Eu nasci em 6 de julho, sou de câncer e estou com câncer. Não estou com “aquela doença”, nem com “CA”, é câncer mesmo, sem nenhum estigma. Não, eu NÃO SOU doente, eu ESTOU doente. Sintomas? Nenhum. Mas o “bixinho” continua lá e eu cá. É possível ser feliz com câncer? Sim, é possível. É duro, mas é possível. O câncer nos faz ser ainda melhores do que somos. O que é a cura? Curar é transformar!
Já estou em tratamento. Tive meu primeiro dia de quimioterapia e não senti nada. Graças à Deus! Só um pouco de barulho, porque as minhas acompanhantes (Só o SUS VIP que permite) são muito bagunceiras. E, nesse momento, já estou me curando, pois estou sendo capaz de transformar a minha dor em experiência criativa, compartilhando-a de forma positiva com outras pessoas, as que têm câncer e as que não têm. Afinal, a vida não dá certeza para ninguém, não é mesmo? Mesmo eu gostando de tamarindo (essa foi bem azeda, aff!), tô fazendo um suquinho bem levezinho...
A minha idéia de tornar público essa minha doença é questão de dignidade. É uma maneira de ajudar outras pessoas, assim como eu. Esclarecer, acabar com o preconceito, acabar com a blindagem: Eu não bebo, nem fumo, alimentação saudável, nada sedentária, não tenho histórico de câncer na família e nem namoro em pé... rs. Isso num me pega. Cuide-se!
E diante de uma dúvida, um “noduluzinho” no seio (eu jurava que era verme pq só ando descalça), protelei e foi passando... Até que, numa consulta “bobinha”, por desencargo de consciência, foi solicitado biópsia. Gente do céu, como esse nome assusta! E depois desse resultado bombástico... Estava eu com o exame na mão, com o termo “maligno”. Sabe que nunca pensei em ter câncer... Quer dizer, tinha medo! Acho que todo mundo tem um pouco, mas é uma coisa que acontece com os outros... somente com os outros! Logo o mesmo linfoma da presidente, e eu nem vereadora sou.
Tive um luto de 3 dias. Dei-me de presente. Chorei. Choramos por medo. Medo de não ser forte; medo de se deixar abater, de mudar meu espírito otimista e de deixar de ser eu. E num é que no fundo do meu poço tem uma mola!!? No quarto dia, levantei, fiz escova... E tome batom! Usei minha melhor roupa (parecida com a dos meus quinze anos). E pronto!!! Mulher e índio quando se arrumam ficam prontos para qualquer guerra.
É uma força, inerente ao ser humano! E tem demonstrado que a dificuldade, a tragédia, o fracasso e o desapontamento podem servir como um impulso para a mudança e o crescimento. Que seja uma guerra, mas eu creio que, com perfume e salto, se eu não conseguir acabar com meu inimigo, pelo menos eu o conquisto... rs
E todo dia é uma palavrinha nova que eu aprendo. O verdadeiro significado de “Resiliência”. E lá tava: “Persistir nos momentos difíceis mantendo a esperança e a saúde mental”. Entendi que pessoas altamente resilientes tornam-se mais fortes após situações difíceis. Por que isso acontece? Porque elas desenvolvem confiança em si mesma aprendendo novas formas de lidar com as adversidades.
Bingo!!
Quer dizer que é aprender, adaptar-se e em última instância é se dispor à mudanças? Isso é ser resiliente? Eu sou esse negócio aí, pronto! E tudo mudou... Tenho necessidade de dividir, a gorjeta aumentou, menino chorando eu pego no braço, atravesso velhinho no sinal independente da vontade dele. Quero ajudar e pronto! E o olhar? Muda. Admiro tudo! Acho lindo as formiguinhas andando, o sol, a lua, a coxa do frango é mais saborosa, enfim, sinestesia total. E não é que tudo vem de forma natural!!? É uma força que não sei... Aliás, até sei, só não sabia que vinha de forma tão suave. Espiritualidade é essencial! Por mais que a gente acredite numa força superior. Comigo meu encontro com Deus foi na angústia, mas foi. E agradeço. Eu, sinceramente desconfio que Deus tenha dito bem baixinho: Agora tu toma siso, nega!
E quero aprender tudo que essa doença tem para me ensinar, não quero perder 1 minuto. Porque ela veio, eu não sei, mas para quê, eu sei: Veio para me sentir mais forte, fortalecer-me na fé e dá valor às coisas mais essenciais para minha felicidade, que custa tão pouco. Jamais vou deixar que o câncer tire o que eu tenho de mais precioso: minha alegria de viver. Logo, logo a doença vai passar e as coisas boas que ela me trouxe que talvez eu ainda não tenha percebido claramente, vão permanecer. Vivo cada minuto de uma vez e amo mais do que qualquer coisa.
Só tenho que agradecer, minha gente, aquele cheiro meu, minha família, meus amigos e os profissionais da área que antes eram só conhecidos e hoje já fazem parte da minha vida diante de tanto carinho. Nesses momentos que a gente reconhece os nossos. Seguram minha mão com riso, com piadas bestas (amooo!), mas é disso que eu preciso!
Já dizia o poeta: “Sou capaz de gostar de tudo, menos do sofrimento. Quanto menos se fala nas aflições da vida, melhor”.
Portanto, só não me venham com livros de auto-ajuda, e que “ainda há esperança”. De muito bom grado, eu aceito livros do Costinha, Tiririca e videos da Janete a Valéria. Venham-me com um sorriso, um abraço, uma piada... Nada de frases genéricas. Basta um riso, uma esperança para meu peito consertar. Afinal, tenho 99% de chances e esse 1% eu digo que é de cabelo... rs.
E agora, força na peruca!!
(*) Formada em Letras(URCA), Empresária e continuando a sonhar...
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
domingo, 28 de agosto de 2011
Corrupção: endemia política
Por Frei Betto
A política brasileira sempre se alimentou do dinheiro da corrupção. Não todos os políticos. Muitos são íntegros, têm vergonha na cara e lisura no bolso. Porém, as campanhas são caras, o candidato não dispõe de recursos ou evita reduzir sua poupança, e os interesses privados no investimento público são vorazes.Corrupção
Arma-se, assim, a maracutaia. O candidato promete, por baixo dos panos, facilitar negócios privados junto à administração pública. Como por encanto, aparecem os recursos de campanha.
Eleito, aprova concorrências sem licitações, nomeia indicados pelo lobby da iniciativa privada, dá sinal verde a projetos superfaturados e embolsa o seu quinhão, ou melhor, o milhão.
Para uma empresa que se propõe a fazer uma obra no valor de R$ 30 milhões – e na qual, de fato, não gastará mais de 20, sobretudo em tempos de terceirização – é excelente negócio embolsar 10 e ainda repassar 3 ou 4 ao político que facilitou a negociata.
Conhecemos todos a qualidade dos serviços públicos. Basta recorrer ao SUS ou confiar os filhos à escola pública. (Todo político deveria ser obrigado, por lei, a tratar-se pelo SUS e matricular, como propõe o senador Cristovam Buarque, os filhos em escolas públicas). Vejam ruas e estradas: o asfalto cede com chuva um pouco mais intensa, os buracos exibem enormes bocas, os reparos são frequentes. Obras intermináveis…
Isso me lembra o conselho de um preso comum, durante o regime militar, a meu confrade Fernando de Brito, preso político: “Padre, ao sair da cadeia trate de ficar rico. Comece a construir uma igreja. Promova quermesses, bingos, sorteios. Arrecade muito dinheiro dos fiéis. Mas não seja bobo de terminar a obra. Não termine nunca. Assim o senhor poderá comprar fazendas e viver numa boa.”
Com o perdão da rima, a ideia que se tem é que o dinheiro público não é de ninguém. É de quem meter a mão primeiro. E como são raros os governantes que, como a presidente Dilma, vão atrás dos ladrões, a turma do Ali Babá se farta.
