de um milhão de habitantes, São Gonçalo pretende ser uma contribuição de peso ao movimento.

Em Rio das Ostras, serão apagadas a ponte sobre o Rio das Ostras, a Praça José Pereira Câmara, a Secretaria de Educação, a Secretaria de Meio Ambiente e a prefeitura, além de 45 unidades escolares. Para convencer a população a seguir o exemplo, desde as 17 horas 80 jovens estarão na Praça abordando as pessoas e distribuindo filipetas com dicas sobre o que cada cidadão pode fazer.

A Assembleia Legislativa do estado de Pernambuco também decidiu apoiar o movimento global de alerta sobre os efeitos das ações humanas sobre o clima. A Assembleia anunciou que vai apagar todas as luzes do prédio principal e dos seis anexos no próximo sábado. Em Minas Gerais, o governo do estado anunciou a adesão e vai apagar todas as luzes do Palácio da Liberdade, sede do governo em Belo Horizonte. Também ficarão apagadas as luzes do Sistema Estadual de Meio Ambiente, na rua Espírito Santo. Florianópolis vai apagar a Ponte Hercílio Luz, a Praça do Sesquicentenário da Polícia Militar e o Obelisco.

E até o Padre Cícero vai ficar no escuro. Em Juazeiro do Norte, Ceará, onde a figura do padre é símbolo da religiosidade popular, venerada por milhões de fiéis que fazem romaria todos os anos, a estátua de 27 metros de altura do Padre Cícero terá sua iluminação desligada entre 20h30 e 21h30. Para aproveitar as luzes apagadas, a Estação Astronômica PieGise, responsável pela mobilização no município, colocará à disposição do público presente no local dois telescópios de médio porte, por meio dos quais será possível observar nebulosas, estrelas e o planeta Saturno.

Hora do Planeta


A Hora do Planeta é um ato simbólico no qual governos, empresas e a população de todo o mundo são convidados a demonstrar sua preocupação com o aquecimento global e as mudanças climáticas. Em 2009, a Hora do Planeta será realizada no dia 28 de março, às 20h30, e pretende contar com a adesão de mais de mil cidades e 1 bilhão de pessoas em todo o mundo. No Brasil, a primeira cidade a aderir à iniciativa será o Rio de Janeiro. Saiba mais

domingo, 22 de março de 2009

Pacientes internautas


Você já procurou na internet a solução para algum problema de saúde? Se a resposta for “sim”, você pode fazer parte do grupo dos “pacientes experts”, que usam a rede para se informar sobre doenças. Para descobrir como o acesso a tanta informação está influenciando as relações entre médicos e pacientes, pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) analisaram diversos artigos estrangeiros que tratam do tema e concluíram que, para os profissionais de medicina, é hora de se atualizar.

O estudo, desenvolvido por Helena Beatriz da Rocha Garbin, Maria Cristina Rodrigues Guilam e André de Faria Pereira Neto, comparou 15 artigos publicados entre 1997 e 2006 nos periódicos britânicos Social Science and Medicine e Sociology of Health & Illness . O período de publicação dos artigos foi definido pelo início da democratização da internet, motivo pelo qual teria surgido esse fenômeno, ainda muito recente e pouco estudado no Brasil. O tema foi encontrado tanto em trabalhos da área de saúde, como de ciências sociais.

Os pesquisadores se depararam com três interpretações bastante distintas do fenômeno dos “pacientes experts”: enquanto alguns artigos defendem que pacientes mais informados valorizam o papel do médico, outros dizem que o livre acesso à informação leva a uma “desprofissionalização” do médico. Já um terceiro ponto de vista sustenta que, mesmo questionando certas posições dos médicos, pacientes mais interessados possibilitariam um diálogo mais profundo sobre os temas.

Para a equipe, o novo panorama exige que os profissionais da saúde se mantenham atualizados, elaborando pesquisas e conhecendo melhor esse universo em que se insere o paciente. “Tradicionalmente existe uma relação patriarcal entre médicos e pacientes. É preciso compreender que ess poder está se equilibrando: os profissionais devem trabalhar com o paciente, em vez de para ele”, afirma a médica Helena Garbin, coautora do estudo, publicado no periódico Interface – Comunicação, Saúde, Educação .

Postura ativa
Garbin, que é doutoranda pela Escola Nacional de Saúde Pública, vê a internet como uma ótima ferramenta para a busca por informação e troca de experiências. “A internet leva a uma postura ativa do paciente, que conta com ela para compreender seu adoecimento”, afirma. “Alguns médicos ficam ofendidos, se sentem ameaçados pela perda do monopólio do conhecimento. Já outros relatam que o doente segue melhor o tratamento, justamente por saber o que ocorre com seu organismo”.

Mas é preciso tomar cuidado com o que se encontra na rede. “Muitas páginas podem ser escritas sem nenhum embasamento, ou serem simplesmente veículos de empresas comerciais, interessadas na divulgação de medicamentos”, afirma Garbin, que alerta para possíveis más interpretações da linguagem médica por leigos e a questão da automedicação, hoje considerada um problema de saúde pública.

“É recomendável que o doente procure páginas não comerciais, ligadas a universidades e associações médicas”, diz a médica, lembrando que a visita a um especialista não deve ser descartada. “O paciente sempre deve conferir com o seu médico as informações obtidas. Nada substitui o olhar profissional.”


Barbara Marcolini

Ciência Hoje On-line

sábado, 21 de março de 2009

A esperança como atitude crítica

A esperança é uma das três virtudes teologais, ao lado da fé e do amor. Rima com confiança, termo que deriva de fé: quem acredita, espera; e quem espera, acredita. Esperar é confiar.

Vivemos um momento novo da história da América Latina. Com a eleição de governos democrático-populares, a esperança dá sinais de se transformar em realidade. Há esperança de que se priorizem as questões sociais e se reduzam significativamente as desigualdades que caracterizam o Continente.

Para Jesus, a esperança se coloca lá na frente, no Reino de Deus, que marca o fim e a plenitude da história, e não lá em cima, enquanto postura verticalista de quem ignora a existência deste mundo ou a rejeita. Hoje, a expressão Reino de Deus possui conotação vaga, metafórica. Pode-se, porém, imaginar o que significava falar disso em pleno reino de César... Não há dúvida da ressonância política do termo, pois Jesus ousou anunciar um outro Reino que não o de César e, por isso, pagou com a vida.

Hoje, a esperança tem conotação secular - a utopia. É curioso observar que, antes do Renascimento, não se falava em utopia. Esta resultou da dessacralização do mundo, da morte dos deuses e, portanto, da necessidade de projetar ou visualizar o mundo futuro. Na medida em que o ser humano, com o advento da modernidade, começou a dominar os recursos técnicos e científicos que interferem no curso da natureza e aprimoram a nossa convivência social, surge a necessidade de antever o modelo ideal, assim como o artista que faz a escultura traz na cabeça ou no papel o desenho da obra terminada. Como afirmou Ernst Bloch, a razão não pode florescer sem esperanças, e a esperança não pode falar sem razão (Karl Marx, Bolonha, 1972, 60).

O marxismo foi a primeira grande religião secular, capaz de traduzir a esperança em sociedade ideal. Ele introduziu na cultura ocidental a consciência histórica, a percepção do tempo como processo histórico, a tal ponto que o ser humano passou a prefigurar sua existência, não mais em referência aos valores subjetivos, mas ao devir, lutando contra os obstáculos que, no ainda-não, impedem a realização do que se espera como ideal libertador.

Para o cristão, a utopia do Reino supera as utopias seculares, sejam elas políticas, técnicas ou científicas. Espera-se, neste mundo, a realização plena das promessas de Deus o que plenifica e transfigura o mundo. Assim, à luz dessas promessas elencadas na Bíblia, o cristão mantém sempre uma postura crítica frente a toda realização histórica, bem como diante dos modelos utópicos. O homem novo e o mundo novo são resultados do esforço humano através do dom de Deus que, em última instância, os conduzem ao ápice. Em outras palavras, quem espera em Cristo não absolutiza jamais uma situação adquirida ou a ser conquistada. Toda progressão é relativa e, portanto, passível de aperfeiçoamento, até que a Criação retorne ao seio do Criador. Pois Deus realiza progressivamente, na história humana, a sua salvação.

A esperança se baseia na memória. Quem espera, rememora e comemora. Nosso Deus não é um qualquer do Olimpo politeísta. É um Deus que tem história e faz memória: Javé, o Deus de Abraão, Isaac e Jacó. É essa memória que alimenta a consciência crítica, consciência da diferença, da inadequação, ao ainda-não. Pois a utopia cristã sustenta-se na promessa de Deus. Por isso, a esperança cristã não teme o negativo, as vicissitudes históricas, o fracasso. É uma esperança crucificada, que se abre à perspectiva da ressurreição.

