quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Cisternas transformam vidas nas zonas rurais do Ceará

Padre Cícero, a região do Cariri, pelo menos na zona rural, assim como boa parte do Semiárido, ganhou um componente em sua paisagem de Caatinga: a cisterna.

Nos últimos 15 anos, o Programa Nacional de Apoio à Captação de Água de Chuva e outras Tecnologias Sociais (Programa Cisternas), financiado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), impulsionou o acesso à água para consumo humano e produção de alimentos, a partir de tecnologias sociais simples e de baixo custo. O principal público deste programa são as famílias de baixa renda, atingidas pela seca e falta regular de água.

Dentro dele, surgiu, posteriormente, o Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC), criado no ano de 2003, pela Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA Brasil), organização que mobiliza cerca de 750 instituições. Hoje, a organização contabiliza, pelo P1MC, mais de 600 mil cisternas, com capacidade de 16 mil litros, construídas.


Já o Programa Uma Terra, Duas Águas (P1+2), implantou cerca de 96 mil cisternas das chamadas "segunda água", que captam até 52 mil litros das chuvas, e que são destinadas à produção de alimentos e criação de pequenos animais.

Ampliação

Já em 2011, surge o Programa Nacional de Universalização do Acesso e Uso da Água, a partir do Decreto Nº 7.535, gerido pela Ministério da Integração Nacional e executado em parceria com os governos estaduais. A medida procurou ampliar o acesso às cisternas de placa de concreto e polietileno, além de outras tecnologias sociais, para mais de 750 mil famílias.

Neste cenário, várias histórias de vida foram transformadas no Semiárido brasileiro. A região do Cariri cearense, conhecida pela sua geografia privilegiada. O sopé da Chapada do Araripe concentra nascentes e poços naturais que abastecem os municípios. Mas a realidade é diferente na zona rural. O acesso à água não é democratizado, de difícil captação e, nos períodos de seca, muitas comunidades dependem de carro-pipa.

Mudança de vida

Na comunidade de Catolé, no município de Milagres, a chegada das cisternas mudou o modo de vida dos moradores. Segundo a agricultura Maria Agda Ferreira, a água da primeira cisterna, de 16 mil litros, instalada em 2006, já garantiu o consumo dela e de sua família, que, além de seu marido, possui três filhos e um neto. "Antes, a gente botava água na cabeça ou no jumento. Água que vem do céu é limpa, é boa", lembra.

Em 2014, sua família recebeu a cisterna de "segunda água", de 52 mil litros e, a partir dela, começou a produzir alimento e aumentou sua criação de animais. "A gente se sente como parte da renda da família. Antes, eu era só nos afazeres da casa. Com isso aí, a gente consegue, além de cuidar da casa, ajudar nas hortas, nas galinhas", explica.

Enquanto isso, na comunidade de Jiqui, na zona rural de Mauriti, a agricultura Maria Francineide Lima, 70, acredita que a cisterna deu outra perspectiva para sua produção.

"O período da seca, que nem é agora, as frutas antes morriam todas, porque não tinha onde a gente arrumar nossa água. Agora, depois dela, nosso pé de laranja já tirou dois sacos e já está colhendo outro. Quando vai acabando, a gente vai abastecendo com o carro-pipa", conta. No entanto, sua tecnologia de calçadão, de 52 mil litros, não encheu totalmente. A agricultora acredita que, na cisterna maior, a água tem mais facilidade de evaporar.

Coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), o Programa de Cisternas operado pelo Banco do Nordeste (BNB), por meio da ASA, foi reconhecido com o segundo lugar no Prêmio Internacional de Política para o Futuro 2017, da organização alemã World Future Council, entregue na China. O projeto é parte do "Água para Todos" e contemplou, além do Ceará, os estados da Bahia e Minas Gerais com 21 mil cisternas.

Junto com as tecnologias sociais, os programas fornecem equipamentos para criarem os "quintais produtivos", onde o agricultor dedica um espaço de seu terreno à criação de canteiros de frutas, legumes e verduras. A partir delas, alguns já conseguem colher uma quantidade capaz de comercializar, seja nas comunidades vizinhas ou nas feiras. Na comunidade de Genipapo, em Crato, Cicero da Cruz, 31, e seus pais foram beneficiados com o projeto. Hoje, está produzindo o coentro, alface, salsinha, rúcula, cenoura, couve, cebolinha e mamão.

