segunda-feira, 7 de junho de 2010

Espiritualidade de Prosperidade

Por J. B. Libanio *

Os sistemas políticos e econômicos não vivem só de ideologia e dinheiro. Política e economia satisfazem as necessidades básicas do ser humano. Mas deixam em descoberto seu lado espiritual, religioso. Por isso, todo sistema econômico cria sua espiritualidade ou encampa algo já existente, imprimindo-lhe sua marca.

Os ideais socialistas casavam muito bem com a teologia da libertação, assim como com a luta das comunidades eclesiais de base nas suas reivindicações fundamentais. Sem transformar-se em ideologia socialista, a espiritualidade da libertação alimentava e alimenta até hoje as pessoas que se envolvem com as práticas transformadoras da realidade na linha da emancipação e promoção dos pobres.

E agora, que espiritualidade está a responder ao triunfo do neoliberalismo? Onde ele busca apoio espiritual para preencher o vazio que o puro consumismo e o materialismo deixam atrás de si?

Muitas igrejas pentecostais e neopentecostais têm elaborado a espiritualidade da prosperidade e com isso mantido as pessoas nas redes do neoliberalismo, respaldadas por uma visão religiosa da realidade. Em que consiste tal espiritualidade?

Na base está o individualismo neoliberal com sua concepção de concorrência e competição de modo que vencem os mais fortes, os mais sabidos, os mais "vivos". Daí resulta o progresso. Pior para quem fica fora dele. Dito desta maneira rude poderia doer aos ouvidos cristãos. Aí entra uma pitada de espiritualidade que tudo tempera.

Deus quer a felicidade, a riqueza, os bens materiais, a felicidade, a saúde, aqui e agora, para seus filhos. Quem são eles se não os cristãos? Pensar de maneira diferente é cair na alienação tradicional. Esta prometia os bens somente para a vida eterna que se obtinha com os sofrimentos aqui na terra.

Cristo já sofreu no nosso lugar. Agora vem-nos a bênção de Deus. Somos "filhos do Rei". Se vamos para o céu, por que não antecipar um pouco dele nesta vida?

E os pobres? Sempre os haverá entre nós, como diz o Senhor. Eles são os perdidos. São preguiçosos, viciados, idólatras. Se vão mesmo para o inferno, por que não ensaiar um pouco aqui na terra? "O Terceiro Mundo é pobre porque idólatra", pregava Luiz Palau, evangelista argentino, americano naturalizado. Dois irmãos nordestinos sentenciavam, em São Paulo, que a culpa da pobreza do Nordeste é a devoção idólatra ao Padre Cícero.

Se os cristãos não ficarem ricos, isto é falta de fé. Vem de algum pecado oculto. Confessando-os, conhecerão a prosperidade. Mas se mesmo assim, não ficarem ricos, então a culpa é de algum antepassado.

Nessa espiritualidade, não há lugar para a solidariedade nem para a opção pelos pobres. É estritamente individualista. É uma espiritualidade dos resultados. Os ricos já estão abençoados. Encontram nela paz interior, uma vez que já possuem os bens materiais. Os pobres devem buscá-la para si e seus familiares, recorrendo a ritos religiosos, como o de abençoar ou ungir de óleo santo as carteiras profissionais.

Para a Igreja Universal do Reino de Deus a vida espiritual é uma transação financeira com o céu. Quanto maior a oferta, tanto maior a bênção. A espiritualidade da prosperidade é o coração dessa Igreja. Ela incentiva mais que ter carteira assinada é a criação de microempresas. Um bispo seu, trafegando em luxuoso carro do ano, dizia: "Eu ensino a prosperidade e vivo a prosperidade".

Apela-se então para um "poder" nas palavras o qual libera "energias positivas" e combate o baixo astral com efeito sobre as coisas, doenças. A realização dessa espiritualidade é "vida longa e próspera".

Outra expressão é a idéia de que Deus não fez seu povo para ser "cauda" do mundo, mas sua "cabeça". Incentivam-se os cristãos a ambicionar postos de mando na Terra. Aos "perdidos" cabe impor obediência e evitar que façam males maiores.

A participação na política não visa a uma transformação social, mas a travar a luta do bem contra o mal, sem lugar para o pluralismo. O bem se identifica com os ideais e interesses da própria igreja e de seus dirigentes. Volta-se à velha idéia da batalha espiritual que transforma em inimigo tudo com o que essa espiritualidade não concorda. Divide o mundo em dois campos: o lado de Deus (o lado da igreja) e o lado do mal, do demônio: todas as forças que divergem de sua maneira de ver a realidade.

