sexta-feira, 28 de maio de 2010

Monopólio da mídia é maior obstáculo à vitória de Dilma, opina Emir Sader

Por: Anselmo Massad

O sociólogo Emir Sader acredita que a mídia é a única opção ao alcance da oposição para tentar desestruturar o que considera ser a tendência de vitória da pré-candidata Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República. Ele acredita que as políticas públicas adotadas na gestão atual não estão garantidos caso "a oligarquia volte ao poder", em referência à pré-candidatura de José Serra (PSDB).

"O governo Lula pode ser uma ponte para sair definitivamente do modelo ou um parênteses", opina em entrevista à Rede Brasil Atual. "As políticas feitas pelos tucanos, seja em nível nacional, seja nos estados, são de privatização", constata. Isso quer dizer que "nenhuma conquista do governo Lula seria irreversível".

Sader é autor de diversos livros, sendo o mais recente "Brasil, entre o passado e o futuro", que discute a história da esquerda, as políticas realizadas no governo de Luiz Inácio Lula da Silva e as perspectivas para os próximos anos.

A respeito do discurso adotado por Serra no início da pré-campanha, tentando colocar-se como o mais capacitado para o "pós-Lula", o sociólogo faz um alerta: "A campanha eleitoral não é feita dizendo o que 'vou fazer', é feita do que 'o eleitorado quer que eu diga'. Senão não ganho". Na prática, isso quer dizer que a opção de tentar prometer continuidade está mais baseada nos índices de aprovação do governo Lula do que em convicções.

Sader qualifica Serra ainda como "autoritário" e "prepotente", e faz duras críticas à mídia. "Eu diria que o obstáculo maior à vitória da Dilma é o monopólio privado dos meios de comunicação", avalia. "O fato de que todos estão alinhados com o Serra. Isso indica o fracasso absoluto da política de comunicação do governo", critica.

Confira os principais trechos da entrevista:

As conquistas em política externa do Brasil estão garantida para o próximo período?

Em política externa, as declarações do Serra demonstram que seria claramente uma mudança significativa (caso ele fosse eleito). Disse que o Mercosul era uma farsa, que o ingresso da Venezuela no mercado comum seria uma insensatez, que como presidente não convidaria o presidente do Irã nem visitaria o país no Oriente Médio, que o Brasil fez uma trapalhada em Honduras etc. Ele está a favor de se afrouxarem laços na integração regional e voltar a estabelecer relações privilegiadas com os Estados Unidos. Isso seria uma mudança importante também no modelo interno, que só é possível porque há soberania externa.

A opção de priorizar relações comerciais e políticas externas com países em desenvolvimento, nas chamads relações Sul-Sul, seria abandonada?

Nas eleições há quatro anos, quando (Felipe) Calderón foi eleito presidente do México de maneira possivelmente fraudulenta, o (Geraldo) Alckmin o saudou, dizendo que aquele é o caminho. O caminho do México é o do tratado de livre comércio, de quem retrocedeu 7% no PIB ano passado, quem foi ao Fundo Monetário Internacional, não diversificou no comércio internacional, não intensificou distribuição de renda, mercado interno e consumo popular. Quanto se retomaria o caminho é difícil imaginar, porque seria equivocado e ineficiente. O Brasil conseguiu superar a crise com rapidez pela demanda asiática – especialmente chinesa –, pelo intercâmbio regional com países sul-americanos. E também por manutenção do poder aquisitivos no mercado popular.

Inicialmente o pré-candidato José Serra tem assumido uma postura de continuidade, de se colocar como o melhor para realizar políticas "pós-Lula". Ainda assim o senhor acredita que haveria mudanças?

O governo Lula pode ser uma ponte para sair definitivamente do modelo ou um parênteses, se a oligarquia voltar ao poder. As políticas feitas pelos tucanos, seja em nível nacional, seja nos estados, são de privatização. Pode não fazer tão grosseiramente quanto antes, mas os dois bancos estaduais de São Paulo foram vendidos. O Banespa foi privatizado para o capital estrangeiro. A Nossa Caixa teria o mesmo destino não fosse o Banco do Brasil comprar. Quem não faz políticas sociais, quem não financia programas populares, não precisa ter bancos. É mais importante fazer caixa para estrada, rodoanel, que dá mais impacto para o público. A própria prioridade das políticas sociais poderia ser questionada perfeitamente com uma mudança de governo.