Meu pai contava a história de um político mineiro que enriqueceu à base de propinas. Como tinha apenas dois filhos, confiou boa parcela de seus recursos (ou melhor, nossos) à conta de um genro, meio pobretão. Um dia, o beneficiário decidiu se separar da mulher. O ex-sogro foi atrás: “Cadê meu dinheiro?” O ex-genro fez aquela cara de indignado: “Que dinheiro? Prova que há dinheiro seu comigo.” Ladrão que rouba ladrão… Hoje, o ex-genro mora com a nova mulher num condomínio de alto luxo.
Sou cético quanto à ética dos políticos ou de qualquer outro grupo social, incluídos frades e padres. Acredito, sim, na ética da política, e não na política. Ou seja, criar instituições e mecanismos que coíbam quem se sente tentado a corromper ou ser corrompido; ‘A carne é fraca’, diz o Evangelho. Mas as instituições devem ser suficientemente fortes, as investigações rigorosas e as punições severas. A impunidade faz o bandido. E, no caso de políticos, ela se soma à imunidade. Haja ladroeira!
Daí a urgência da reforma política – tema que anda esquecido – e de profunda reforma do nosso sistema judiciário. Adianta a Polícia Federal prender, se, no dia seguinte, todos voltam à rua ansiosos por destruir provas? E ainda se gasta saliva quanto ao uso de algemas, olvidando os milhões surrupiados… e jamais devolvidos aos cofres públicos.
Ainda que o suspeito fique em liberdade, por que a Justiça não lhe congela os bens e o impede de movimentar contas bancárias? A parte mais sensível do corpo humano é o bolso. Os corruptos sabem muito bem o quanto ele pode ser agraciado ou prejudicado.
As escolas deveriam levar casos de corrupção às salas de aula. Incutir nos alunos a suprema vergonha de fazer uso privado dos bens coletivos. Já que o conceito de pecado deixou de pautar a moral social, urge cultivar a ética como normatizadora do comportamento. Desenvolver em crianças e jovens a autoestima de ser honesto e de preservar o patrimônio público.
Frei Betto é escritor, autor do romance “Minas do Ouro”, que a editora Rocco faz chegar às livrarias esta semana. http://www.freibetto.org – twitter:@freibetto.
Fonte: Correio do Brasil
http://correiodobrasil.com.br/corrupcao-endemia-politica/289408/
A política brasileira sempre se alimentou do dinheiro da corrupção. Não todos os políticos. Muitos são íntegros, têm vergonha na cara e lisura no bolso. Porém, as campanhas são caras, o candidato não dispõe de recursos ou evita reduzir sua poupança, e os interesses privados no investimento público são vorazes.CorrupçãoArma-se, assim, a maracutaia. O candidato promete, por baixo dos panos, facilitar negócios privados junto à administração pública. Como por encanto, aparecem os recursos de campanha.
Eleito, aprova concorrências sem licitações, nomeia indicados pelo lobby da iniciativa privada, dá sinal verde a projetos superfaturados e embolsa o seu quinhão, ou melhor, o milhão.
Para uma empresa que se propõe a fazer uma obra no valor de R$ 30 milhões – e na qual, de fato, não gastará mais de 20, sobretudo em tempos de terceirização – é excelente negócio embolsar 10 e ainda repassar 3 ou 4 ao político que facilitou a negociata.
Conhecemos todos a qualidade dos serviços públicos. Basta recorrer ao SUS ou confiar os filhos à escola pública. (Todo político deveria ser obrigado, por lei, a tratar-se pelo SUS e matricular, como propõe o senador Cristovam Buarque, os filhos em escolas públicas). Vejam ruas e estradas: o asfalto cede com chuva um pouco mais intensa, os buracos exibem enormes bocas, os reparos são frequentes. Obras intermináveis…
Isso me lembra o conselho de um preso comum, durante o regime militar, a meu confrade Fernando de Brito, preso político: “Padre, ao sair da cadeia trate de ficar rico. Comece a construir uma igreja. Promova quermesses, bingos, sorteios. Arrecade muito dinheiro dos fiéis. Mas não seja bobo de terminar a obra. Não termine nunca. Assim o senhor poderá comprar fazendas e viver numa boa.”
Com o perdão da rima, a ideia que se tem é que o dinheiro público não é de ninguém. É de quem meter a mão primeiro. E como são raros os governantes que, como a presidente Dilma, vão atrás dos ladrões, a turma do Ali Babá se farta.
Meu pai contava a história de um político mineiro que enriqueceu à base de propinas. Como tinha apenas dois filhos, confiou boa parcela de seus recursos (ou melhor, nossos) à conta de um genro, meio pobretão. Um dia, o beneficiário decidiu se separar da mulher. O ex-sogro foi atrás: “Cadê meu dinheiro?” O ex-genro fez aquela cara de indignado: “Que dinheiro? Prova que há dinheiro seu comigo.” Ladrão que rouba ladrão… Hoje, o ex-genro mora com a nova mulher num condomínio de alto luxo.
Sou cético quanto à ética dos políticos ou de qualquer outro grupo social, incluídos frades e padres. Acredito, sim, na ética da política, e não na política. Ou seja, criar instituições e mecanismos que coíbam quem se sente tentado a corromper ou ser corrompido; ‘A carne é fraca’, diz o Evangelho. Mas as instituições devem ser suficientemente fortes, as investigações rigorosas e as punições severas. A impunidade faz o bandido. E, no caso de políticos, ela se soma à imunidade. Haja ladroeira!
Daí a urgência da reforma política – tema que anda esquecido – e de profunda reforma do nosso sistema judiciário. Adianta a Polícia Federal prender, se, no dia seguinte, todos voltam à rua ansiosos por destruir provas? E ainda se gasta saliva quanto ao uso de algemas, olvidando os milhões surrupiados… e jamais devolvidos aos cofres públicos.
Ainda que o suspeito fique em liberdade, por que a Justiça não lhe congela os bens e o impede de movimentar contas bancárias? A parte mais sensível do corpo humano é o bolso. Os corruptos sabem muito bem o quanto ele pode ser agraciado ou prejudicado.
As escolas deveriam levar casos de corrupção às salas de aula. Incutir nos alunos a suprema vergonha de fazer uso privado dos bens coletivos. Já que o conceito de pecado deixou de pautar a moral social, urge cultivar a ética como normatizadora do comportamento. Desenvolver em crianças e jovens a autoestima de ser honesto e de preservar o patrimônio público.
Frei Betto é escritor, autor do romance “Minas do Ouro”, que a editora Rocco faz chegar às livrarias esta semana. http://www.freibetto.org – twitter:@freibetto.
Fonte: Correio do Brasil
http://correiodobrasil.com.br/corrupcao-endemia-politica/289408/
Corrupção tem vida?
Luiz Domingos de Luna*
Na fumaça do poder temporal da existência, o tempo se afunila no espaço num carrossel Constante de giros, cada ser, a dar sua voltinha neste palco ilusório, mas com certeza maravilhoso. É impressionante o parque giratório, para uns o todo, para outros, parte do todo e, até os que dizem que este é o visível e que o invisível é mais lindo ainda. Haja teorias, as hipóteses sempre a desafiar a mente humana, Para os humanos é sempre um desafio compreender que a vida está presa e é perecível, pois assim o próprio terá que conviver numa prisão temporária.
Dá um grande prejuízo, quando se prioriza a vida, como vetor básico de estudo, pois se perde muito tempo para definir seres vivos dos seres não vivos, pois começa logo um grande problema “Se a vida gera vida, a vida é um processo continuado, assim vai se buscar a origem da vida na própria vida, que com certeza vão sempre continuar encontrando uma corrente infinitesimal no espaço tempo”.
A definição de vida ligada ao sopro existencial temporal, perecível, portanto, vai de encontro com a paisagem permeada todos. Senão vejamos: O Planeta Terra está vivo ou está morto? Os ecossistemas estão nascendo ou estão morrendo? A seriedade no trato com a coisa publica está viva ou morta, A Lei está viva ou morta? A corrupção está viva ou morta? É neste ponto que se cria um imbróglio generalizado, pois o que deveria está morto está vivo e o que deveria está vivo está morto. A Dualidade do processo interativo no convívio entre os seres humanos fica sempre o espaço da dialética, que vai sujando a história do homo sapiens.