Na esperança, nós já fomos salvos. Ver o que se espera já não é esperar: como se pode esperar o que já se vê? Mas, se esperamos o que não vemos, é na perseverança que o aguardamos (Romanos 8, 24-25). Como diz a Carta aos Hebreus, a fé é um modo de já possuir aquilo que se espera, é um meio de conhecer realidades que não se veem (11, 1). Se a fé vê o que existe, a esperança vê o que existirá, dizia Péguy. E acrescentava: o amor só ama o que existe, mas a esperança ama o que existirá... no tempo e por toda a eternidade.

A esperança é o caminhar na fé para o seu objeto. A fé nos dá a certeza de que Jesus venceu a morte; a esperança, o alento de que venceremos os sinais de morte: a injustiça, o opressão, o preconceito etc. Esse processo não é contínuo, pois somos prisioneiros da finitude, embora trazendo a Infinitude em nossos corações. Por isso, o caminhar é entrecortado de dúvidas e dores, conquistas e alegrias, mas sabe que, se trilha as sendas do amor, tem Deus como guia.

Texto: Frei Beto

Fonte: Adital

22 de março - Dia Mundial da Água



Num tempo em que a humanidade sofre com as alterações climáticas e com a redução dos recursos hídricos disponíveis, a comemoração do Dia Mundial da Água, em 22 de março, ressalta a importância da mudança de comportamento da sociedade e das autoridades para reduzir os impactos causados por esses fatores.

As profissões da área tecnológica têm um papel fundamental na criação de soluções inovadoras para esses problemas. Entretanto, pequenas mudanças em hábitos alimentares, por exemplo, podem ajudar no processo. Segundo informações do Conselho Mundial de Água, “para a plantação de 1kg de batatas são necessários apenas 100 litros de água enquanto que para a produção de 1kg de carne são necessários 13.000 litros”.

A utilização racional da água no Brasil faz parte dos objetivos da Política Nacional de Recursos Hídricos. Envolvendo representantes das diversas lideranças políticas e da sociedade civil, ela também prevê a promoção da capacitação e conscientização da sociedade brasileira em relação à conservação da água.

A fim de construir uma gestão sustentável dos recursos hídricos; aumentar a importância da água na agenda política; e formular propostas concretas para a solução dos problemas relativos à água, a cada três anos, é realizado o Fórum Mundial da Água. O evento reúne especialistas, gestores e políticos de cerca de 150 países, com debates técnicos de alto conhecimento. Atualmente está em sua quinta edição sendo realizada de 16 a 22 de março, em Istambul (Turquia). O tema do encontro é “Unindo as Divisões da Água”.

Para saber mais sobre os debates que permeiam o V Fórum Mundial da Água, acesse o site do evento aqui (em inglês).

Fonte: Confea

terça-feira, 17 de março de 2009

Notícias sobre Tecnologia

Imagem da Semana Inovação Tecnológica
Imagem da semana

Vovô dos pulsares ainda é páreo para pulsares mais jovens


O mais antigo pulsar já detectado acaba de ser descoberto pelo Telescópio Chandra, um observatório da NASA que vasculha os confins do Universo utilizando raios X. Leia mais...

Eletrônica
Rádio cognitivo quebra paradigma das estações e otimiza uso das frequências
O "rádio cognitivo" é um sistema sem fios capaz de reorganizar autonomamente uma rede de comunicações, inclusive ocupando regiões livres de outras faixas do espectro eletromagnético. Leia mais...

Energia
Célula solar plástica tem aumento de eficiência de 30%

As células solares plásticas são feitas de camadas de diferentes materiais, cada uma delas com uma função específica, em uma estrutura parecida com um sanduíche. Os pesquisadores descobriram como unir melhor esse sanduíche. Leia mais...

Biodiesel de microalgas: Petrobras não quer perder bonde dos biocombustíveis

As microalgas se reproduzem de 50 a 100 vezes mais rápido do que os vegetais utilizados normalmente para produção de biocombustíveis, como cana-de-açúcar, mamona, dendê e milho. Leia mais...

Meio ambiente
Poluição está diminuindo visibilidade do céu
A visibilidade do céu sobre a superfície terrestre tem caído desde 1973, por conta do aumento de partículas derivadas da poluição. Leia mais...

Espaço
Carbono é encontrado no coração da Via Láctea
Com ajuda do telescópio espacial Spitzer, astrônomos identificam pela primeira vez sinais de carbono em estrelas no centro da Via Láctea. Leia mais...

Lixo espacial que ameaçou Estação Espacial Internacional era de satélite GPS
A NASA divulgou novos dados sobre o lixo espacial e sobre os procedimentos de evacuação da Estação Espacial Internacional, que ocorreu ontem pouco depois das 13 horas, no horário de Brasília. Leia mais...

Materiais Avançados
Químicos descobrem nova forma de purificar o hidrogênio
Rumo à economia do hidrogênio, um dos maiores entraves é exatamente a produção do hidrogênio. Uma nova membrana nanoporosa consegue separá-lo rapidamente a partir de misturas gasosas complexas. Leia mais...

Políticas
Economia ecológica exigirá Terceira Revolução Industrial, diz cientista

Os efeitos das mudanças climáticas só serão reduzidos com o início de uma terceira revolução industrial, fundando uma economia ecológica, ou uma ecologia econômica. Leia mais...

domingo, 15 de março de 2009

Últimas notícias sobre Tecnologia

Eletrônica
Processador probabilístico usa 30 vezes menos energia
Além disso, ele é sete vezes mais rápido do que um chip tradicional. Em vez da rígida lógica booleana, o chip probabilístico tira proveito dos erros e das incertezas para fazer cálculos com precisão. Leia mais...

Novo avanço rumo à eletrônica invisível e às telas transparentes
Será possível fabricar telas e monitores dobráveis, monitores miniaturizados montados sobre óculos e para-brisas de automóveis, além do tão prometido papel eletrônico e outras aplicações futurísticas. Leia mais...

Energia
Cientistas querem melhorar artificialmente fotossíntese da cana-de-açúcar

Compreender as características da fotossíntese na cana-de-açúcar e os mecanismos de fixação de energia da planta é um passo fundamental para melhorar a produtividade da planta na produção de etanol. Leia mais...

Meio ambiente
Veículos híbridos e crescimento inteligente são saída para emissões de CO2
A adoção de veículos híbridos combinada com o "crescimento inteligente" pode reduzir significativamente os níveis de emissão de dióxido de carbono, aponta um novo estudo. Leia mais...

Materiais Avançados
Plásticos poderão crescer em árvores

Fazer plásticos a partir das plantas não é uma ideia nova,. O que é relativamente novo - e entusiasmante - é a ideia de usar as plantas para realmente fazer o plástico crescer. Leia mais...

Nanotecnologia
Metais amorfos revolucionam fabricação de nanomáquinas
Engenheiros criaram um processo que poderá revolucionar a fabricação de nanomáquinas e qualquer outra estrutura em nanoescala, desde memórias de computador até sensores biomédicos para uso no interior do corpo humano. Leia mais...

Mecânica
Apresentado o painel 3D que equipará os carros do futuro
O novo painel para automóveis funciona como uma tela 3D, mostrando velocidade, rotação do motor e todas as demais informações úteis para o motorista na forma de imagens em três dimensões. Leia mais...

Suspensão regenerativa transforma amortecedor em gerador de energia
O amortecedor regenerativo captura a energia cinética gerada quando o carro passa por buracos ou saliências, transformando-a em eletricidade.Leia mais...


Fonte: Inovação Tecnológica

Cariri Digital - O Cariri nas Ondas da Internet

sábado, 14 de março de 2009

Festa em Juazeiro do Norte começa na quarta-feira

Semana que vem é tempo de festa em Juazeiro do Norte. A cidade comemora os 165 anos de nascimento do padre Cícero. Para celebrar a data, estão programados eventos em memória ao santo popular durante sete dias. A programação começa na quarta-feira, 18, e segue até dia 24, aniversário de padre Cícero.

As celebrações ocorrerão na Capela de Nossa Senhora do Socorro, onde ele está enterrado. As apresentações culturais e os shows musicais serão realizados na Praça do Socorro, em frente à igreja. Uma exposição sobre a vida e a obra do padre Cícero, a V ExpoCícero, está marcada para ocorrer no hall do Memorial Padre Cícero, a partir do dia 18. Outra será montada na Praça de Eventos do Cariri Shopping. A entrada para ambas é gratuita.

Segundo o secretário de Turismo e Romaria de Juazeiro do Norte, José Carlos dos Santos, esta festa atrai muitos visitantes, mas a maioria dos devotos que participam é gente da cidade. “Esta é uma homenagem do povo de Juazeiro e dos romeiros ao padre Cícero. Significa uma forma de reverenciar o aniversariante, que é o fundador da cidade”, destaca o secretário.