Então, por que a opção de pregar a continuidade com, no máximo, alguns aprimoramentos?

A campanha eleitoral não é feita dizendo o que "vou fazer", é feita do que "o eleitorado quer que eu diga". Senão não ganho. Mais de 70% apoiam o governo Lula, portanto várias declarações são cosméticas para não se contrapor ao eleitorado. Talvez se esteja vendo que isso também seria um caminho de derrota, porque a sucessora normal seria a Dilma (Rousseff), mas até agora houve muito mais tentativa de buscar elementos de consenso com o governo, sem deixar claro o que se faria. Mas pelo que é feito em São Paulo... Se o Bolsa Família é tão bom, porque diminuiu aqui? Há uma série de políticas concretas que provavelmente seriam transferidas nacionalmente caso (os aliados de Serra) chegasssem a ganhar. Nenhuma conquista do governo Lula seria irreversível.

Nas últimas semanas, Serra chegou a bater boca com alguns jornalistas. Muitos apoiadores da candidatura de Dilma sustentam que a mídia tem um comportamento de apoio incondicional ao pré-candidato tucano. Como explicar essas reações contra repórteres?

Ele (Serra) tem um estilo autoritário, prepotente. Basta ser colocado em situações de risco e de incerteza para se comportar assim. Sobretudo quando é questionado sobre coisas que ele acha serem inquestionáveis. "Vai continuar o Bolsa Família?" etc. Ele acha ruim, sabe que são temas agudos e acaba perdendo o controle. Mas ele é assim, eu o conheço desde o movimento estudantil, é sempre autoritário. E ainda dizem que Dilma é autoritária. Quando uma mulher tem capacidade e competência é autoritária, senão, seria frouxa. Autoritário é o Serra. O estilo que vocês estão vendo agora é o normal dele de relação, de ser um trator, impor pela força, pela reiteração.

Agora, perdendo a liderança, vai cometer mais erros, inclusive no perfil da atitude sobre o governo Lula. Se continuar a se identificar, mais fácil a passagem de votos para a Dilma, se bater, vai estar na contramão do eleitorado. Se ficar o bicho pega, se correr o bicho pega.

Mas o senhor vê também a partidarização da mídia nas eleições?

A executiva da Folha (de S.Paulo, Maria Judith Brito, presidente da Associação Nacional de Jornais, ANJ) que assumiu que, como a oposição é fraca, eles (veículos de comunicação) assumem o papel de oposição, significa uma consciência clara do papel que estão desempenhando. Eu diria que o obstáculo maior à vitória da Dilma é o monopólio privado dos meios de comunicação. O fato de que todos estão alinhados com o Serra. Isso indica o fracasso absoluto da política de comunicação do governo.

Há cinco anos é um governo com uma popularidade altíssima, sem um meio de comunicação autônomo. O Lula não fala para o povo, a imprensa escolhe o que ele vai falar. Parecem intermediários viciados no diálogo entre o presidente mais popular que o Brasil já teve e a massa, a cidadania. Vão se manter assim em ano de eleição porque é a única chance de tentar conter a provável vitória da Dilma.

A popularidade de Lula apesar dessa intermediação da mídia não indica que esse efeito da mídia sobre a população está inócuo?

É o instrumento que eles (oposição) têm a mão. Se vai ter eficácia ou não... Qual é o modelo de política popular melhor que a do Lula que tenham a apresentar? Qual é o projeto de país mais significativo? O que têm é a possibilidade de desarticular a imagem da Dilma por meio de denúncias baixas. É o que resta. O Lula já provou que está acima de qualquer campanha. Não pega. Os argumentos do Serra são de nenhuma compreensão para o povo.