Enxurrada

No ano passado, a família de Cícero recebeu a cisterna de enxurrada, que capta a água da chuva que cai no chão. Nela, também cabem 52 mil litros. Apesar de já produzir antes da chegada da tecnologia social, hoje ele quer ampliar a produção e aumentar a renda. "O pensamento é de produzir mais mamão, até fiz algumas mudas aqui", espera o agricultor, que já vende na feira agroecológica local, além de entregar, toda quarta-feira, às suas clientes. Além das verduras e legumes, ele comercializa ovos, porcos e galinhas.

Já Manoel Daniel Palmeira, 47, também da comunidade do Genipapo, começou a produzir alface, cheiro-verde e macaxeira. Há cinco anos, ele largou o trabalho na indústria, em Fortaleza, para voltar à agricultura. Mas, por enquanto, só planta para o consumo. "Só plantava no inverno, feijão e milho", explica. No entanto, sua cisterna do tipo "calçadão", construída em agosto do ano passado, com capacidade para 52 litros, não encheu no inverno. Ele acredita que a chuva penetrou na placa de cimento, antes de ser captada.

Renda complementar

Na região do Cariri, a Associação Cristã de Base (ACB), organização sem fins lucrativos, criou quatro feiras agroecológicas que reúnem, semanalmente, agricultores que produzem sem o consumo de agrotóxicos ou qualquer outro fertilizante químico. A ideia surgiu para que os beneficiados dos programas de cisternas, pequenos produtores, tivessem uma renda complementar e a população da zona urbana tivessem acesso aos alimentos saudáveis. Hoje, as feiras funcionam em Crato, desde 2003, Milagres, Nova Olinda e Santana do Cariri, as três a partir de 2015.

Saiba mais

Feiras Agroecológicas na Região do Cariri:

Crato

Toda sexta-feira, a partir das 5h da manhã
Local: Rua dos Cariris, 61 - Centro

Milagres

Todo sábado, a partir das 5h da manhã
Local: Travessa Coronel Gomes - Centro

Nova Olinda

Todo sábado, a partir das 5h da manhã.
Local: Rua Pedro Antônio - Centro

Santana do Cariri

Todo sábado, a partir das 5h da manhã.
Local: Rua Ulisses Coelho - Centro

Reportagem e fotografias por: Antônio Rodrigues
Fonte: http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/regional/cisternas-transformam-vidas-nas-zonas-rurais-do-ceara-1.1821228

Publicado no Diário do Nordeste em 16/09/2017.

domingo, 24 de setembro de 2017

Tradição na Festa de Santo Antônio de Barbalha 2017


No palco do Domingão do Faustão, a repórter Renata Longaray falou sobre a viagem que fez para Barbalha, no interior do Ceará, para conhecer a Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio. No evento, também chamado de 'Festa das Solteironas', um tronco de cerca de 2 toneladas é carregado pela cidade para virar o tal pau da bandeira do santo, mas as mulheres e homens casadoiros tentam pegar ou mesmo sentar-se nele para garantir que vão arranjar parceiros. Confira como foi no vídeo!



Fonte: https://gshow.globo.com/tv/noticia/solteira-renata-longaray-mostra-festa-para-arranjar-marido-no-ceara.ghtml

Geografia privilegiada e atrativa no Cariri

A cidade fundada por Padre Cícero Romão Batista ganhou o título de Capital da Fé e, em cima deste, rótulo se desenvolveu a ponto de tornar-se o maior Município do Interior cearense, com mais de 260 mil habitantes. Por muitos anos, o turismo religioso foi o grande propulsor da economia local. Hoje, no entanto, o turismo ecológico vem ganhando bastante espaço. Privilegiada por estar situada em uma região de belezas naturais singulares, Juazeiro expandiu as opções de lazer e viu o segmento ficar mais heterogêneo.
Localizada em uma região classificada como um "Oásis" em meio ao sertão cearense, os amantes de aventura enxergaram, não só em Juazeiro, mas também em cidades vizinhas, a oportunidade de explorar ao máximo a Chapada do Araripe, que, dentre tantos atrativos, possui a Floresta Nacional do Araripe-Apodi, um dos redutos da Mata Atlântica no Brasil.
Trilhas a pé ou de bicicleta, rapel, voo de parapente e até balonismo. O leque que compõe o turismo ecológico é farto. Para o instrutor de voo de parapente, Absalão Maia de Oliveira Carneiro, "o grande diferencial do Cariri é justamente a localização estratégica, perto de várias capitais do Nordeste, o que facilita a chegada de turistas, somado a riqueza da fauna e da flora da Chapada do Araripe".