Festejos
Durante a programação, um dos pontos altos será a palestra proferida, na quinta-feira, 19, pelo padre José Venturelli, administrador do Horto da cidade, onde fica a enorme imagem de padre Cícero. A palestra terá o tema “A Biblioteca do Padre Cícero”. No dia 20, será celebrada a tradicional missa em ação de graças à morte do padre Cícero. Será presidida por dom Fernando Panico, bispo diocesano do Crato.

Em todos os dias da Semana do Padre Cícero, haverá visitas ao Memorial, onde estará ocorrendo a quinta edição da ExpoCícero. No dia 24, está programada uma corrida de rua. Os participantes sairão da cidade do Crato e seguirão a Juazeiro do Norte - da cidade onde padre Cícero nasceu para a cidade em que ele morreu.

A cultura terá destaque na festa, principalmente com a apresentação dos grupos tradicionais da região. A cada noite, há apresentações.

A cidade que respira a memória de padre Cícero tem até feriado no dia 24 de março, data em que ele nasceu. Nem em 19 de março, quando se comemora o padroeiro do Ceará, São José, é folga na cidade. É inviável haver feriado na cidade em duas datas tão próximas, lembra o secretário.


PROGRAMAÇÃO DA SEMANA DO PADRE CÍCERO

18/3 - 19h - Abertura da Semana do Padre Cícero e da V ExpoCícero, no Memorial Padre Cícero.

19/3 - 19h - Palestra “A Biblioteca do Padre Cícero”, com padre Venturelli e Deusimária, no Memorial Padre Cícero.

20/3 - 6h - Missa de aniversário de morte do Padre Cícero, na Capela do Socorro.

20h - Abertura Oficial da Exposição “Padre Cícero e Romarias”, no Cariri Shopping.

21/3 - 17h - Feira de Artesanato (Feart), na Praça do Memorial.

22/3 - 20h - Show de músicas religiosas

23/3 - Meia-noite - Canto de parabéns ao padre Cícero, com corte de bolo e show pirotécnico, na Praça dos Romeiros.

24/3

5h - Alvorada Festiva.

6h - Missa em homenagem pelos 165 anos de nascimento de padre Cícero, na Capela do Socorro.

8h - Corrida Padre Cícero (largada da Praça da Sé, no Crato, e chegada no Terminal Intermunicipal, na cidade de Juazeiro do Norte).

18h - Procissão das Flores, com concentração na Sociedade Padre Cícero, na Praça da Bandeira.

19h - Encerramento da Semana do Padre Cícero, com show de Zé Vicente, na Praça do Socorro.

Texto: Daniela Nogueira
Fonte: O Povo Online

Saúde como direito humano

Saúde é o completo bem-estar físico, social e mental, segundo definição da Organização Mundial de Saúde (OMS, 1994). O direito de todos a desfrutar o mais alto padrão atingível de saúde física e mental, ou seja, o direito à saúde, foi reconhecido primeiramente pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, há sessenta anos. Para que os diversos fatores determinantes de uma saúde de qualidade, como cuidados médicos, saneamento básico, educação e informação sejam acessíveis a todos de uma maneira igualitária, é necessário um sistema público de saúde eficiente. No entanto, apesar de tratados e documentos internacionais reforçarem esse direito humano, o acesso à saúde de qualidade ainda está longe de ser uma realidade para uma grande parcela da população mundial. E, entre as diversas barreiras existentes, o acesso a medicamentos se configura como uma das principais delas.

A Declaração fornece a base para o código internacional dos direitos humanos, que consiste em um conjunto de normas acordadas internacionalmente para orientar e avaliar o comportamento dos governos em uma ampla gama de setores e tem uma relação direta com a medicina, saúde pública, bem como com o fortalecimento dos sistemas de saúde. No entanto, de acordo com documento publicado pela OMS, em 2007, os sistemas de saúde de muitos países são débeis e estão entrando em colapso. Apesar de ser uma exigência do Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais das Organizações das Nações Unidas (ONU), apenas 57 países apresentam um plano de saúde nacional. Segundo a OMS, o desenvolvimento sustentável, incluindo o alcance das Metas de Desenvolvimento do Milênio, da ONU, depende de sistemas de saúde eficientes.

Em entrevista à ComCiência, Rajat Khosla, pesquisador sênior na Unidade sobre Direito à Saúde do Centro de Direitos Humanos da Universidade de Essex, analisa que “a saúde simplesmente não é prioridade política central para vários países. Países priorizam entre várias demandas competidoras pelos seus recursos disponíveis e tais processos de prioritização raramente dão atenção às preocupações da população sobre a saúde”. Khosla é advogado em direitos humanos e autor de diversos trabalhos sobre a problemática dos direitos econômicos, sociais e culturais. Dentro da área do direito à saúde, dedica-se a pensar e pesquisar sobre o tema do acesso a medicamentos, entre outros.

No Brasil, o direito à saúde foi reconhecido apenas na Constituição Federal de 1988. Antes disso, o Estado apenas oferecia atendimento à saúde para trabalhadores com carteira assinada e suas famílias, e as demais pessoas tinham acesso a esses serviços como um favor e não como um direito. O artigo 196 de nossa Constituição em vigor preceitua que: " a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantindo, mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos, o acesso universal igualitário às ações e serviços para a sua promoção, proteção e recuperação”. A criação do Sistema Único de Saúde (SUS), regulamentado pelas Leis 8.080/90 e 8.142/90, está diretamente relacionada à tomada de responsabilidade por parte do Estado no campo da saúde. Nesse contexto, o direito à saúde é parte de um conjunto de direitos chamados de direitos sociais, que têm como inspiração a igualdade entre as pessoas.

Direito à remédio!

“Um sistema de saúde é um investimento não menos importante que rodovias e pontes. Saúde é riqueza”, afirma Paul Hunt, ex-relator especial das Organizações das Nações Unidas (ONU) para o Direito à Saúde. O tratamento médico, em caso de doença, bem como a prevenção, tratamento e controle de enfermidades são atributos centrais do direito à saúde. No entanto, os atributos mencionados dependem do acesso a medicamentos. Resoluções da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas confirmam que o acesso a medicamentos essenciais é um elemento fundamental do direito à saúde e está intimamente relacionado aos outros direitos, tais como o direito à vida. Para Hunt, “melhorar o acesso aos medicamentos é uma responsabilidade partilhada. Os governos devem desempenhar o seu papel; e as empresas devem desempenhar os seus, também”.

Ano passado, Hunt apresentou à Assembléia Geral da ONU o documento "Orientações de direitos humanos para as empresas farmacêuticas em relação ao acesso a medicamentos". Essas orientações estabelecem diversas ações de uma companhia farmacêutica, para garantir o direito aos medicamentos. O documento foi baseado na ideia de que uma empresa farmacêutica, que possui uma patente, tem um contrato social que permite que a empresa obtenha lucro, desde que medicamentos relevantes sejam acessíveis para o máximo de pessoas possível. “As companhias devem ser ousadas e criativas e pôr em prática acordos – licenças voluntárias comerciais e não-comerciais, programas de doação, preços diferenciais entre países e dentro deles, e assim por diante – que tornam a droga acessível ao maior número possível de pessoas”, explica Hunt.

O modelo atual de patentes originou-se no Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio (Trips, sigla em inglês), de 1994, que se tornou uma condição para a entrada dos Estados na Organização Mundial do Comércio (OMC). Com o Trips, estabeleceu-se a obrigatoriedade de reconhecimento da propriedade intelectual para todos os campos tecnológicos, incluindo o setor farmacêutico. Para Hunt, o alto custo para o desenvolvimento e aperfeiçoamento de novos medicamentos não permite que a inovação farmacêutica seja sustentável em um sistema de livre mercado, já que a competição entre fabricantes logo baixaria o preço de um medicamento novo e a empresa inovadora nem chegaria perto de recuperar seu investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D). No entanto, o resultado dos monopólios formados pelas patentes é um preço de venda artificialmente aumentado que possibilita que essas empresas inovadoras recuperem seus gastos de P&D, mas que mantém os medicamentos avançados fora do alcance de pacientes pobres. Além disso, as pesquisas geralmente são voltadas para doenças que atingem países mais ricos, negligenciando doenças concentradas nas populações maiores e mais pobres.

Em um capítulo do livro Exploitation and developing countries: the ethics of clinical research, Thomas Pogge, professor de filosofia e assuntos internacionais na Universidade de Yale, sugere uma nova estratégia que, em sua avaliação, supriria as falhas da política atual de patentes: a criação de um Fundo de Impacto sobre a Saúde Global (Health Impact Fund), que daria àqueles que detêm a patente dos medicamentos a opção de oferecê-los a preço de custo, em troca de uma recompensa monetária anual baseada no impacto desses medicamentos na saúde global. Assim, de acordo com o mecanismo proposto, todos os esforços que obtivessem sucesso no desenvolvimento de medicamentos considerados essenciais, ou seja, que tratam de doenças que colocam em risco a vida humana, seriam considerados como bens públicos e poderiam ser usados por diferentes indústrias farmacêuticas, sem cobrança. Um desafio, como coloca Pogge, seria criar um mecanismo justo para avaliar o impacto dos novos medicamentos, que levasse em conta os pesos dos diferentes remédios que combatem uma mesma doença, bem como os diversos medicamentos que compõem os coquetéis, como no caso da Aids.