Dizer que é "o governo mais patrimonialista que existiu", é o quê? "Apropria-se dos cargos"? Para o eleitorado, além de não ser claro o que isso quer dizer, fica a impressão de que, se o governo faz tudo isso mas o resultado é bom, não é um problema tão grave. A opção pode reiterar argumentos para quem já está contra. Eles não têm argumentos fortes. A comparação dos dois governos (FHC e Lula) é acachapante. A opção de apontar Serra como a melhor continuidade deixou de ser viável, porque os votos transferidos para Dilma são os que apoiam o candidato indicado por Lula. Matematicamente é uma tendência de derrota mesmo. O que está ao alcance é a mídia, e vão jogar com ele até onde puderem.

Fonte: Rede Brasil Atual
www.redebrasilatual.com.br

Abertura da Festa de Santo Antônio será domingo, 30 de maio

Por Antônio Vicelmo

A Festa de Santo Antônio, padroeiro de Barbalha, será aberta neste domingo, dia 30, com o desfile de 50 grupos folclóricos e o carregamento do pau da bandeira. O evento não ficará restrito ao religioso e folclórico. A Fundação SOS Chapada do Araripe vai promover um amplo debate sobre o impacto causado pela retirada do pau, ao longo de 100 anos, da área de proteção ambiental, no pé da Serra do Araripe.

Um dos temas que está sendo questionado é o cumprimento do Termo de Ajuste de Conduta (TEC), que foi assinado em 2008, entre o Ministério Público Federal, Prefeitura de Barbalha e órgãos ambientais. Segundo o presidente da Fundação SOS Araripe, Maurício Teles Freire, até o momento não foi implantado o Horto Florestal que, segundo ele, funcionaria como reserva florestal, de onde seria retirado o pau da bandeira. Ele argumenta que, por ocasião do corte da árvore que servirá de mastro para a bandeira de Santo Antônio, dezenas de pessoas acompanham o ritual, o que tem causado, para Maurício, um impacto ambiental significativo na área. "Não se trata de um posicionamento radical em defesa da natureza. O que nós defendemos é a preservação dos nossos costumes, tradições, religiosidade, sem agredir a natureza", explica.

O secretário de Cultura e Turismo de Barbalha, Dorivan Amaro, diz que a Prefeitura está promovendo o plantio de mudas no sopé da Serra do Araripe. No ano passado, foram plantadas 200 mudas. Este ano, está programado o plantio de mais 200 mudas. A Fundação SOS Araripe explica que este plantio aleatório não cumpre as exigências do Ministério Público e órgãos ambientais.

Com o objetivo de debater estes e outros assuntos será lançado, no dia 4 de junho, logo depois da abertura da festa, o projeto "Caminhos do Pau da Bandeira", acompanhado do curso "Conhecendo a Floresta do Araripe". A solenidade será no auditório da Faculdade de Medicina de Barbalha, com a participação de professores, estudantes e ambientalistas.

O projeto "Caminhos do Pau da Bandeira" consiste no lançamento de um opúsculo, escrito pelo médico e escritor Napoleão Tavares Neves, contando a história do pau da bandeira, destacando os aspectos sociais, políticos, religiosos e culturais. A festa tem mais de 100 anos, mas Napoleão vai escrever sobre os últimos 50 anos.

A partir do dia 29, começa a "Operação Santo Antônio 2010", no Parque da Cidade, quando o Município inaugura a delegacia descentralizada da Polícia Militar.

Na manhã de domingo, cerca de 50 grupos folclóricos, entre penitentes, bandas cabaçais, reisados, carpideiras, maneiro pau, participam do desfile de abertura, a partir de 9 horas, logo depois da missa celebrada na Matriz de Santo Antônio.

Programação

São duas semanas de rezas, leilões, trezenas e festas populares. O Parque da Cidade, um espaço destinado à apresentação de bandas, se transforma num verdadeiro arraial com a instalação de barracas para a venda de comidas e bebidas, palcos e quermesse.

São apresentados shows com artistas nacionais e regionais. Para domingo, estão previstas apresentações de Caninana do Forró, Joãozinho do Exu e Luiz Fidélis. Para as duas semanas subsequentes os cantores Leonardo, Belo e Yego Gomes, e as bandas Arreio de Ouro e Forró de Taipa.