A Corrupção pela sua própria definição é um ser que em tese deveria ser um ser sem vida, um ser morto – um abstração, como pode a corrupção invadir as instituições pessoas e, como um corpo vivo, a dilacerar o tecido sociológico e anestesiar todo o tecido vivo de uma sociedade viva, pois o que na dá para dizer que a sociedade está morta e a corrupção está viva, pois seria negar todo o processo civilizatório existente, bem como negar o conceito do que é vida e do que é morte. Isto seria o fim dos conceitos provados e comprovados pela humanidade à luz da ciência e da razão.
(*) Professor da Escola de Ensino Fundamental e Médio Monsenhor Vicente Bezerra- Aurora - Ceará
Na fumaça do poder temporal da existência, o tempo se afunila no espaço num carrossel Constante de giros, cada ser, a dar sua voltinha neste palco ilusório, mas com certeza maravilhoso. É impressionante o parque giratório, para uns o todo, para outros, parte do todo e, até os que dizem que este é o visível e que o invisível é mais lindo ainda. Haja teorias, as hipóteses sempre a desafiar a mente humana, Para os humanos é sempre um desafio compreender que a vida está presa e é perecível, pois assim o próprio terá que conviver numa prisão temporária.Dá um grande prejuízo, quando se prioriza a vida, como vetor básico de estudo, pois se perde muito tempo para definir seres vivos dos seres não vivos, pois começa logo um grande problema “Se a vida gera vida, a vida é um processo continuado, assim vai se buscar a origem da vida na própria vida, que com certeza vão sempre continuar encontrando uma corrente infinitesimal no espaço tempo”.
A definição de vida ligada ao sopro existencial temporal, perecível, portanto, vai de encontro com a paisagem permeada todos. Senão vejamos: O Planeta Terra está vivo ou está morto? Os ecossistemas estão nascendo ou estão morrendo? A seriedade no trato com a coisa publica está viva ou morta, A Lei está viva ou morta? A corrupção está viva ou morta? É neste ponto que se cria um imbróglio generalizado, pois o que deveria está morto está vivo e o que deveria está vivo está morto. A Dualidade do processo interativo no convívio entre os seres humanos fica sempre o espaço da dialética, que vai sujando a história do homo sapiens.
A Corrupção pela sua própria definição é um ser que em tese deveria ser um ser sem vida, um ser morto – um abstração, como pode a corrupção invadir as instituições pessoas e, como um corpo vivo, a dilacerar o tecido sociológico e anestesiar todo o tecido vivo de uma sociedade viva, pois o que na dá para dizer que a sociedade está morta e a corrupção está viva, pois seria negar todo o processo civilizatório existente, bem como negar o conceito do que é vida e do que é morte. Isto seria o fim dos conceitos provados e comprovados pela humanidade à luz da ciência e da razão.
(*) Professor da Escola de Ensino Fundamental e Médio Monsenhor Vicente Bezerra- Aurora - Ceará
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Campus da UFC em Juazeiro do Norte vai sediar Universidade Federal da Região do Cariri
Campus da UFC em Juazeiro do Norte vai sediar Universidade Federal da Região do Cariri
A Universidade Federal do Cariri deverá ser inaugurada em 2014. Pelo menos R$ 28 milhões já foram assegurados para a criação dos novos campi de Brejo Santo e Icó, que farão parte da instituição, que terá sede em Juazeiro do Norte. A proposta é iniciar o processo de envolvimento do campus da Universidade Federal do Ceará (UFC), campus Cariri, e agilizar a infraestrutura necessária para receber a nova universidade, anunciada pela presidente Dilma Rousseff, em solenidade no Palácio do Planalto, semana passada. Instituições da região e entidades comemoram a chegada da universidade. A aposta é na qualidade do desenvolvimento regional.O reitor da UFC, Jesualdo Farias, se encontra em Brasília, onde terá a primeira reunião, na Secretaria de Educação Superior (Sesu), do Ministério da Educação, após o anúncio de criação, onde serão discutidas as primeiras estratégias e propostas que apontarão os novos rumos a tomar com a criação da universidade. Ele afirma que a partir de agora tem que se pensar numa estrutura para se reduzir o fosso na educação superior do Brasil, onde o Ceará apresenta-se como um dos piores Estados no ranking de disparidade entre as vagas das universidades e da população, que é de 5,7 vagas para cada 10 mil pessoas. Com a terceira universidade federal do Estado, e a criação dos novos campi da UFC em Crateús e Russas, a meta é, pelo menos, aproximar esse número de 10 vagas para 10 mil habitantes, segundo o reitor.
Jesualdo Farias estará à frente da comissão técnica que estará formada com integrantes da sociedade, de conselhos de educação, além de professores da própria UFC - campus Cariri, que também está em processo de estruturação, já que a universidade, que hoje conta com 11 cursos na região, incluindo os Municípios de Barbalha e Crato, e um mestrado, conta com implementações de espaços, a exemplo da biblioteca e laboratórios. De acordo com o reitor, a ideia é chegar em 2014 já com, pelo menos, quatro cursos de mestrado e um de doutorado, na criação da Universidade Federal do Cariri.
O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), de Juazeiro do Norte, Michel Araújo, afirma que a criação de uma universidade para a região sempre foi um pleito da CDL que, inclusive, tem no seu passado essa reivindicação: vir não apenas um campus, mas uma universidade, que na verdade foi o início do que ele avalia como grande conquista para a região. A universidade, segundo o empresário, trará qualificação para sociedade, as empresas, além de favorecer o mercado comercial do próprio Juazeiro do Norte, sede da instituição.
Os representantes do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Juazeiro do Norte comemoram a conquista, inclusive com o já criado curso de Agronomia, com funcionamento no Crato. Segundo um dos diretores da entidade, João Augusto da Silva, é muito importante que haja um trabalho de parceria entre o sindicato e a universidade, abrindo espaço para a inclusão.
Transversalidade
O reitor da UFC afirma que a proposta é promover com a nova universidade, com a transversalidade dos setores, possibilitando um diálogo maior entre os integrantes da própria instituição. Ele afirma que o ensino, a pesquisa e a extensão, deverão caminhar juntos, inclusive destacando iniciativas já premiadas nacionalmente, como é o caso do campus da UFC, no Cariri, que conquistou o Prêmio Santander, reconhecido como uma espécie de "Oscar" da extensão universitária no País, com projeto desenvolvido na região destacando os artesãos da palha, junto com os pesquisadores da universidade.
Para o vice-prefeito de Juazeiro do Norte, José Roberto Celestino, a cidade passa por um bom momento e a chegada da universidade vem coroar esse processo de desenvolvimento, que passa Juazeiro do Norte. Ele destaca a importância da incorporação do campus e toda a abrangência que o ensino superior poderá ter para a região.
Para o reitor, o ponto de partida será incorporar o campus. O encontro com o secretário de Ensino Superior, Luiz Cláusio, do MEC, será para tratar inicialmente desse processo e da comissão. Segundo Jesualdo Farias, a comissão será implantada por meio de uma portaria do ministro da Educação, Fernando Haddad. Na comissão, que será responsável pela implantação da universidade, serão criadas subcomissões. O grupo deverá contar com cerca de 12 integrantes no total.
Universalidade
Com essa incorporação do campus da UFC, diz o reitor, fica mais fácil, porque já há compreensão do espaço de atuação da universidade, com pessoas qualificadas para apresentar propostas de criação de uma universidade moderna, contemporânea, olhando o futuro sem perder a universalidade, com foco nas temáticas regionais.
Sediada em Juazeiro do Norte, a terceira universidade federal instalada no Ceará começará oferecendo cursos de graduação em Administração, Administração Pública, Agronomia, Biblioteconomia, Engenharia Cilvil, Engenharia de Materiais, Filosofia, Música, Jornalismo, Design de Produto e Medicina.