O Acordo Trips, no entanto, inclui algumas flexibilidades ou salvaguardas que visam abrandar os impactos negativos na saúde pública. Essas flexibilidades permitem que os países membros possam adotar medidas necessárias para proteger a saúde pública e para promover o interesse público em setores de importância vital para seu desenvolvimento econômico e tecnológico (Artigo 8). O direito de utilizar as flexibilidades do Trips já foi reforçado inúmeras vezes em âmbito internacional, sendo inúmeras as resoluções adotadas pela ONU, OMS e pela própria OMC, sendo a mais importante a Declaração de Doha sobre o Acordo Trips e saúde pública de 2003.

Aids

Uma das flexibilidades previstas no Acordo Trips é a licença compulsória, através da qual o governo autoriza um terceiro a explorar o objeto da patente sem o consentimento prévio do detentor da mesma. A licença compulsória do medicamento Efavirenz, emitida em maio de 2007, foi a primeira e única medida desse tipo adotada no Brasil. A patente desse medicamento, utilizado no tratamento da Aids, pertence ao laboratório Merck Sharp & Dohme e representava ao Brasil, na época, um gasto total de R$ 85 milhões ao ano – 10% do orçamento total do Ministério da Saúde para compra de medicamentos anti-retrovirais (ARVs). O Brasil passou a comprar uma versão genérica do medicamento produzida pelo laboratório indiano Ranbaxy e, apenas em 2008, a economia financeira ultrapassou R$ 60 milhões. Em 26 de janeiro de 2009, foi anunciada a autorização pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a produção da versão genérica brasileira, que será inicialmente produzida pelo laboratório público Farmanguinhos, da Fiocruz. Segundo dados do Programa Nacional DST/Aids, é estimada uma economia financeira de mais de R$ 500 milhões até 2012, ano em que a patente do Efavirenz expira no Brasil.

O Programa Nacional de Aids foi criado em 1986 e o Brasil é um dos poucos países do mundo que mantém uma política de acesso universal e gratuito para tratamento da Aids. O primeiro medicamento aprovado para o tratamento da Aids, em 1987, foi a Zidovudina (AZT) e a sua disponibilização pelo Ministério da Saúde foi efetivada em 1991. No entanto, o ritmo de surgimento de novos produtos e a necessidade de novos tratamentos para indivíduos já intolerantes aos existentes não era acompanhado pela incorporação de novos medicamentos no âmbito de sistema público de saúde. Dessa forma, a viabilização do acesso aos medicamentos foi conseguida por vários pacientes por vias judiciais, o que levou à aprovação da Lei 9.313 em 1996. Esta Lei fortalecia a garantia legal de acesso a medicamentos ARVs, que começaram a ser produzidos no Brasil no início da década de 1990. No entanto, também em 1996 foi aprovada no país a nova Lei de Propriedade Industrial (Lei 9.279/ 96), que buscava adequar-se às regras de direito internacional estabelecidas pelo Acordo Trips da OMC. Assim, a política de acesso universal a medicamentos foi abalada, devido ao aumento no custo de medicamentos sujeitos à proteção patentearia.

“Os ganhos para o Brasil, e para o fortalecimento da política nacional de acesso a medicamentos, com a licença compulsória do Efavirenz, vão muito além da economia de recursos, uma vez que a produção nacional de medicamentos estratégicos ampliará a credibilidade do governo para negociar preços de outros medicamentos e estimulará o fortalecimento da indústria nacional e a transferência de tecnologia”, avalia Marcela Fogaça Vieira, advogada do Programa de Justiça da Conectas Direitos Humanos. “Não se pode negar que o objetivo fundamental de nossas lutas é a garantia do acesso a medicamentos às pessoas que deles necessitam”, complementa. A possibilidade de emissão de licença compulsória para outros medicamentos, tanto ARVs como medicamentos de alto custo utilizados no tratamento de outras doenças, foi sinalizada pelo presidente Lula no discurso feito durante o ato de emissão da licença compulsória do Efavirenz.

As possíveis dificuldades apontadas, mediante tal postura do governo brasileiro, são pressões e má vontade por parte da indústria farmacêutica nacional e dos países nos quais tais companhias são politicamente poderosas. Para Pogge, “é improvável que a ação do Brasil, por si só, faça muita diferença na vontade da indústria farmacêutica de empreender pesquisas sobre Aids; mas se a licença compulsória se tornar comum, isso enfraqueceria iniciativas de P&D”.

“Vontade política”

Para que um medicamento seja aprovado, e a indústria farmacêutica passe a comercializá-lo, é necessário comprovar a sua eficiência no tratamento da doença em questão, por meio de estudos clínicos. Essas pesquisas realizadas com seres humanos são, na grande maioria dos casos, patrocinadas pelas próprias indústrias farmacêuticas. Questões éticas intimamente relacionadas com os direitos humanos são constantemente levantadas na análise desses protocolos de pesquisa clínica, principalmente no que toca à população que será objeto de estudo e o tipo de tratamento que os grupos envolvidos na pesquisa receberão.

Diversos avanços já foram alcançados na defesa dos direitos humanos em relação às pesquisas clínicas. A Associação Médica Mundial desenvolveu a Declaração de Helsinque como uma declaração de princípios éticos para fornecer orientações aos médicos e outros participantes em pesquisas clínicas envolvendo seres humanos. Segundo a declaração, o placebo só pode ser usado como controle em pesquisas onde não existe nenhum método profilático, diagnóstico ou terapêutico comprovado para a doença. Caso contrário, os resultados das pesquisas com o novo remédio devem ser comparados com os resultados do melhor método de tratamento comprovado até o momento.

Esse tipo de medida evita que países pobres ou em desenvolvimento, que não têm acesso a determinados tratamentos já disponíveis, sejam explorados. Apesar de não se tratar da visão dominante, alguns ainda “acreditam que estudos com placebo como controle são permissíveis em países pobres com pacientes que, na ausência do estudo, permaneceriam sem tratamento”, afirma Pogge. Em um caso recente, a empresa D-Lab faria os testes do seu medicamento Surfaxin com crianças bolivianas portadoras da Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (ARDS) usando o placebo como controle, ou seja, deixando parte das crianças do estudo sem tratamento algum enquanto outras receberiam o seu medicamento. Quando pressionada para alterar o protocolo da pesquisa e passar a tratar o grupo controle de crianças com os medicamentos atualmente em uso, a empresa mudou a sua pesquisa para os Estados Unidos.

Para José Araújo, membro e representante do usuário na pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), a vontade política é determinante para que países mais pobres não sejam explorados. “Lamentavelmente, em alguns países do mundo, a carência é tão grande que se aceita qualquer coisa”, diz. No Brasil, para que pesquisas clínicas de empresas farmacêuticas multinacionais sejam realizadas devem ser aprovadas pelo Conep. O processo ético para aprovação desse tipo de pesquisa no Brasil é bastante rigoroso e reconhecido internacionalmente. A Resolução 196 do Conselho Nacional de Saúde (CNS), que aponta as Diretrizes e Normas Regulamentadoras de Pesquisas Envolvendo Seres Humanos, e as resoluções complementares, permeiam os conteúdos da Declaração de Helsinque, da Declaração Universal dos Direitos Humanos, e até mesmo do Direito do Consumidor. “A única preocupação é o retrocesso que a declaração de Helsinque sofreu com a última revisão, do ano passado”, diz Araújo. Para ele, na revisão o placebo não é tão condenado como deveria ser. Outro ponto importante e que deve constar no protocolo da pesquisa para que esta seja aprovada no Brasil é a continuidade do tratamento dos indivíduos que participam do estudo clínico, mesmo após o término do estudo.

Consentimento informado

“O respeito devido à dignidade humana exige que toda pesquisa se processe após consentimento livre e esclarecido dos sujeitos, indivíduos ou grupos que, por si e/ou por seus representantes legais, manifestem a sua anuência à participação na pesquisa”. Esta afirmação, retirada da Resolução 196 do CNS, define o termo de consentimento como obrigatório para qualquer pesquisa que envolva seres humanos. “A exigência do consentimento informado é geralmente benéfico para os participantes dos ensaios clínicos, desde que eles realmente recebam informações completas sobre os riscos e benefícios de sua participação”, ressalta Pogge.

Segundo Araújo, o termo é cuidadosamente analisado durante o processo de aprovação do protocolo de pesquisa, e a sua forma ou tipo de linguagem deve estar de acordo com o grupo que será estudado. No entanto, o termo muitas vezes confunde o usuário. “Estão usando a própria Resolução 196, que exige clareza, para confundir. Não sei se é intencional ou incompetência de quem redige o termo de consentimento”, afirma Araújo. Muitas vezes os termos apresentam muitas páginas, quando poderiam ser bem mais resumidos, induzindo o paciente a ir direto para a página de assinatura. Ou ainda, alguns termos são traduções literais dos utilizados em outros países e não estão adaptados para o público que será objeto de estudo.