Preservação

"O que defendemos é a preservação dos costumes, tradições, religiosidade, sem agredir a natureza"
Maurício Teles Freire
Presidente da Fundação SOS Araripe

MAIS INFORMAÇÕES
Secretaria de Cultura de Barbalha
Rua Pinto Madeira, 149, Centro
(88) 3532.1708/ (88) 2101.1919

Fonte: Diário do Nordeste
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=791967

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Educação aprova veiculação de vídeos antipedofilia nos cinemas e aviões



A Comissão de Educação e Cultura aprovou nesta quarta-feira a obrigatoriedade de as companhias aéreas nacionais e os exibidores de cinema veicularem filmes ou vídeos que promovam o combate à pedofilia e ao uso de drogas.

De acordo com Projeto de Lei 7036/10, do deputado Fábio Faria (PMN-RN), os filmetes, de no mínimo 30 segundos, serão produzidos e distribuídos pelo Poder Executivo.

Multa nos infratores

O relator da proposta, deputado Gastão Vieira (PMDB-MA), recomendou a aprovação da proposta com uma emenda. A alteração incluiu a possibilidade de os filmetes tratarem do combate ao uso de drogas uma vez que, na proposta original, o conteúdo deveria ser exclusivamente de combate à pedofilia.

A campanha deverá ser exibida em todos os voos com duração superior a uma hora. Nos cinemas, a exibição deverá ser realizada antes de cada sessão. Os empresários que descumprirem a norma estarão sujeitos a multa.

Tramitação
O projeto ainda será analisado de forma conclusiva pelas comissões de Viação e Transportes; de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Íntegra da proposta:


Fonte: Agência Câmara de Notícias
www2.camara.gov.br

Fuxico - Um resíduo social

Por Luiz Domingos de Luna*

Desde o umbral da historia do homem em sociedade, que um resíduo sociológico, vem, das mais priscas eras, perpassando por todos os períodos, colado no cotidiano dos seres humanos, como um vírus a espalhar doenças contagiosas, pois, têm um poder letal em qualquer agrupamento sociológico, quantos danos provocados no processo interativo, prejuízos enormes na convivência humana, porém a força do fuxico, sempre presente a assombrar os mais fiéis crédulos, é uma arma apontada para um alvo, que se desconhece vez que, o fuxico pode, em questão de segundos, transformar-se num boato forte, consistente e às vezes com um agravante maior, o apoio da mediana da sociedade, os fundamentos racionais, em muitos casos, nem existirem, mas o boato voa, tem um poder incrível de manter-se vivo e atuante no espaço social.

Dada a força histórica que o fuxico exerce na argamassa humana no espaço tempo, deve sim, pelo menos em teoria ter algo positivo e afirmativo para a constância deste resíduo sociológico que vem se mostrando um gigante na formação diária de boatos, mitos, lendas... E, por conseguinte, toda a literatura ficcional, que, embora distante da realidade, às vezes como as linhas paralelas têm o seu encontro no infinito.

A Admiração dos seres humanos pelo mundo ficcional é um imbróglio a incomodar sempre os “puristas racionais”, pois, o fuxico, não necessariamente, nasce de uma mentira, mas sim de uma especulação, que ganha milhares de adeptos, ou não, dependendo da aptidão social para tal fim, como saber se um fuxico é verdadeiro ou não? Se o seu alimento é a difusão social, pois, quanto maior for à adesão social, maior o seu poder de destruição ou não.

A Transmutação do fuxico para o boato é uma forma de defesa da sociedade? Estes vetores sociológicos fazem parte da civilização humana? Sem estes “pigmentos” o espaço social seria mais civilizado, e, por conseguinte mais harmônica a civilização do homo sapiens?

Com certeza não sei.

-Mas é assim que a coisa funciona.


* Professor – Aurora - Ceará

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Seja um Cidadão Consciente

Os 10 Mandamentos do Cidadão Consciente

1 - Combater a violência da injustiça, fazendo valer meus direitos constitucionais e denunciando a pior violência, que é a omissão dos governantes em assegurar condições legais para o efetivo cumprimento das leis, favorecendo a impunidade que estimula o mau exemplo da prática generalizada de delitos. A cada direito violado corresponde uma ação que posso e devo empreender para obrigar o estado a fazer justiça.