A espiritualidade da prosperidade é uma resposta ao momento atual. Corresponde muito bem ao clima dominante da cultura pós-moderna a serviço do neoliberalismo. Daí sua sedução. Oferece o caminho rápido do sucesso sem passar pelo trabalho, pela renúncia, pelo esforço. O êxito econômico se faz até mesmo por vias suspeitas. Ele é sinal da bênção de Deus. A riqueza é vista no seu valor em si mesmo, sem nenhuma responsabilidade social. Muito distante da doutrina social da Igreja que defende a hipoteca social sobre toda posse. Os bens materiais são vistos como privilégio e bênção para alguns escolhidos de Deus e não destinados a todos. Produz-se uma identificação rápida entre a bênção de Deus e os bens materiais dos ricos.

Atém-se a uma interpretação literal e unilateral do Antigo Testamento. Esquece-se de que Jesus veio dar-lhe o verdadeiro sentido. Não se tem a mínima sensibilidade pela dimensão social nem pelo amor predileto de Deus pelo pobre. Os verdadeiros bens para o cristão encontram-se retratados por Jesus no sermão da montanha e na sua vida.

Jesus proclama bem-aventurados os pobres e não aqueles que nadam em riqueza e a ambicionam para si. Jesus invectiva aquele rico que só pensava em armazenar ainda mais seus bens. "Insensato! Esta noite mesmo a tua vida ser-te-á reclamada e o que tu preparaste, quem é o que o terá?" E conclui com um dito lapidar: "Eis o que acontece a quem reúne um tesouro para si mesmo, em vez de enriquecer junto a Deus" (Lc 12, 16-21)

Como se vê, é exatamente o oposto da espiritualidade da prosperidade que só pensa em entesourar para si e quanto mais, melhor. Esquece da condição mortal.

Mais ainda. Jesus refere-se diretamente à fragilidade dos bens terrestres que as traças e os vermes corroem; que os ladrões roubam. Conclui: "acumulai para vós tesouros no céu, onde nem as traças nem os vermes causam estragos, onde os ladrões não arrombam nem roubam". E termina com um dito de sabedoria: "onde está o teu tesouro, aí também estará o teu coração" (Mt 6, 19-21).

O ensinamento de Jesus sobre o seguimento situa-se em posição diametralmente oposta à espiritualidade da prosperidade. Na base está o desprendimento e não a acumulação. "Qualquer um de nós que não renuncia a tudo o que lhe pertence não pode ser meu discípulo" (Lc 14, 33).

Precisa ser de uma absoluta cegueira a respeito do evangelho de Jesus para propor uma espiritualidade da prosperidade como expressão do projeto de Deus. Este se manifestou em sua plenitude na pregação e pessoa de Jesus. As passagens do Antigo Testamento, que parecem identificar a bênção de Deus com a abundância dos bens, revelam um aspecto de seu projeto criador. Os bens criados estão destinados a todos os seres humanos e não a serem privilégio de alguns que se engolfam neles enquanto outros carecem de tudo. O Novo Testamento avança. Relativiza os bens materiais na perspectiva do irmão, do serviço aos outros, da própria missão.

A espiritualidade da prosperidade inverte o sentido cristão. É materialista, pagã. Nada cristã. Não se opondo ao canto de sereia do neoliberalismo, capitula. É a espiritualidade que justifica a injustiça social, tranqüilizando a consciência com tintura religiosa. Camufla a verdade da injustiça social, transferindo para Deus - bênção e maldição - a diferença social entre os humanos, fruto do sistema econômico, ao menos, na forma atual.

* Padre jesuíta, escritor e teólogo. Ensina na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE), em Belo Horizonte, e é vice-pároco em Vespasiano.
Site: www.jblibanio.com.br

Fonte: Adital
www.adital.org.br

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Banda Mundo Livre S/A e DJ Dolores são as principais atrações no quarto aniversário do CCBNB-Cariri

Internacionalmente reconhecidos, a banda Mundo Livre S/A e o DJ Dolores são as principais atrações da programação especial gratuita, comemorativa do quarto aniversário do Centro Cultural Banco do Nordeste-Cariri, localizado na região sul do Ceará.
Banda Mundo Livre

Os artistas encerram a programação no próximo sábado, 5, na Praça da RFFSA – Rede Ferroviária Federal, no município do Crato. Liderada por Fred 04 (autor dos manifestos e fundador do movimento musical Mangue Beat ao lado de Chico Science, Nação Zumbi e DJ Dolores), a apresentação do Mundo Livre S/A acontece às 22 horas.
DJ Dolores

Em seguida, o DJ Dolores apresenta o show “1 Real”, título do seu terceiro CD, à meia-noite. Premiado e requisitado para arranjos musicais e trilhas sonoras de cinema, o DJ Dolores propõe uma experiência de mixagem característica dos DJ’s, porém com um diferencial, ao vivo e com banda, apresentando um show feito para dançar.