MAIS INFORMAÇÕES
Campus da UFC - Cariri
Av. Tenente Raimundo Rocha, S/N
Cidade Universitária, Juazeiro do Norte
Telefone: (88) 3572.7200
Fonte: Diário do Nordeste
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1030767
ELIZÂNGELA SANTOS
Repórter
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Sem maquiagem: Tese investiga a realidade das mulheres que atuam no Sistema de Vendas Diretas
Vendedoras Natura ficam sem direitos e com riscos financeiros
Ao mesmo tempo em que apresenta a imagem de uma companhia moderna e comprometida com a preservação ambiental, a Natura, maior empresa de cosméticos do Brasil, centraliza o seu sucesso comercial no trabalho de aproximadamente 1 milhão de revendedoras, a maioria delas atuando de maneira informal. Além de não ter qualquer vínculo empregatício ou direito trabalhista, esse exército de pessoas, que equivale à população de Campinas (SP), ainda assume uma série de riscos, entre eles o financeiro, para desenvolver uma atividade que raramente é reconhecida pela sociedade como um trabalho. Estas e outras constatações fazem parte da tese de doutorado apresentada recentemente ao Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp pela socióloga Ludmila Costhek Abílio. Intitulado O Make up do trabalho: uma empresa e um milhão de revendedoras de cosméticos, o estudo foi orientado pela professora Angela Maria Araújo.
A pesquisa de Ludmila faz uma abordagem original ao analisar aspectos relacionados à informalização e precarização do trabalho dentro de um segmento denominado Sistema de Vendas Diretas. A autora da tese explica que escolheu a Natura para desenvolver a investigação por se se tratar de uma empresa brasileira multinacional líder de mercado e de reconhecido sucesso comercial. Atualmente, a marca está presente em sete países da América Latina e também na França. “A relação entre essas consultoras e a empresa constitui um fenômeno social importante. Estamos falando de mais de um milhão de pessoas cujo trabalho, embora sem vínculo formal, contribuí para o êxito da marca e a realização da distribuição dos produtos, inclusive em nível internacional”, explica a socióloga.
Conforme a pesquisadora, a relação dessas mulheres com a Natura é ambígua. Elas são tratadas, a um só tempo, como revendedoras e consumidoras. “Muitas dessas consultoras começam a vender os produtos para poder consumir. Ou seja, parte do que seria o lucro delas é revertido em itens para uso próprio”, afi rma Ludmila. Para a empresa, prossegue ela, o primordial é a relação de venda com as consultoras. O que acontece entre elas e seus clientes não afeta de fato a acumulação da empresa. A Natura determina uma pontuação mínima para os pedidos (que equivalem a aproximadamente R$250), e formaliza a relação com as consultoras via boleto bancário. Novos pedidos só podem ser feitos quando a consultora tiver quitado as faturas anteriores. Para tornar-se uma “representante” da marca, a interessada precisa fazer um cadastro, ser maior de 18 anos e comprovar que está com o nome limpo. “Cumpridas as exigências, ela tem direito de comprar os produtos com 30% de desconto, que equivale a sua comissão pelas vendas”, diz a autora da tese.
Como nem sempre essa revendedora consegue atingir a cota mínima para fechar o pedido, a alternativa quase sempre é vender os produtos para outras pessoas. O passo seguinte é aproveitar as promoções do tipo “compre um perfume e ganhe outro”. Quando se dá conta, ela começa a fazer um estoque em casa, até para ter itens de pronta entrega e não perder vendas. “Esse aspecto é interessante, pois confi gura uma transferência de risco da empresa para a trabalhadora. Durante a minha pesquisa, eu tive a oportunidade de conhecer a fábrica da Natura, que fi ca instalada em um município da Grande São Paulo. O sistema de produção adotado pela companhia é o chamado just in time. Ou seja, ela produz de acordo com a demanda, desobrigando-se, portanto, de manter estoques. Em outras palavras, a companhia não fica com possíveis encalhes, mas as consultoras, sim, arcando com o risco de investir em produtos que não necessariamente serão vendidos”, compara.
A transferência de riscos não para por aí, como destaca Ludmila. É que as vendas da Natura para a rede de consultoras é muito segura. Caso estas não cumpram o compromisso assumido, a empresa pode protestá-las. A pesquisadora apurou que o índice de inadimplência fica próximo de 1%. Ocorre, porém, que as revendedoras não gozam da mesma garantia. “O pedido feito pelas clientes é totalmente informal. Se no momento da entrega a compradora voltar atrás, a consultora ficará com um mico nas mãos. Outra situação comum é a revendedora entregar o item e não receber por ele. Nas entrevistas de campo que fiz, muitas mulheres me contaram que levam recorrentes calotes”, revela a autora da tese. Um aspecto curioso apurado pela pesquisadora refere-se ao diversificado perfil socioeconômico dessas mulheres.
Entrevistas
Ludmila entrevistou desde faxineiras até mulheres de altos executivos, passando por professoras, donas de casa e até uma delegada da Polícia Federal, que vende os cosméticos no prédio da própria corporação, ao longo do expediente. “Entre essas mulheres, algumas vendem para poder consumir, outras para complementar o orçamento doméstico e tem também aquelas que fazem dessa atividade a sua única profi ssão. Algumas vendem muito e alcançam bons ganhos, mas não são maioria. Em 2009, a empresa divulgou que 22% das mulheres faziam dessa a sua ocupação principal”, relata. O estudo desenvolvido em torno do Sistema de Vendas Diretas permitiu à socióloga fazer uma refl exão sobre dois fenômenos muito atuais: a perda da fronteira entre trabalho e consumo e a intensifi cação do trabalho.
No caso das consultoras da Natura, considera Ludmila, esses dois aspectos ficam muito evidentes. Na relação que mantêm com a empresa, reforça a pesquisadora, essas mulheres são consumidoras, porque compram os produtos para uso próprio ou revenda, mas também são trabalhadoras, porque reservam tempo, esforço e estrutura para comercializá-los para terceiros. Ademais, elas normalmente cumprem essa atividade em associação com outras, e as vendas podem envolver tarefas como fazer pedidos, separar itens ou entregar encomendas em horários que seriam originalmente reservados ao descanso ou lazer, como madrugadas e finais de semana. “Quase todo mundo conhece uma revendedora Natura, e provavelmente já viu pessoa oferecendo um catálogo para consulta no clube, no churrasco com os amigos ou até na reunião de Páscoa da família”, elenca.
A extensão do tempo de trabalho e as condições precárias de trabalho, segundo a autora da tese, têm se tornado cada vez mais comuns, não apenas em relação à companhia tomada para estudo. “Estamos cada dia mais proletarizados”, sentencia ela. Em relação especifi camente às consultoras da Natura, há outro fator que concorre para a precarização do trabalho. Toda a atividade é desenvolvida na informalidade. Em outras palavras, as mulheres não tem qualquer vínculo com a empresa, que está respaldada juridicamente na legislação do Sistema de Vendas Diretas. “Esse aspecto é bastante sério. Eu entrevistei uma mulher com cerca de 60 anos, que vende Natura há 30. Ela me contou que, antigamente, seus ganhos eram bons, mas minguaram com o passar do tempo. Muitas de suas clientes também se transformaram em revendedoras, o que reduziu o mercado. Agora ela chegou a um estágio em que não consegue mais se manter com a atividade e também não encontra outra colocação profi ssional”, relata Ludmila.
Apesar de dedicarem muito do seu tempo à venda dos cosméticos e de enfrentarem uma série de difi culdades, continua a socióloga, essas mulheres dificilmente são vistas como trabalhadoras pela sociedade. Com frequência, a atividade é considerada como algo lúdico ou, no máximo, como um bico. “Para mim, porém, está muito claro que essas mulheres são trabalhadoras, sim. Tanto é assim, que a atividade exercida por elas assume um caráter central no sucesso da Natura. Ao observar a linha de produção da fábrica, eu pude verificar que os produtos correm por uma esteira e são automaticamente embalados em caixas etiquetadas, que serão entregues, via Correios ou transportadoras, nas casas das consultoras, em todos os rincões do país. Segundo a empresa, são despachadas cerca de 40 mil encomendas por dia. São essas revendedoras que substituem as lojas físicas e os funcionários contratados que atuariam nos pontos de venda. Isso sem contar o marketing gratuito que esse exército de pessoas faz para a empresa, por meio da divulgação boca a boca, porta a porta”, pondera.