Em artigo publicado na Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões em 2007, Maria de Lourdes Pessole Biondo-Simões e colaboradores buscaram reconhecer o grau de entendimento sobre o termo de consentimento de indivíduos que participam de uma pesquisa ou de um tratamento. O trabalho explicita a dificuldade de entendimento que grande parte dos pacientes apresenta, mediante um termo de consentimento classificado como muito fácil e elaborado com linguagem clara e acessível para o estudo.

Leia mais

Acesso a medicamentos como um direito humano
Paul Hunt e Rajat Khosla
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1806-64452008000100006&script=sci_arttext

Para trabalhos de Paul Hunt como relator da ONU
http://www2.essex.ac.uk/human_rights_centre/rth/

Responsabilidade de direitos humanos de assistências internacionais e cooperação em saúde
http://www2.essex.ac.uk/human_rights_centre/rth/docs/Sida.doc
http://www2.essex.ac.uk/human_rights_centre/rth/docs/Final%20pdf%20for%20website.pdf

Human rights guidelines for pharmaceutical companies in relation to access to medicines. These guidelines
http://www2.essex.ac.uk/human_rights_centre/rth/reports.shtm

Health systems and the right to health: an assessment of 194 countries. Revista Lancet, dez 2008.
http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(08)61781-X/fulltext

Compreensão do termo de consentimento informado
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-69912007000300009

Texto: Ana Paula Morales
Fonte: www.comciencia.br/comciencia/

sexta-feira, 13 de março de 2009

Antibióticos: O mal que entra pela boca do homem

A indústria animal está crescendo rapidamente na Ásia, América Latina e Caribe. E, em 2020, América Latina, Ásia e África serão os líderes na produção industrial de produtos animais.

Crescendo? Por quê? Porque nessas "Ilhas de Riqueza" ainda é permitida a produção animal intensiva com técnicas de confinamentos em cubículos insalubres. As altas temperaturas, a falta de higiene e a superpopulação facilitam a proliferação de bactérias. (O professor José Lutzenberger chamava estas granjas de "campos de concentração e extermínio de animais"). Para sanar o problema, os produtores utilizam hormônios e antibióticos que, além de evitar infecções, aceleram o crescimento animal.

Vários países do terceiro mundo já enfrentam bactérias resistentes a antibióticos devido a essa técnica de produção. Com o advento da gripe aviária, a Câmara dos Lordes, na Grã-Bretanha, admitiu, em seu território, a resistência humana aos antibióticos advinda da ingestão de carne tratada com essas drogas. E que tais alimentos viriam dos países latino-americanos. Com a carne do Chile e Argentina fora importada a Escherichia coli 0157 (que provoca problemas renais graves), por exemplo.

Por isso, a antibioticoterapia já está presente em vários países desenvolvidos. A Noruega nunca permitiu o uso de antibióticos para animais de corte. A Suécia proíbe o uso desde 1986; a Austrália, desde 2004. A Dinamarca, produtora de 130 milhões de frangos ao ano, desde meados dos anos 90, baniu o uso de antibióticos para bovinos, aves e porcos. E a União Européia já interditou a utilização de 2 antibióticos na criação de frangos.

Isto é fruto da pressão do consumidor que, ciente dos malefícios desse medicamento ao organismo humano, exige em sua mesa produtos produzidos segundo altos padrões de segurança alimentar, de bem-estar animal e de proteção do meio ambiente. Ou seja, quer alimentos mais naturais, livres de transgênicos, de agrotóxicos, de antibióticos...

Mesmo assim, este consumidor consciente está com problemas. O jornalista Henrique Cortez (1) trouxe à tona uma notícia assustadora: mesmo que você não coma carne, que você exija produtos orgânicos, vai ingerir os antibióticos usados em animais porque estão presentes nos vegetais cultivadas em solo adubado com dejetos animais. Apresentou dados do Environmental Health News:

- "perto de 70% do total de antibióticos e drogas afins produzidos nos Estados Unidos são utilizados em bovinos, suínos e aves";
- cerca de 90% dessas drogas são excretadas na urina ou no estrume;
- a contaminação por antibióticos também ocorre em vegetais cultivados em culturas biológicas já que o "estrume é largamente utilizado como um substituto dos fertilizantes químicos na agricultura biológica".

No Brasil, impera a criação intensiva em cativeiro, com uso indiscriminado de antibióticos e outros insumos... A estes problemas sanitários acumulam-se os problemas ambientais provocados pelo lançamento de dejetos de aves e suínos no solo e água, sem qualquer tratamento. A bacia hidrográfica do oeste catarinense - aonde está a maior produção de animais de corte do estado - está morrendo em decorrência disso.

Mas estes problemas, cuja solução é vital para a exportação brasileira de carne, não estão na pauta das nossas políticas econômicas, ambientais e sanitárias.

E o consumidor brasileiro desses produtos nem pensa em comprar briga com a indústria farmoquímica, nem com os produtores que apostam nessa droga para aumentar o volume de produção.

Se nos EUA a proibição dos antibióticos para animais só ocorreu após uma batalha judicial de 5 anos entre laboratórios e governo, quanto tempo levaria para ser implementada aqui???

Se a proibição parece impossível agora, há outras coisas que podemos fazer.

Acho que podemos brigar por um programa de certificação para granjas que criarem seus animais ao ar livre, com alimentação natural e medicação alopática (já ouviram falar dos probióticos para animais?).

Podemos brigar também por um programa de rastreabilidade de aves e porcos (identificação e monitoramento individual destes do nascimento às prateleiras do supermercado). Não se trata de ficção científica porque já é aplicado ao rebanho bovino. (2)

Além disso, podemos brigar por um programa sério de rotulagem que nos informe sobre as técnicas aplicadas na produção dos alimentos expostos para o consumo.

Notas:

(1) Artigo ‘Antibióticos usados em animais são absorvidos pelas hortaliças cultivadas em solo adubado com resíduos animais’ - http://www.ecodebate.com.br/2009/01/13/indice-da-edicao-de-13012009/
(2) http://taquari.emater.tche.br/sistemas/sirca/rastreabilidade/rastreabilidade.php

Ana Candida Echevenguá, Advogada ambientalista. Coordenadora do Programa Eco&Ação, presidente da ong Ambiental Acqua Bios

Fonte: Adital

terça-feira, 10 de março de 2009

O Blog do Cariri entra para a Rede Blogs do Cariri

Blog CARIRI DIGITAL entra para a Rede Blogs do Cariri


Mais um Blog se associa à Rede Blogs do Cariri, que já contém mais de 30 Blogs e websites de todo o cariri, região centro-sul do Ceará e Fortaleza. Trata-se do CARIRI DIGITAL, cujo endereço www.cariridigital.com pode ser visitado. Acima, temos a fachada do nosso novo membro, que já se encontra devidamente listado na nossa lista oficial da Rede Blogs do Cariri.

Por: Dihelson Mendonça Rede Blogs do Cariri

segunda-feira, 9 de março de 2009

O duque e o ladrão de galinha

O Duque de Charolais (1700-1760), nobre francês, ao retornar da caçada viu um homem que, de sua casa, observava o movimento da rua. Talvez porque naquele dia os animais lhe tenham enganado a pontaria, Charolais comentou com o cocheiro: “Vejamos se atiro bem naquele corpo!” Apontou e matou o estranho.

No dia seguinte, o assassino rogou indulgência ao Duque de Orléans. Este o advertiu: “Senhor, a indulgência que solicitais deve-se à vossa distinção e qualidade de príncipe de sangue; ela vos será concedida pelo rei (Luís XV), mas ele a concederá ainda com maior presteza àquele que fizer o mesmo a vós.”

A impunidade é uma prerrogativa de quem possui poder. Essa é uma regra brasileira. Aqui, os Duques de Charolais são reiteradamente indultados pelo mesmo Poder Judiciário que se mostra implacável com os pobres. Nossas leis foram feitas para atenuar os crimes dos Charolais; nosso sistema prisional, para castigar impiedosamente quem furta uma lata de margarina ou é suspeita de misturar cocaína na mamadeira do bebê, embora a acusação tenha sido desmentida pelo laudo pericial.

Políticos apropriam-se de recursos públicos; deputados fartam-se de emendas parlamentares; suplentes embolsam, em menos de um mês, o equivalente a 210 salários mínimos; eleitos ensinam empresas a burlarem o fisco via triangulação no exterior. Porque investidos de mandato federal, permanecem impunes até serem julgados pelo STF – que jamais mandou um deputado federal para a cadeia. Num desprezo cínico pelos eleitores, os partidos adotam uma postura conivente com os acusados, sem expulsá-los de suas fileiras e nem mesmo impedir que fossem diplomados.