2 - Resolver meus problemas e os da minha comunidade formando e participando de associações civis de moradores, de preservação do meio ambiente e de amigos do patrimônio cultural, de proteção às pessoas, minorias e deficientes, bem como de associações de eleitores, consumidores, usuários de serviços e contribuintes, sempre visando travar uma luta coletiva como forma mais eficaz de exigir dos governantes o cumprimento de seus deveres para com a coletividade.

3 - Participar da vida política da minha comunidade e do meu país, votando e fiscalizando candidatos e partidos comprometidos com o interesse público, a ética na política, a redução das desigualdades sociais e regionais, a eliminação do clientelismo e corporativismo, a reforma do sistema eleitoral e partidário para tornar o voto um direito de cidadania e compatibilizar a democracia representativa tradicional com os modernos mecanismos de democracia direta e participativa.

4 - Lutar contra toda sorte de violência e manifestação de preconceito contra os direitos culturais e de identidade étnica do povo brasileiro. Sobretudo da parte de elites colonizadas que pregam e incentivam, sobre qualquer forma que seja, o sentimento de inferioridade e a baixa auto-estima de nosso povo.

5 - Buscar soluções coletivas para combater toda forma de violência, apoiando aqueles que procuram meios eficientes de assegurar a segurança pública sem desrespeitar os direitos humanos fundamentais, como a garantia à vida, à liberdade individual e de expressão, à igualdade, à dignidade, à segurança e à propriedade.

6 - Combater toda forma de discriminação de origem, raça, sexo, cor, idade, especialmente os preconceitos contra mulheres, negros, homossexuais, deficientes físicos e pobres, apoiando entidades não governamentais que lutam pelos direitos de cidadania dos discriminados.

7 - Respeitar os direitos da criança, do adolescente e do idoso, denunciando aos órgãos públicos competentes e entidades não governamentais toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

8 - Lutar pela concretização de uma ordem econômica democrática e justa, exigindo a aplicação dos princípios universais da liberdade de iniciativa, do respeito aos contratos, da propriedade, da livre concorrência contra monopólios e cartéis, da defesa do consumidor por meio do cumprimento do Código de Defesa do Consumidor, e da proteção ao meio ambiente, acionando o Ministério Público toda vez que tais princípios forem violados.

9 - Pautar a liberdade pela justiça, cumprindo e fazendo cumprir os códigos civis coletivos e servindo de exemplo de conduta pacífica, cobrando a cooperação de todos.

10 - Fiscalizar as execuções orçamentárias e combater a sonegação de impostos, através de uma reforma tributária que permita exigir sempre a nota fiscal de todos os produtos e serviços, pesquisando preços para não pagar mais caro, e fortalecendo as associações de contribuintes e de defesa de consumidores, bem como apoiando e participando de iniciativas que lutam pela transparência na elaboração e aplicação do orçamento público.

Fonte: A Voz do Cidadão
http://www.avozdocidadao.com.br/detailConteudo.asp?ID=3&SM=3%237

quinta-feira, 20 de maio de 2010

O império manda, as colônias obedecem

Por Frei Betto e João Pedro Stédile *

Após a Segunda Guerra Mundial, quando as forças aliadas saíram vitoriosas, o governo dos EUA tentou tirar o máximo proveito de sua vitória militar. Articulou a Assembléia das Nações Unidas dirigida por um Conselho de Segurança integrado pelos sete países mais poderosos, com poder de veto sobre as decisões dos demais.

Impôs o dólar como moeda internacional, submeteu a Europa ao Marshall, de subordinação econômica, e instalou mais de 300 bases militares na Europa e na Ásia, cujos governos e mídia jamais levantam a voz contra essa intervenção branca.

O mundo inteiro só não se curvou à Casa Branca porque existia a União Soviética para equilibrar a correlação de forças. Contra ela, os EUA travaram uma guerra sem limites, até derrotá-la política, militar e ideologicamente.

A partir da década de 90, o mundo ficou sob hegemonia total do governo e do capital estadunidenses, que passaram a impor suas decisões a todos os governos e povos, tratados como vassalos coloniais.