Ludmila diz que tentou entender como o fato de a Natura contar com a força de trabalho de 1 milhão de informais não abala a imagem da empresa. “Estamos falando da Natura, mas não há nada especificamente contra a empresa. Ela é apenas um exemplo do que ocorre na atualidade. A conclusão a que cheguei é que a exploração do trabalho não está mais em discussão. A questão foi naturalizada. A sociedade despolitizou o tema, e é possível entender historicamente isso. A ameaça do desemprego acabou por legitimar a exploração do trabalho. As injustiças em torno do trabalho já não merecem reflexão. O medo de ficar fora do jogo desmobilizou as categoriais profissionais. O que importa é estar trabalhando, segundo esse entendimento. Entretanto, se queremos fazer uma análise crítica em relação a esse estado de coisas, temos que colocar tudo isso em debate”, defende a pesquisadora, que contou com bolsas de estudos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
................................................
■ Publicações
ABILIO, L. C. Indiscernibilidade do trabalho e acumulação capitalista: o estudo de caso de 700 mil revendedoras de cosméticos In: X Congresso Luso-Afro-Brasileiro, 2009, Braga. v.02. p.485 – 497. Disponível em
http://www.xconglab.ics.uminho.pt/ fi cheiro/Volume02.pdf
ABILIO, L.C. O make up do trabalho: Estudo do ‘caso’ de 800 mil revendedoras de cosméticos. 34ª encontro da ANPOCS. Disponível em http://anpocs.org.br/portal/index.php?option=com- wrapper&Itemid=90 (st 35)
ABILIO, L. C. Informalidade e acumulação capitalista: a centralidade do trabalho de um milhão de revendedoras de cosméticos In: ARAUJO, A.C & VERAS, R. Formas de trabalho no capitalismo atual: condição precária e possibilidades de reinvenção. São Paulo : Annablume (no prelo), 2011 Tese: “O make up do trabalho: uma empresa e um milhão de revendedoras de cosméticos”
Autora: Ludmila Costhek Abílio
Orientadora: Angela Maria Araújo.
Unidade: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH)
Fonte: Jornal da Unicamp, Nº 501
http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/agosto2011/ju501_pag9.php
Ao mesmo tempo em que apresenta a imagem de uma companhia moderna e comprometida com a preservação ambiental, a Natura, maior empresa de cosméticos do Brasil, centraliza o seu sucesso comercial no trabalho de aproximadamente 1 milhão de revendedoras, a maioria delas atuando de maneira informal. Além de não ter qualquer vínculo empregatício ou direito trabalhista, esse exército de pessoas, que equivale à população de Campinas (SP), ainda assume uma série de riscos, entre eles o financeiro, para desenvolver uma atividade que raramente é reconhecida pela sociedade como um trabalho. Estas e outras constatações fazem parte da tese de doutorado apresentada recentemente ao Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp pela socióloga Ludmila Costhek Abílio. Intitulado O Make up do trabalho: uma empresa e um milhão de revendedoras de cosméticos, o estudo foi orientado pela professora Angela Maria Araújo.
A pesquisa de Ludmila faz uma abordagem original ao analisar aspectos relacionados à informalização e precarização do trabalho dentro de um segmento denominado Sistema de Vendas Diretas. A autora da tese explica que escolheu a Natura para desenvolver a investigação por se se tratar de uma empresa brasileira multinacional líder de mercado e de reconhecido sucesso comercial. Atualmente, a marca está presente em sete países da América Latina e também na França. “A relação entre essas consultoras e a empresa constitui um fenômeno social importante. Estamos falando de mais de um milhão de pessoas cujo trabalho, embora sem vínculo formal, contribuí para o êxito da marca e a realização da distribuição dos produtos, inclusive em nível internacional”, explica a socióloga.Conforme a pesquisadora, a relação dessas mulheres com a Natura é ambígua. Elas são tratadas, a um só tempo, como revendedoras e consumidoras. “Muitas dessas consultoras começam a vender os produtos para poder consumir. Ou seja, parte do que seria o lucro delas é revertido em itens para uso próprio”, afi rma Ludmila. Para a empresa, prossegue ela, o primordial é a relação de venda com as consultoras. O que acontece entre elas e seus clientes não afeta de fato a acumulação da empresa. A Natura determina uma pontuação mínima para os pedidos (que equivalem a aproximadamente R$250), e formaliza a relação com as consultoras via boleto bancário. Novos pedidos só podem ser feitos quando a consultora tiver quitado as faturas anteriores. Para tornar-se uma “representante” da marca, a interessada precisa fazer um cadastro, ser maior de 18 anos e comprovar que está com o nome limpo. “Cumpridas as exigências, ela tem direito de comprar os produtos com 30% de desconto, que equivale a sua comissão pelas vendas”, diz a autora da tese.
Como nem sempre essa revendedora consegue atingir a cota mínima para fechar o pedido, a alternativa quase sempre é vender os produtos para outras pessoas. O passo seguinte é aproveitar as promoções do tipo “compre um perfume e ganhe outro”. Quando se dá conta, ela começa a fazer um estoque em casa, até para ter itens de pronta entrega e não perder vendas. “Esse aspecto é interessante, pois confi gura uma transferência de risco da empresa para a trabalhadora. Durante a minha pesquisa, eu tive a oportunidade de conhecer a fábrica da Natura, que fi ca instalada em um município da Grande São Paulo. O sistema de produção adotado pela companhia é o chamado just in time. Ou seja, ela produz de acordo com a demanda, desobrigando-se, portanto, de manter estoques. Em outras palavras, a companhia não fica com possíveis encalhes, mas as consultoras, sim, arcando com o risco de investir em produtos que não necessariamente serão vendidos”, compara.
A transferência de riscos não para por aí, como destaca Ludmila. É que as vendas da Natura para a rede de consultoras é muito segura. Caso estas não cumpram o compromisso assumido, a empresa pode protestá-las. A pesquisadora apurou que o índice de inadimplência fica próximo de 1%. Ocorre, porém, que as revendedoras não gozam da mesma garantia. “O pedido feito pelas clientes é totalmente informal. Se no momento da entrega a compradora voltar atrás, a consultora ficará com um mico nas mãos. Outra situação comum é a revendedora entregar o item e não receber por ele. Nas entrevistas de campo que fiz, muitas mulheres me contaram que levam recorrentes calotes”, revela a autora da tese. Um aspecto curioso apurado pela pesquisadora refere-se ao diversificado perfil socioeconômico dessas mulheres.
Entrevistas
Ludmila entrevistou desde faxineiras até mulheres de altos executivos, passando por professoras, donas de casa e até uma delegada da Polícia Federal, que vende os cosméticos no prédio da própria corporação, ao longo do expediente. “Entre essas mulheres, algumas vendem para poder consumir, outras para complementar o orçamento doméstico e tem também aquelas que fazem dessa atividade a sua única profi ssão. Algumas vendem muito e alcançam bons ganhos, mas não são maioria. Em 2009, a empresa divulgou que 22% das mulheres faziam dessa a sua ocupação principal”, relata. O estudo desenvolvido em torno do Sistema de Vendas Diretas permitiu à socióloga fazer uma refl exão sobre dois fenômenos muito atuais: a perda da fronteira entre trabalho e consumo e a intensifi cação do trabalho.
No caso das consultoras da Natura, considera Ludmila, esses dois aspectos ficam muito evidentes. Na relação que mantêm com a empresa, reforça a pesquisadora, essas mulheres são consumidoras, porque compram os produtos para uso próprio ou revenda, mas também são trabalhadoras, porque reservam tempo, esforço e estrutura para comercializá-los para terceiros. Ademais, elas normalmente cumprem essa atividade em associação com outras, e as vendas podem envolver tarefas como fazer pedidos, separar itens ou entregar encomendas em horários que seriam originalmente reservados ao descanso ou lazer, como madrugadas e finais de semana. “Quase todo mundo conhece uma revendedora Natura, e provavelmente já viu pessoa oferecendo um catálogo para consulta no clube, no churrasco com os amigos ou até na reunião de Páscoa da família”, elenca.