O que esperar das novas gerações se um importante jornalista assume que assassinou a namorada por motivo torpe e a condenação sequer lhe restringe a liberdade? Um banqueiro dá um calote de R$ 3 bilhões em seus correntistas e a Justiça o autoriza a desfrutar de sua suntuosa mansão. Um acidente aéreo mata 154 pessoas e ninguém vai para a cadeia. Uma cratera se abre nas obras do metrô de São Paulo, engolindo várias pessoas; a barragem de uma mineração se rompe, polui rios e arrasa cidades de Minas; rodovias se esfarelam – e a culpa é das chuvas, sem que qualquer pessoa seja responsabilizada e presa!

Os exemplos poderiam se multiplicar. Bem conhecem o leitor ou a leitora outros tantos casos. A Polícia Federal faz o seu trabalho de investigação e detenção, o Ministério Público age em defesa da lei, mas o Judiciário, supremo intérprete do queijo suíço de nossa legislação penal, encontra sempre os buracos pelos quais os ratos passam impunemente. Assim, o jovem se pergunta: vale a pena ser honesto? Em vez de virtude e dever, a honestidade transforma-se em vergonha e humilhação.

Felizmente há no Judiciário muitos com senso de justiça. E bom humor. É o caso do juiz Ronaldo Tavani, da Comarca de Varginha (MG), que em Carmo da Cachoeira concedeu liberdade provisória a um homem preso em flagrante por furtar duas galinhas e perguntar ao delegado: "Desde quando furto é crime neste Brasil de bandidos?”

Eis a sentença do magistrado:

"No dia cinco de outubro / do ano ainda fluente, / em Carmo da Cachoeira / terra de boa gente, / ocorreu um fato inédito / que me deixou descontente.

O jovem Alceu da Costa, / conhecido por "Rolinha", / aproveitando a madrugada, / resolveu sair da linha, / subtraindo de outrem / duas saborosas galinhas.

Apanhando um saco plástico / que ali mesmo encontrou, / o agente muito esperto/ escondeu o que furtou, / deixando o local do crime / da maneira como entrou.

O senhor Gabriel Osório, / homem de muito tato, / notando que havia sido / a vítima do grave ato, / procurou a autoridade / para relatar-lhe o fato.

Ante a notícia do crime, / a polícia diligente / tomou as dores de Osório / e formou seu contingente, / um cabo e dois soldados / e quem sabe até um tenente.

Assim é que o aparato / da Polícia Militar, / atendendo a ordem expressa / do delegado titular, / não pensou em outra coisa / senão em capturar. / E depois de algum trabalho / o larápio foi encontrado / num bar foi capturado. / Não esboçou reação, / sendo conduzido então / à frente do delegado.

Perguntado pelo furto/ que havia cometido, / respondeu Alceu da Costa, / bastante extrovertido: / “Desde quando furto é crime / neste Brasil de bandidos?”

Ante tão forte argumento / calou-se o delegado, / mas por dever do seu cargo / o flagrante foi lavrado, / recolhendo à cadeia / aquele pobre coitado.

E hoje passado um mês / de ocorrida a prisão, / chega-me às mãos o inquérito / que me parte o coração. / Solto ou deixo preso / esse mísero ladrão?

Soltá-lo é decisão / que a nossa lei refuta, / pois todos sabem que a lei / é pra pobre, preto e puta... / Por isso peço a Deus / que norteie minha conduta.

É muito justa a lição / do pai destas Alterosas. / Não deve ficar na prisão / quem furtou duas penosas, / se lá também não estão presas / pessoas bem mais charmosas.

Desta forma é que concedo / a esse homem da simplória, / com base no CPP, / liberdade provisória, / para que volte para casa / e passe a viver na glória.

Se virar homem honesto / e sair dessa sua trilha, / permaneça em Cachoeira / ao lado de sua família, / devendo, se ao contrário, / mudar-se para Brasília!!!”

Frei Betto

Postado por Karla Cabral

domingo, 8 de março de 2009

Eu Quero - Patativa do Assaré


Quero um chefe brasileiro

Fiel, firme e justiceiro

Capaz de nos proteger

Que do campo até à rua

O povo todo possua

O direito de viver



Quero paz e liberdade

Sossego e fraternidade

Na nossa pátria natal

Desde a cidade ao deserto

Quero o operário liberto

Da exploração patronal



Quero ver do Sul ao Norte

O nosso caboclo forte

Trocar a casa de palha

Por confortável guarida

Quero a terra dividida

Para quem nela trabalha



Eu quero o agregado isento

Do terrível sofrimento

Do maldito cativeiro

Quero ver o meu país

Rico, ditoso e feliz

Livre do jugo estrangeiro



A bem do nosso progresso

Quero o apoio do Congresso

Sobre uma reforma agrária

Que venha por sua vez

Libertar o camponês

Da situação precária



Finalmemte, meus senhores,

Quero ouvir entre os primores

Debaixo do céu de anil

As mais sonoras notas

Dos cantos dos patriotas

Cantando a paz do Brasil

sábado, 7 de março de 2009

Alma de Mulher


Nada mais contraditório do que ser mulher...
Mulher que pensa com o coração,
Age pela emoção e vence pelo amor.
Que vive milhões de emoções num só dia
e transmite cada uma delas, num único olhar.
Que cobra de si a perfeição
e vive arrumando desculpas
para os erros daqueles a quem ama.
Que hospeda no ventre outras almas,
dá a luz e depois fica cega,
diante da beleza dos filhos que gerou.
Que dá as asas, ensina a voar
mas não quer ver partir os pássaros,
mesmo sabendo que eles não lhe pertencem.
Que se enfeita toda e perfuma o leito,
ainda que seu amor
nem perceba mais tais detalhes.
Que como uma feiticeira
transforma em luz e sorriso
as dores que sente na alma,
só pra ninguém notar.
E ainda tem que ser forte,
pra dar os ombros
para quem neles precise chorar.
Feliz do homem que por um dia
soube entender a Alma da Mulher!

Homenagem do Blog Cariri Digital à todas as mulheres.
08 de março - Dia Internacional da Mulher

quinta-feira, 5 de março de 2009

Novo decurião se reúne com penitentes


Os penitentes de Barbalha se reuniram para rezar em sufrágio da alma do falecido decurião Joaquim Mulato

“Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! Para sempre seja Deus louvado”. Com esta saudação cada um do grupo de penitentes de Barbalha entra na sala para rezar o terço em sufrágio da alma do decurião Joaquim Mulato, que morreu na segunda-feira de Carnaval, vítima de atropelamento. Foi o primeiro encontro da confraria depois que Severino Antônio da Silva, ajudante de decurião, assumiu o comando do grupo, que foi criado pelo padre Ibiapina em 1860.

Mesmo debaixo de chuva, os penitentes cumpriram o ritual de rezar um terço no dia do aniversário de Joaquim Mulato, que completaria, terça-feira, 89 anos de idade, 70 dos quais dedicados à ordem do penitente. O ritual foi realizado na sala da frente da casa onde morou Mulato, no Sítio Cabeceiras, a 5km de Barbalha.

A voz forte de Severino ecoa dentro da pequena sala enfeitada de santos, entre os quais as imagens do Padre Cícero e de Frei Damião, que ainda não foram canonizados. Os benditos medievais são respondidos pelo restante do grupo. Em seguida, é iniciado o terço intercalado por outros benditos.

Ainda sobre o impacto emocional da morte de Joaquim Mulato, os penitentes assumem solenemente o compromisso de dar continuidade às penitências. Antônio de Amélia, conhecido por “Sitônio”, lamenta o desaparecimento de uma cartilha que era utilizada pelo decurião para orientar os rituais.

Sem a cartilha, o grupo fica na dependência de Severino que sabe todos os benditos decorados. “Quando Severino, que está com 84 anos de idade, morrer, eu não sei como vai ser”, adverte Sitônio.

No entanto, os penitentes não perdem o entusiasmo. Eles garantem que, na Semana Santa, voltarão a se reunir para cumprir a missão de fazer penitência com o objetivo de pagar os seus pecados.

Eles já não se autoflagelam como antigamente, quando se retalhavam com lâminas de ferro para purgar os pecados. O novo decurião diz que este sacrifício foi substituído por outras penitências. No entanto, mantêm o mesmo ritual ensinado pelo Padre Ibiapina, um sacerdote que viveu no Cariri, no fim do século 18 e cujo processo de canonização está em andamento no Vaticano. Severino justifica que, conforme orientação da Igreja Católica, não tem mais sentido se martirizar, açoitando o próprio corpo até se esvair em sangue.

As autoflagelações nos cemitérios e nas cruzes de beira de estrada serviam, segundo crença popular, para aplacar a ira divina e aliviar as misérias do povo. A manifestação da fé do grupo dos penitentes tem suas raízes no período medieval, nas práticas das irmandades flagelantes que viveram no sul da Itália nos séculos XI e XII.