DJ Dolores já se apresentou nos principais festivais de música da Europa, dividindo, inclusive, o palco com artistas de peso como Bjork, Moby, Chemical Brothers e Elvis Costello. Remixou músicas de Bob Marley, assinou a trilha sonora do filme e da peça “A Máquina”, de João Falcão, além de ter vencido uma das edições do prêmio TIM de música, conquistado na categoria Música Eletrônica.


O Amor segundo Chico Buarque

A programação especial do aniversário de quatro anos do Centro Cultural BNB-Cariri (rua São Pedro, 337 – Centro – fone: (88) 3512.2855) tem início na sexta-feira, 4, às 20h, com a apresentação do espetáculo cênico-musical “Segunda Toada para João e Maria – o Amor segundo Chico Buarque, Lado B”, com o grupo paulistano Núcleo Toada.

O musical destaca músicas do cantor, compositor e escritor Chico Buarque e textos de alguns poetas e pensadores, contando a história de um casal como tantos outros. O espetáculo acontecerá no cineteatro do CCBNB-Cariri, em Juazeiro do Norte. Classificação indicativa: 12 anos.


Emboladas, cordéis, zabumbeiros e forró

Simultaneamente, a programação do quarto aniversário do CCBNB-Cariri acontece durante a X Exposição de Produtos da Agricultura Familiar (X EXPROAF), no Crato. Também às 20h da sexta-feira, 4, a dupla de emboladores piauienses Jotinha e Jotão se apresenta divulgando a arte, a poesia popular e a riqueza de suas emboladas que cantam o modo simples do povo nordestino. Às 21h, a dupla reprisa a embolada ao vivo, no mesmo lugar.

Entre as duas apresentações de Jotinha e Jotão, serão lançados dois cordéis: “Piqui é Mãe Generosa”, de Espedito Arnaldo, do Crato, às 20h30; e “Valorize a Agricultura Familiar”, de Maria Rosimar Araújo, de Juazeiro do Norte, às 20h45. O primeiro cordel mostra a valor do piqui para o Cariri cearense: pela ótica do poeta Espedito, o piqui é a mãe que dá o vestir, o comer e o lazer do caboclo caririense. Já o segundo apresenta a importância que há em toda a produção da agricultura familiar.

Em seguida, às 21h30, a banda Zabumbeiros Cariris, de Juazeiro do Norte, exibe seu proseado de rabeca, triângulo, pífano, viola e zabumbas, para alegrar o palco desenhando o vale encantado do homem-cariri. Quem encerra nesse dia (sexta-feira, 4), a partir das 23h, a programação especial do quarto aniversário do CCBNB-Cariri, é a banda cratense Forró Soper de Serra, tocando o autêntico Forró Pé-de-Serra. O grupo apresenta grandes clássicos da música popular nordestina, mostrando a simplicidade e os valores do verdadeiro forró de raiz.


Atividades infantis, Mundo Livre S/A e DJ Dolores

Na tarde do sábado, 5, a programação especial é dedicada à garotada, com apresentação de teatro infantil, contação de histórias e realização de uma oficina de arte, nas dependências do CCBNB-Cariri. Em duas sessões, às 14h e às 16h, o grupo Armadilhas Cênicas, do Crato, apresenta o espetáculo “Terreiro de Histórias”.

Na peça dirigida por Edceu Barbosa, o grupo faz suas malas e sai pelo mundo em busca de terreiros, para que possa estacionar suas bicicletas e armar a lona para fazer ali mais uma sessão de contação de histórias.

Às 15h, o Grupo Parque de Teatro, oriundo de Aquiraz (CE), apresenta a contação de historias intitulada “As Novas Leis do Reino de Foncé”. No enredo, dois atrapalhados contadores de histórias chegam atrasados para uma apresentação, onde contarão a história do príncipe Dauzinho – um garoto que, durante as férias do rei e da rainha, criou leis para deixar todo mundo igual, gerando uma enorme confusão.

Às 15h30, o arte-educador Cícero Carlos Oliveira, de Juazeiro do Norte, ministra a oficina “Brincando, fazendo bonecos e arte com a palha do milho”. O objetivo da oficina é trabalhar o lúdico, ao passo em que as crianças aprendem brincando a fazer os bonecos utilizando a palha de milho.

À noite, na Praça da RFFSA, a programação especial de aniversário de quatro anos do CCBNB-Cariri se encerra com duas atrações internacionais: os shows da banda Mundo Livre S/A, às 22h, e do DJ Dolores, à meia-noite.

Informações: Lênin Falcão (gerente do Centro Cultural Banco do Nordeste-Cariri) – (88) 3512.2855 – lenin@bnb.gov.br

terça-feira, 1 de junho de 2010

Pau da Bandeira de Santo Antônio 2010

Vídeo do Pau da Bandeira de Santo Antônio 2010



Cariri Digital - O Cariri nas ondas da Internet

Vídeo enviado pela colaboradora Klebia Cabral.