A extensão do tempo de trabalho e as condições precárias de trabalho, segundo a autora da tese, têm se tornado cada vez mais comuns, não apenas em relação à companhia tomada para estudo. “Estamos cada dia mais proletarizados”, sentencia ela. Em relação especifi camente às consultoras da Natura, há outro fator que concorre para a precarização do trabalho. Toda a atividade é desenvolvida na informalidade. Em outras palavras, as mulheres não tem qualquer vínculo com a empresa, que está respaldada juridicamente na legislação do Sistema de Vendas Diretas. “Esse aspecto é bastante sério. Eu entrevistei uma mulher com cerca de 60 anos, que vende Natura há 30. Ela me contou que, antigamente, seus ganhos eram bons, mas minguaram com o passar do tempo. Muitas de suas clientes também se transformaram em revendedoras, o que reduziu o mercado. Agora ela chegou a um estágio em que não consegue mais se manter com a atividade e também não encontra outra colocação profi ssional”, relata Ludmila.
Apesar de dedicarem muito do seu tempo à venda dos cosméticos e de enfrentarem uma série de difi culdades, continua a socióloga, essas mulheres dificilmente são vistas como trabalhadoras pela sociedade. Com frequência, a atividade é considerada como algo lúdico ou, no máximo, como um bico. “Para mim, porém, está muito claro que essas mulheres são trabalhadoras, sim. Tanto é assim, que a atividade exercida por elas assume um caráter central no sucesso da Natura. Ao observar a linha de produção da fábrica, eu pude verificar que os produtos correm por uma esteira e são automaticamente embalados em caixas etiquetadas, que serão entregues, via Correios ou transportadoras, nas casas das consultoras, em todos os rincões do país. Segundo a empresa, são despachadas cerca de 40 mil encomendas por dia. São essas revendedoras que substituem as lojas físicas e os funcionários contratados que atuariam nos pontos de venda. Isso sem contar o marketing gratuito que esse exército de pessoas faz para a empresa, por meio da divulgação boca a boca, porta a porta”, pondera.
Ludmila diz que tentou entender como o fato de a Natura contar com a força de trabalho de 1 milhão de informais não abala a imagem da empresa. “Estamos falando da Natura, mas não há nada especificamente contra a empresa. Ela é apenas um exemplo do que ocorre na atualidade. A conclusão a que cheguei é que a exploração do trabalho não está mais em discussão. A questão foi naturalizada. A sociedade despolitizou o tema, e é possível entender historicamente isso. A ameaça do desemprego acabou por legitimar a exploração do trabalho. As injustiças em torno do trabalho já não merecem reflexão. O medo de ficar fora do jogo desmobilizou as categoriais profissionais. O que importa é estar trabalhando, segundo esse entendimento. Entretanto, se queremos fazer uma análise crítica em relação a esse estado de coisas, temos que colocar tudo isso em debate”, defende a pesquisadora, que contou com bolsas de estudos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
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■ Publicações
ABILIO, L. C. Indiscernibilidade do trabalho e acumulação capitalista: o estudo de caso de 700 mil revendedoras de cosméticos In: X Congresso Luso-Afro-Brasileiro, 2009, Braga. v.02. p.485 – 497. Disponível em
http://www.xconglab.ics.uminho.pt/ fi cheiro/Volume02.pdf
ABILIO, L.C. O make up do trabalho: Estudo do ‘caso’ de 800 mil revendedoras de cosméticos. 34ª encontro da ANPOCS. Disponível em http://anpocs.org.br/portal/index.php?option=com- wrapper&Itemid=90 (st 35)
ABILIO, L. C. Informalidade e acumulação capitalista: a centralidade do trabalho de um milhão de revendedoras de cosméticos In: ARAUJO, A.C & VERAS, R. Formas de trabalho no capitalismo atual: condição precária e possibilidades de reinvenção. São Paulo : Annablume (no prelo), 2011 Tese: “O make up do trabalho: uma empresa e um milhão de revendedoras de cosméticos”
Autora: Ludmila Costhek Abílio
Orientadora: Angela Maria Araújo.
Unidade: Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH)
Fonte: Jornal da Unicamp, Nº 501
http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/agosto2011/ju501_pag9.php
domingo, 21 de agosto de 2011
Greve dos Professores do Estado do Ceará
GREVE GERAL Interior e Capital
Este vídeo mostrar a greve dos professores do Estado do Ceará, em especial os movimentos realizados pelos professores do Cariri.
Este vídeo mostrar a greve dos professores do Estado do Ceará, em especial os movimentos realizados pelos professores do Cariri.
Cid Gomes critica professores grevistas
"Quem quer dar aula faz isso por gosto e não pelo salário. Se quer ganhar melhor, pede demissão e vai para o ensino privado. Eles pagam mais? Não. O corporativismo é uma praga"
Cid Gomes, governador do Ceará, ao participar de um seminário em Natal sobre Educação e aproveitar para criticar os professores da rede pública de ensino que entram em greve.
Neste sentido perguntamos se o Governador governa por gosto? Se for o caso, que ele renuncie o seu salário de governador. Que ele peça demissão e vá trabalhar no Beach Park do seu amigo e escudeiro Arialdo Pinho, quem sabe ele pague mais.
Pois, nós professores/as temos sim muito amor e gosto por nossa profissão, mesmo ela não sendo valorizada pelo governo. Infelizmente em nosso Estado o dinheiro que poderia ser utilizado para pagar o piso dos professores vai descarga a dentro nas privadas da corrupção desse governo, que aí sim, é uma verdadeira PRAGA
Atenciosamente,
André Sabino
Secretário de Cultura do Sindicato APEOC
www.apeoc.org.br
Cid Gomes, governador do Ceará, ao participar de um seminário em Natal sobre Educação e aproveitar para criticar os professores da rede pública de ensino que entram em greve.
Neste sentido perguntamos se o Governador governa por gosto? Se for o caso, que ele renuncie o seu salário de governador. Que ele peça demissão e vá trabalhar no Beach Park do seu amigo e escudeiro Arialdo Pinho, quem sabe ele pague mais.
Pois, nós professores/as temos sim muito amor e gosto por nossa profissão, mesmo ela não sendo valorizada pelo governo. Infelizmente em nosso Estado o dinheiro que poderia ser utilizado para pagar o piso dos professores vai descarga a dentro nas privadas da corrupção desse governo, que aí sim, é uma verdadeira PRAGA
Atenciosamente,
André Sabino
Secretário de Cultura do Sindicato APEOC
www.apeoc.org.br
Especial Carta Maior: O Terrorismo dos mercados e a economia real
A crise econômica internacional provocada pela desregulação enlouquecida dos mercados financeiros tem, como um de seus efeitos colaterais, a proliferação de uma gramática do terrorismo destinada a assustar as pessoas e a justificar obscuras operações de resgate e movimentos especulativos. “Medo”, “pânico”, “catástrofe”, “pavor” são algumas das palavras lançadas diariamente na e pela mídia, sem que se explique direito qual é mesmo a relação entre o caos no mercado financeiro e a economia real. A Carta Maior preparou um caderno especial para este fim de semana, que pretende lançar um pouco de luz sobre essa estratégia de vender o medo à população como forma de justificar lucros milionários para alguns especuladores. Quem paga essa conta? E o que o Brasil está fazendo diante desse quadro?
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Dilma anuncia criação da Universidade Federal da Região do Cariri
Dilma anuncia criação da Universidade Federal da Região do Cariri
A presidenta da República, Dilma Rousseff, anuncia nesta terça-feira, 16, a criação de quatro universidades federais, a abertura de 47 câmpus universitários e 208 unidades dos institutos federais de educação, ciência e tecnologia, espalhados em todo o país.