O grupo desmistificou ainda o segredo maçônico que existia entre eles. Os integrantes da Ordem dos Penitentes tinham a sua identidade preservada. Ninguém sabia quem participava da confraria que se reunia nas caladas da noite e andava nas estradas com o rosto coberto de roupas medievais.

Antônio Vicelmo
Repórter


DEDICAÇÃO
89 anos de idade completaria, terça-feira, o decurião Joaquim Mulato se estivesse vivo. Destes, 70 anos foram dedicados à ordem do penitente do Sítio Cabeceiras, em Barbalha

Fonte: Jornal Diário do Nordeste

segunda-feira, 2 de março de 2009

Segurança Pública e Fraternidade

Inicia-se, nesta Quaresma, a 47ª edição da Campanha da Fraternidade (CF), promovida pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). O tema deste ano é "Fraternidade e segurança pública", e o lema "A paz é fruto da justiça" (Isaías 32, 17).

Segundo o documento da CF, entre os objetivos se destacam "suscitar o debate sobre segurança pública e contribuir para a promoção da cultura de paz; denunciar os crimes contra a ética, a economia e as gestões públicas, assim como a injustiça presente nos institutos de prisão especial, do foro privilegiado e da imunidade parlamentar para crimes comuns; favorecer a articulação de redes populares e de políticas públicas com vistas à superação da violência; apoiar as políticas governamentais valorizadoras dos direitos humanos".

A CNBB aponta três tipos de violência predominantes no Brasil: a estrutural, que nega cidadania a uma parcela da população e discrimina os "diferentes"; a física, como a tortura, a agressão à mulher, a exploração laboral e sexual de crianças; e a simbólica, através de ameaças e constrangimentos, negação de informação e disseminação da cultura do medo.

Talvez a mais freqüente e dissimulada seja a que ocorre dentro dos lares, desde maus tratos a empregadas às brigas entre casais; a agressão à mulher e aos filhos; as dependências químicas; o descaso pelos idosos; a pedofilia indenunciada e recorrente.
Uma das formas de violência mais visíveis hoje é a ambiental, que promove o desmatamento e a poluição das águas e do ar, favorece a emissão de CO2 na atmosfera e o aquecimento global; reduz a biodiversidade e as fontes de alimentos saudáveis. Há também a sutil, como alimentos transgênicos não-identificados, embalagens perniciosas à saúde, produtos com substâncias químicas nocivas.

Os dados da CNBB mostram que indígenas e pequenos agricultores têm perdido suas terras e sido assassinados em decorrência de conflitos fundiários. "Como não há limites, os que têm dinheiro se tornam proprietários da maior parte das terras; no outro extremo, quem não tem como comprar, fica sem nada, sem lugar para trabalhar e para viver. Como surgem os Sem-Terra e os Sem-Teto organizados, exigindo seus direitos, nada mais fácil que cresça a acusação e a imagem de que são baderneiros e, no limite, terroristas, e que ela seja combinada com o sentimento geral de que a violência direta ou a repressão policial é o prêmio destinado a quem se rebela contra a própria sorte" (p. 185).

A violência não reside apenas em agressões evidentes. Ela se imiscui até mesmo no nosso modo de pensar e falar, no discurso que considera a paz resultado do equilíbrio de forças ("mais cadeias, mais repressão") e não fruto da justiça. Há ainda a violência da mídia que invade os lares com programas pornográficos, exaltando a imbecilidade, a ociosidade vadia, o sucesso e a fama dos que transgridem as leis.

A CNBB propõe que o tema da segurança pública seja debatido em escolas, igrejas, fóruns, mídias. Sugere que se promova o diálogo com o poder público para a elaboração de programas, leis e políticas de segurança; que sejam organizados atos públicos em favor do tema; criem-se comissões de justiça e paz e de direitos humanos que possam acompanhar casos de violação desses mesmos direitos; denuncie e combata-se toda forma de trabalho escravo, de tráfico de pessoas, de exploração sexual, de violência doméstica.

Na prática de Jesus, três atitudes antiviolência se destacam: a humildade (fazer-se criança, Mateus 18, 4); o amor aos pobres e excluídos (Mateus 18,10 e 25, 31-40); o perdão (Mateus 18, 22). E o programa de justiça, capaz de engendrar a paz, contido no Sermão da Montanha (as bem-aventuranças Mateus 5, 1-12).

O documento da Campanha da Fraternidade 2009 pode ser adquirido em livrarias católicas ou via: vendas@edicoescnbb.com.br

Frei Beto

Fonte: Adital

Cariri Digital - O Cariri nas ondas da Internet

domingo, 1 de março de 2009

Encontrar alguém


Temos em nossas vidas uma meta que entre outras, assume lugar de destaque
para nós. Principalmente diante do quadro atual de um mundo repleto de
problemas, inclusive o da solidão.

Falo da meta de encontrar alguém para se viver um grande amor. Alguém para
está ao seu lado quando o que se mais deseje seja ouvir um "eu te amo",
alguém que perceba ao olhar em seus olhos quando você não está bem e que
mesmo sem resolver o problema pelo qual você está passando, te traga força
ao te abraçar apertado e dizer que vai dar tudo certo. Alguém que te dê
atenção, carinho, que saiba demonstrar o quanto você é importante, alguém
que se preocupe com você e que as vezes tenha a postura semelhante à de
nossos pais por causa do intenso cuidade e zelo. Alguém que conte as horas
para te ver ou pelo menos tente te ouvir pelo telefone e tenha a sua voz
como um bálsamo, que tranquiliza, no final de um dia estressante e
cansativo. Alguém que sinta sua falta e demonstre isso ao te ver, te dando
um abraço seguido de um beijo demorado. Alguém que tenha qualidades como
ser humano. Que saiba ser sério na hora certa e que saiba rir e te fazer rir.

E principalmente alguém para que você possa retribuir tudo isso, ser tudo
isso, para que um contribua para a felicidade do outro e ambos vivam o tão
sonhado grande amor.

Cariri Digital - O Cariri nas ondas da internet

100 anos de nascimento de Patativa do Assaré



Patativa do Assaré foi homem feito de terra, poesia e amizade. Nasceu Antônio. Quando abriu os olhos, estava na Serra de Santana. Era março, dia 5. Por esse mês, o olho do sertanejo corre o céu em busca de chuva. Em 1909 choveu. O menino parece ter marcado encontro com a agricultura. Sem pai aos oito anos, ficaram a mãe, os irmãos mais novos, a enxada e a esperança plantada na terra pouca, herdada. Começou na roça quase ao mesmo tempo em que se deparou com a poesia. Enquanto cultivava a terra, brotavam os versos. Foi assim a vida inteira. Mesmo no verão havia colheita de poesia.

Os filhos, arando a memória, relembram o pai a caminho do roçado, na Serra de Santana, separada de Assaré por 18 km. Geraldo, filho mais velho, traquino e tanjão, chegou a ralhar com Patativa em busca de entendimento. "Pai, na roça, tinha um mexido na boca. Um dia perguntei a ele: 'Com quem o senhor tá falando, se eu tô aqui do lado e num escuto nada?'". "Ói menino, cuide do seu serviço que eu tô fazendo meus versos", ouviu como resposta. À noite, rodeava os filhos em volta da lamparina e recitava o plantio de palavras. Alguns poemas, Patativa esperava a noite quase esbarrar na madrugada para engarranchá-los num pedaço de papel. O roceiro virou um clássico quando os versos de Triste Partida, feitos no roçado e burilados na memória do poeta alvorada adentro, chegaram numa toada pela voz de Luiz Gonzaga, em 1964. Estourou pelos quatro cantos do País. Vinte anos mais tarde, Vaca Estrela, Boi Fubá conquista o Brasil na voz de Fagner.

"Quando a gente crescia ao ponto de poder trabalhar, ia pra roça ajudar. Pai mandava a gente ir na frente, enquanto ele botava água na cabaça. Mas eu sabia que ele queria ficar sozinho pra ir fazendo os poemas dele". A filha Inês era menina de 10 anos quando começou a aprender a conviver com a poesia e o sol estridente, a chuva escassa e a precisão de tudo. "No tempo de pai é que era difícil. Não havia nem estrada para Assaré. Só umas veredinhas pra ir montado". O caçula Pedro recorda quando ia levar o pai para um lugarejo chamado Anduras. "De lá, ele viajava para Assaré ou Crato. Marcava o dia da volta, eu tinha que tá lá esperando". Na seca de 1958, Inês conta que o pai teve de ir para uma frente de serviço na Serra da Ema. Nessa época, Patativa já havia lançado Inspiração Nordestina (1956), era conhecido nas rodas matutas, e na cidade, por causa da viola que ele tocava na feira do Crato e nos sítios, nas disputas de repente.