Até 2012, serão implementados 20 câmpus universitários em oito estados e 88 unidades de institutos federais em 25 estados. Além disso, prefeitos assinarão termos de compromisso para a construção de 120 unidades de institutos federais em municípios dos 26 estados e no Distrito Federal. Pelas previsões, que todas as unidades estarão em funcionamento nos próximos três anos.
Universidades – As novas universidades federais serão instaladas no Pará, na Bahia e no Ceará. A Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) terá sede na cidade de Marabá, onde hoje funciona o câmpus Marabá da Universidade Federal do Pará (UFPA). A Universidade Federal da Região do Cariri (UFRC), no Ceará, terá sede em Juazeiro do Norte. Ela será instalada na atual estrutura do câmpus Cariri, que pertence à Universidade Federal do Ceará (UFCE).
A Bahia ganha duas instituições. A Universidade Federal do Oeste da Bahia (Ufoba) com sede em Barreiras, onde atualmente funciona o câmpus Barreiras da Universidade Federal da Bahia (UFBA); e a Universidade Federal do Sul da Bahia (Ufesba), que terá sede em Itabuna.
A Universidade Federal do Ceará transfere três de seus câmpus para a Universidade Federal da Região do Cariri – câmpus Cariri (na cidade de Juazeiro do Norte), Barbalha e Crato; a Universidade Federal do Pará passa à Unifesspa o câmpus Marabá; e a Universidade Federal da Bahia transfere o câmpus Barreiras à Ufoba. No conjunto, as quatro novas universidades federais terão 17 câmpus, dos quais 12 serão criados (Tabela 1).
Outras 12 universidades federais, de 11 estados, ganharão 15 câmpus. No Pará, a UFPA ganha um câmpus; na Bahia, a UFBA e a UFRB, um câmpus cada uma; no Ceará, a UFCE (2); em Pernambuco, a UFRPE (1); em Goiás, a UFG (2); no Maranhão, a UFMA (1); no Mato Grosso, a UFMT (1); em Minas Gerais, a UFVJM (2); em São Paulo, a Unifesp (1); em Santa Catarina, a UFSC (1); no Rio Grande do Sul, a UFSM (1). (Tabela 2)
2011-2012 – Até o fim de 2012, o governo federal deve concluir a implantação de 20 unidades, distribuídas entre 12 universidades federais localizadas nas regiões Norte, Nordeste, Sul e Sudeste. Essa ação atenderá 20 municípios de oito estados. Entre as instituições com maior número de unidades, se destacam a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), que se expande para sete municípios, e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) que amplia sua presença nas cidades de Mauá, Osasco, Buri e na Zona Leste da capital. (Tabela 3)
Institutos federais – Prefeitos de 120 municípios assinam nesta terça-feira, 16, o compromisso com o governo federal de oferecer terrenos para a instalação de unidades de educação profissional em suas cidades. A concretização das novas escolas deve acontecer em 2013-2014. As 27 unidades da Federação estão contempladas: Acre (um município), Alagoas (4), Amapá (2), Amazonas (4), Bahia (9), Ceará (6), Distrito Federal (uma cidade), Espírito Santo (2), Goiás (5), Maranhão (8), Mato Grosso (3), Mato Grosso do Sul (3), Minas Gerais (6), Pará (5), Paraíba (6), Paraná (6), Pernambuco (9), Piauí (4), Rio de Janeiro (7), Rio Grande do Norte (3), Rio Grande do Sul (7), Rondônia (1), Roraima (1), Santa Catarina (3), São Paulo (8), Sergipe (4) e Tocantins (2).
Fonte: Mec
A presidenta da República, Dilma Rousseff, anuncia nesta terça-feira, 16, a criação de quatro universidades federais, a abertura de 47 câmpus universitários e 208 unidades dos institutos federais de educação, ciência e tecnologia, espalhados em todo o país.
Até 2012, serão implementados 20 câmpus universitários em oito estados e 88 unidades de institutos federais em 25 estados. Além disso, prefeitos assinarão termos de compromisso para a construção de 120 unidades de institutos federais em municípios dos 26 estados e no Distrito Federal. Pelas previsões, que todas as unidades estarão em funcionamento nos próximos três anos.
Universidades – As novas universidades federais serão instaladas no Pará, na Bahia e no Ceará. A Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) terá sede na cidade de Marabá, onde hoje funciona o câmpus Marabá da Universidade Federal do Pará (UFPA). A Universidade Federal da Região do Cariri (UFRC), no Ceará, terá sede em Juazeiro do Norte. Ela será instalada na atual estrutura do câmpus Cariri, que pertence à Universidade Federal do Ceará (UFCE).
A Bahia ganha duas instituições. A Universidade Federal do Oeste da Bahia (Ufoba) com sede em Barreiras, onde atualmente funciona o câmpus Barreiras da Universidade Federal da Bahia (UFBA); e a Universidade Federal do Sul da Bahia (Ufesba), que terá sede em Itabuna.
A Universidade Federal do Ceará transfere três de seus câmpus para a Universidade Federal da Região do Cariri – câmpus Cariri (na cidade de Juazeiro do Norte), Barbalha e Crato; a Universidade Federal do Pará passa à Unifesspa o câmpus Marabá; e a Universidade Federal da Bahia transfere o câmpus Barreiras à Ufoba. No conjunto, as quatro novas universidades federais terão 17 câmpus, dos quais 12 serão criados (Tabela 1).
Outras 12 universidades federais, de 11 estados, ganharão 15 câmpus. No Pará, a UFPA ganha um câmpus; na Bahia, a UFBA e a UFRB, um câmpus cada uma; no Ceará, a UFCE (2); em Pernambuco, a UFRPE (1); em Goiás, a UFG (2); no Maranhão, a UFMA (1); no Mato Grosso, a UFMT (1); em Minas Gerais, a UFVJM (2); em São Paulo, a Unifesp (1); em Santa Catarina, a UFSC (1); no Rio Grande do Sul, a UFSM (1). (Tabela 2)
2011-2012 – Até o fim de 2012, o governo federal deve concluir a implantação de 20 unidades, distribuídas entre 12 universidades federais localizadas nas regiões Norte, Nordeste, Sul e Sudeste. Essa ação atenderá 20 municípios de oito estados. Entre as instituições com maior número de unidades, se destacam a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), que se expande para sete municípios, e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) que amplia sua presença nas cidades de Mauá, Osasco, Buri e na Zona Leste da capital. (Tabela 3)
Institutos federais – Prefeitos de 120 municípios assinam nesta terça-feira, 16, o compromisso com o governo federal de oferecer terrenos para a instalação de unidades de educação profissional em suas cidades. A concretização das novas escolas deve acontecer em 2013-2014. As 27 unidades da Federação estão contempladas: Acre (um município), Alagoas (4), Amapá (2), Amazonas (4), Bahia (9), Ceará (6), Distrito Federal (uma cidade), Espírito Santo (2), Goiás (5), Maranhão (8), Mato Grosso (3), Mato Grosso do Sul (3), Minas Gerais (6), Pará (5), Paraíba (6), Paraná (6), Pernambuco (9), Piauí (4), Rio de Janeiro (7), Rio Grande do Norte (3), Rio Grande do Sul (7), Rondônia (1), Roraima (1), Santa Catarina (3), São Paulo (8), Sergipe (4) e Tocantins (2).
Fonte: Mec
sábado, 6 de agosto de 2011
Especial Carta Maior: IMPÉRIO EM DECLÍNIO
“Para aqueles que conhecem a história da década de 1930, o que está ocorrendo agora é muito familiar. Se alguma das atuais negociações sobre a dívida fracassar, poderemos estar perto de reviver 1931, a bancarrota bancária mundial que alimentou a Grande Depressão. Mas se as negociações tiverem êxito, estaremos prontos para repetir o grande erro de 1937: a volta prematura à contração fiscal que terminou com a recuperação econômica e garantiu que a depressão se prolongasse até que a II Guerra Mundial finalmente proporcionasse o "impulso" que a economia precisava”. A avaliação de Paul Krugman, professor de Economia na Universidade de Princeton (EUA) e Prêmio Nobel de Economia 2008, refere-se à atual situação da economia norte-americana que, segundo ele e outros analistas, pode ser qualificada de “dramática”, sem nenhum exagero.
E, em se tratando da economia da principal potência do planeta, o qualificativo “dramático” estende-se para a totalidade do mundo. A situação é tão mais grave na medida em que a União Europeia, outra potência econômica mundial, também atravessa uma seríssima crise com vários de seus membros encontrando-se à beira da insolvência ou já dentro dela. Uma crise simultânea nos Estados Unidos e na Europa era algo que não se via há muito tempo, se é que já ocorreu alguma vez nas dimensões atuais.
As consequências sociais dessa crise já são sentidas por milhões de pessoas. Segundo os dados mais recentes, nos Estados Unidos, cerca de 20 milhões de pessoas estão em situação de desemprego total ou parcial. As consequências políticas dessa crise econômica também já são sentidas na Europa e nos Estados Unidos, particularmente o crescimento da xenofobia e do racismo e da intolerância.
A Carta Maior preparou um novo especial para refletir sobre esses acontecimentos que vêm atingindo o coração da principal potência do planeta, os Estados Unidos da América. Cenas que até bem pouco eram memória de cinema dos anos da Grande Depressão agora começam a aparecer nas ruas de diversas cidades dos EUA. É um sistema inteiro que está balançando e ameaçando ruir. O fato dessa crise vir se arrastando desde 2008 reforça o seu caráter sistêmico e um elevado grau de incerteza sobre os rumos da economia mundial.
Liminar exige que grevistas mantenham 50% em atividade nas universidades federais
Liminar exige que grevistas mantenham 50% em atividade nas universidades federais
O ministro Arnaldo Esteves Lima, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), determinou nesta sexta-feira (5) que sejam mantidos em atividade pelo menos 50% dos servidores técnico-administrativos das universidades federais, sob pena de multa diária de R$ 50 mil contra a Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Públicas Brasileiras (Fasubra) e as entidades filiadas que comandam a greve nacional da categoria. A decisão foi dada em liminar na ação de dissídio de greve e atende, parcialmente, ao pedido formulado pelas universidades.
Na ação, as instituições de ensino pleiteavam que a greve fosse declarada ilegal e abusiva e que a multa aplicada fosse de R$ 100 mil para cada entidade sindical. A liminar determina o trabalho de, no mínimo, a metade da equipe técnico-administrativa em cada localidade, excluídos do cálculo os ocupantes de cargos e funções de confiança, até que seja julgado o mérito da demanda. A multa, em caso de descumprimento da ordem judicial, será aplicada à federação e a cada um dos sindicatos envolvidos no movimento grevista.
Segundo o ministro, “mostra-se claro que a paralisação das atividades dos servidores das Instituições Federais de Ensino, sem o contingenciamento do mínimo de pessoal necessário à realização das atividades essenciais, atenta contra o Estado Democrático de Direito, a ordem pública e os princípios da legalidade, da continuidade dos serviços públicos e da supremacia do interesse público sobre o privado”.
“É manifesto o perigo na demora, tendo em vista, por exemplo, a necessidade de manutenção das atividades administrativas de encerramento do primeiro semestre letivo das universidades federais, inclusive com possível colação de grau de diversos alunos que concluíram seus respectivos cursos, bem como do início do próximo período acadêmico, referente ao segundo semestre do corrente ano”, acrescentou Arnaldo Esteves Lima.
De acordo com o ministro, a continuação da greve sem o contingenciamento prejudicaria “uma infinidade de estudantes por todo o país, que fatalmente teriam suas atividades discentes atingidas, com previsíveis danos, ante o movimento grevista para o qual em nada concorreram”.
Em sua decisão, Esteves Lima lembrou que a competência do STJ para decidir ações sobre o direito de greve de servidores públicos civis, quando a paralisação for de âmbito nacional ou abranger mais de um estado, foi fixada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Foi também o STF que entendeu que, enquanto não for editada a regulamentação específica para o exercício da greve no serviço público, deverá ser aplicada, no que couber, a Lei 7.783/89, “que disciplina o exercício do direito de greve, define as atividades essenciais e regula o atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade”.
“De fato”, observou o ministro, “o direito de greve dos servidores públicos deve ser assegurado, porém não de forma irrestrita, haja vista a necessidade de ser harmonizado com os princípios da supremacia do interesse público e da continuidade dos serviços essenciais, para que as necessidades da coletividade sejam efetivamente garantidas, como é o caso das atividades exercidas pelas Instituições Federais de Ensino”.
Link para acompanhar o processo no stj: http://www.stj.jus.br/webstj/processo/justica/detalhe.asp?numreg=201101726985
Link da notícia no site do STJ: http://www.stj.jus.br/portal_stj/publicacao/engine.wsp?tmp.area=398&tmp.texto=102770
O ministro Arnaldo Esteves Lima, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), determinou nesta sexta-feira (5) que sejam mantidos em atividade pelo menos 50% dos servidores técnico-administrativos das universidades federais, sob pena de multa diária de R$ 50 mil contra a Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Públicas Brasileiras (Fasubra) e as entidades filiadas que comandam a greve nacional da categoria. A decisão foi dada em liminar na ação de dissídio de greve e atende, parcialmente, ao pedido formulado pelas universidades. Na ação, as instituições de ensino pleiteavam que a greve fosse declarada ilegal e abusiva e que a multa aplicada fosse de R$ 100 mil para cada entidade sindical. A liminar determina o trabalho de, no mínimo, a metade da equipe técnico-administrativa em cada localidade, excluídos do cálculo os ocupantes de cargos e funções de confiança, até que seja julgado o mérito da demanda. A multa, em caso de descumprimento da ordem judicial, será aplicada à federação e a cada um dos sindicatos envolvidos no movimento grevista.
Segundo o ministro, “mostra-se claro que a paralisação das atividades dos servidores das Instituições Federais de Ensino, sem o contingenciamento do mínimo de pessoal necessário à realização das atividades essenciais, atenta contra o Estado Democrático de Direito, a ordem pública e os princípios da legalidade, da continuidade dos serviços públicos e da supremacia do interesse público sobre o privado”.
“É manifesto o perigo na demora, tendo em vista, por exemplo, a necessidade de manutenção das atividades administrativas de encerramento do primeiro semestre letivo das universidades federais, inclusive com possível colação de grau de diversos alunos que concluíram seus respectivos cursos, bem como do início do próximo período acadêmico, referente ao segundo semestre do corrente ano”, acrescentou Arnaldo Esteves Lima.
De acordo com o ministro, a continuação da greve sem o contingenciamento prejudicaria “uma infinidade de estudantes por todo o país, que fatalmente teriam suas atividades discentes atingidas, com previsíveis danos, ante o movimento grevista para o qual em nada concorreram”.
Em sua decisão, Esteves Lima lembrou que a competência do STJ para decidir ações sobre o direito de greve de servidores públicos civis, quando a paralisação for de âmbito nacional ou abranger mais de um estado, foi fixada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Foi também o STF que entendeu que, enquanto não for editada a regulamentação específica para o exercício da greve no serviço público, deverá ser aplicada, no que couber, a Lei 7.783/89, “que disciplina o exercício do direito de greve, define as atividades essenciais e regula o atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade”.
“De fato”, observou o ministro, “o direito de greve dos servidores públicos deve ser assegurado, porém não de forma irrestrita, haja vista a necessidade de ser harmonizado com os princípios da supremacia do interesse público e da continuidade dos serviços essenciais, para que as necessidades da coletividade sejam efetivamente garantidas, como é o caso das atividades exercidas pelas Instituições Federais de Ensino”.
Link para acompanhar o processo no stj: http://www.stj.jus.br/webstj/processo/justica/detalhe.asp?numreg=201101726985
Link da notícia no site do STJ: http://www.stj.jus.br/portal_stj/publicacao/engine.wsp?tmp.area=398&tmp.texto=102770
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