Foi por esse tempo que o cantor e compositor Abdoral Jamacaru, garoto de uns seis anos, via aquele violeiro no armarinho que o pai dele tinha no centro do Crato, onde Patativa costumava comprar cordas para viola. "Já chegava recitando alguma coisa. Meu pai era muito amigo dele. Quando cresci e compreendi melhor, ele já estava fazendo só poesia. No começo, achava que ele fazia apenas poesia matuta e a linguagem dele era muito diferente da minha. Até que um dia um li o poema Peixe e falei: quem escreve um poema desses não é qualquer um, é um poeta clássico". Abdoral musicou o poema, levou para Patativa ouvir, ele gostou e autorizou a gravação. Peixe foi o segundo disco de Abdoral Jamacaru, que até hoje mora numa casa no centro do Crato. "Patativa ficou famoso pela poesia, mas continuou a mesma pessoa generosa, humana, nunca se fez de rogado para recitar os versos, sentava na calçada com os amigos, fazia brincadeiras comuns, tinha a roça dele, foi consagrado pelo povo. Porque o povo consagra o que é verdadeiro e o povo já tinha consagrado Patativa antes dos intelectuais o consagrarem", afirma Jamacaru.

Patativa do Assaré foi à escola por um semestre. Juntou as sílabas, formou as palavras. Foi o suficiente, como afirmou várias vezes em inúmeras entrevistas publicadas na mídia e nos livros. No entanto, estudou a vida inteira. Leu os clássicos da poesia: Olavo Bilac, Castro Alves, Camões... Estudou métrica e ia buscar no dicionário o sentido exato das palavras que deixava fermentando no juízo para transformar em versos. Sabia de cor todos os poemas dos seis livros que deixou publicado. A memória privilegiada assombrava até poetas como ele. Geraldo Gonçalves, primo legítimo, foi companheiro de poesia de Patativa por mais de 30 anos, fez o teste da memória várias vezes. Tomava uma poesia de um dos livros e dizia: Patativa, e esse poema? Na hora, o poeta recitava. "Era algo extraordinário". Juntos escreveram Poesia ao Pé da Mesa e organizaram o primeiro Balceiro, livro com poesias do Patativa, Geraldo e outros poetas do Assaré. Geraldo conheceu Patativa no tempo das cantorias e do cordel. Só quando Patativa lançou Inspiração Nordestina foi que Geraldo se deu conta do Patativa poeta. O livro lhe abriu as portas da poesia. Depois, passou a escrever versos campestres. Patativa olhava e repetia sem dó nem piedade: "Presta não, presta não". Até que um dia Geraldo compôs Pergunta de Morador. Submeteu ao mestre. Patativa calou-se. Dias depois, o poeta propôs ao amigo: "'Ô Geraldo, você me permite escrever uma resposta ao seu poema?' Soube naquele dia que ele tinha gostado". Saiu com o Resposta do Patrão.

Daí por diante os encontros dos dois foram a três: Geraldo, Patativa e a poesia. Foi Geraldo quem convenceu Patativa a ditar para ele os poemas considerados "imprestáveis". "Ele era assim: exigente, positivo e imprudente", ri-se o poeta e amigo, explicando o significado de imprudência. No caso era ser um tanto quanto ranzinza, com uma pitada de mau humor e uma boa dose de impaciência. Era o tempo que acertava o passo em direção a Patativa.

Assaré e Patativa viveram um caso raro de amor. O poeta tinha duas paixões: a Serra de Santana e Assaré. Em Santana, viveu quase a vida toda numa casa de homem da roça: as paredes de barro sustentadas por um entrançado de madeira fina, sala, quartos, corredor, cozinha. Até que, em meados de 1970, dona Belinha (Belarmina Cidrão), mulher de Patativa, pediu a ele que, antes de morrer, queria morar em Assaré, no quadrado da matriz. Patativa pôs dona Belinha ao lado da Igreja, em 1979. Era dar só alguns passos e ela poderia ir rezar. Enquanto o poeta ganhava o mundo recitando os versos, dona Belinha só fazia um único percurso: de casa para a igreja. Se em Santana Patativa era amigo dos roceiros e cantava no sítio dos conhecidos, mesmo antes de ficar famoso, abaixo, na cidade, Assaré olhava de soslaio para o poeta que já desceu importante. "As pessoas dizem que Patativa não era valorizado em Assaré, mas elas não tinham conhecimento. Agora têm e ele está sendo valorizado", afirma Isabel Cidrão Pio, neta de Patativa, que preside o Memorial Patativa do Assaré. Foi ela quem datilografou os versos do último livro publicado por ele, Aqui tem Coisa. "Ele me fazia ler duas, três vezes a poesia para saber se estava mesmo do jeito que havia ditado. Sabia uma por uma decorada".

O Memorial, fundado em 1999, quando o poeta completou 90 anos, guarda o acervo de objetos pessoais de Patativa, os livros, cordéis, filmes, mas até hoje é mais visitado por turistas do que pela população. A estudante Paula Íris, 19, que trabalha no Memorial e, quando menina, encontrava Patativa na rua e pedia a bênção a ele, demorou para compreender o que ele significava para a cidade. "Eu só sabia que ele era poeta, mas foi preciso ler para conhecer quem ele era. Hoje, lamento que tenha muita gente que ainda não valorize o Patativa pelo que ele foi", afirma a estudante. Neste tempo de festa, ela admite, a visitação pelas pessoas do lugar cresce e o assédio às salas do sobrado tem motivação extra: as "celebridades" que se acercam do lugar. É que o filho ilustre da terra deixou amigos importantes: artistas, políticos, professores universitários, intelectuais que se misturam à simplicidade que cerca a memória do homem que ganhou nome de pássaro.

Pelas ruas do Assaré, difícil é encontrar alguém que não trocou uma palavra com Patativa. As histórias percorrem os arredores do mercado, onde ele comprava cigarros, tomava um café, fazia compras. Se encontrasse alguém que pedisse para ele recitar uma poesia, lá vinha ele com duas ou três. Ficava ali, em pé, debulhando os versos, fosse poesia matuta, fossem os sonetos clássicos. Hoje, Assaré lê os versos de Patativa em todas as ruas da cidade. As placas indicativas têm o nome da rua e um trecho de uma obra do poeta. Patativa do Assaré, seguido pela maior multidão que Assaré já viu, foi sepultado no dia 9 de julho de 2002, no Cemitério São João Batista.


POEMA

Sou fio das mata, cantô da mão grossa,
Trabalho na roça, de inverno e de estio.
A minha choupana é tapada de barro,
Só fumo cigarro de páia de mio.

Sou poeta das brenha, não faço o papé
De argum menestré, ou errante cantô
Que veve vagando, com sua viola,
Cantando, pachola, à percura de amô.


RESUMO - HOMEM
Patativa do Assaré, poeta cearense, nascido no Cariri, se tornou um ícone do povo nordestino. Símbolo de criatividade poética, sua generosidade e apego à poesia são cantados por filhos, amigos, netos e também por aqueles que pesquisaram sua obra. Seus versos animaram a alma do roceiro e plantaram sonhos de liberdade quando o País lutava por democracia.

O NOVO NOME
Antônio Gonçalves da Silva nasceu no dia 5 de março de 1909, na Serra de Santana, a 18 km de Assaré. Ganhou o apelido de Patativa dado pelo amigo José Carvalho, autor do livro O Matuto Cearense e o Caboclo do Pará, publicado em 1931 e que narra o encontro entre José Carvalho e o jovem Antônio.

A CANTORIA E OS CORDÉIS
Rapazote, Patativa comprou uma viola com o dinheiro da venda de uma cabra. Tornou-se cantador nas feiras no Crato e nos encontros de violeiros promovidos nos sítios pelos arredores da Serra de Santana. Escreveu cordéis. A maioria deles foi publicada pela Gráfica São Francisco, do Crato. A Universidade Federal do Ceará publicou uma antologia de cordéis do Patativa. Com o passar do tempo, o poeta abandona os cordéis e se dedica inteiramente à poesia. Nos últimos anos, Patativa nem gosta de falar sobre o assunto.

A TRISTE PARTIDA
De passagem pelo Crato, nos anos 60, Luiz Gonzaga ouve a toada A Triste Partida. Quis saber de quem era. Apresentaram o então, já grande cantor "rei do baião" ao poeta Patativa. Luiz Gonzaga gravou a música em 1964. Fez grande sucesso e se tornou o hino dos imigrantes nordestinos em São Paulo. Luiz Gonzaga e Patativa se tornaram amigos.

SINA DO VAQUEIRO
Num imbróglio que até os dias de hoje se multiplicam as versões, o cantor Fagner grava o poema Vaqueiro, de Patativa do Assaré, e lhe dá um novo nome: Sina. O disco Manera Fru-Fru não dá os créditos do poeta. Um movimento de reação termina por aproximar Fagner do poeta. Anos depois, Fagner grava Vaca Estrela, Boi Fubá, que se torna um grande sucesso em todo o País.

Fonte: Jornal O Povo

Cariri Digital - O Cariri nas ondas da Internet