Quando tudo parecia calmo no império global, dominado pelo Tio Sam, eis que surgem resistências. Na América Latina, além de Cuba, outros povos elegem governos antiimperialistas. No Oriente Médio, os EUA tiveram que apelar para invasões militares a fim de manter o controle sobre o petróleo, sacrificando milhares de vidas de afegãos, iraquianos, palestinos e paquistaneses.

Nesse contexto surge no Irã um governo decidido a não se submeter aos interesses dos EUA. Dentro de sua política de desenvolvimento nacional, instala usinas nucleares e isso é intolerável para o Império.

A Casa Branca não aceita democracia entre os povos. Que significa todos os países terem direitos iguais. Não aceita a soberania nacional de outros povos. Não admite que cada povo e respectivo governo controlem seus recursos naturais.

Os EUA transferiram tecnologia nuclear para o Paquistão e Israel, que hoje possuem bomba atômica. Mas não toleram o acesso do Irã à tecnologia nuclear, mesmo para fins pacíficos. Por quê? De onde derivam tais poderes imperiais? De alguma convenção internacional? Não, apenas de sua prepotência militar.

Em Israel, há mais de vinte anos, Moshai Vanunu, que trabalhava na usina atômica, preocupado com a insegurança que isso representa para toda a região, denunciou que o governo já tinha a bomba. Resultado: foi sequestrado e condenado à prisão perpetua, comutada para 20 anos, depois de grande pressão internacional. Até hoje vive em prisão domiciliar, proibido de contato com qualquer estrangeiro.

Todos somos contra o armamento militar e bases militares estrangeiras em nossos países. Somos contrários ao uso da energia nuclear, devido aos altos riscos, e ao uso abusivo de tantos recursos econômicos em gastos militares.

O governo do Irã ousa defender sua soberania. O governo usamericano só não invadiu militarmente o Irã porque este tem 60 milhões de habitantes, é uma potência petrolífera e possui um governo nacionalista. As condições são muito diferentes do atoleiro chamado Iraque.

Felizmente, a diplomacia brasileira e de outros governos se envolveu na contenda. Esperamos que sejam respeitados os direitos do Irã, como de qualquer outro país, sem ameaças militares.

Resta-nos torcer para que aumentem as campanhas, em todo mundo, pelo desarmamento militar e nuclear. Oxalá o quanto antes se destinem os recursos de gastos militares para solucionar problemas como a fome, que atinge mais de um bilhão de pessoas.

Os movimentos sociais, ambientalistas, igrejas e entidades internacionais se reuniram recentemente em Cochabamba, numa conferência ecológica mundial, convocada pelo presidente Evo Morales. Decidiu-se preparar um plebiscito mundial, em abril de 2011. As pessoas serão convocadas a refletir e votar se concordam com a existência de bases militares estrangeiras em seus países; com os excessivos gastos militares e que os países do Hemisfério Sul continuem pagando a conta das agressões ao meio ambiente, praticadas pelas indústrias poluidoras do Norte.

A luta será longa, mas nessa semana podemos comemorar uma pequena vitória anti-imperialista.

* Frei Betto é escritor. João Pedro Stédile integra a direção da Via Campesina

Fonte: Adital
http://www.adital.com.br

O acordo Brasil-Irã e a reação dos EUA

O acordo assinado nesta segunda-feira (17) entre Brasil, Irã e a Turquia é revestido de dimensões estratégicas, muito maiores do que o próprio tema do acordo. Em um movimento, o Brasil se posicionou em ao menos três das maiores questões da política internacional contemporânea — a crise no Oriente Médio, a reforma do sistema de governança mundial e a regulamentação sobre o uso da energia nuclear. O que despertou a irá do império.

Por Rubens Diniz *

A diplomacia brasileira em conjunto com a turca, conseguiu trazer o Irã de volta à mesa de negociações, eliminando os motivos para possíveis sanções por parte do Conselho de Segurança. Em um “drible” digno de final da copa do mundo, Brasil e Turquia, dois países emergentes colocaram os EUA com um papel secundário, no que era prioridade para sua política externa nos últimos meses - a agenda de sanções contra o Irã.

A contra-ofensiva raivosa, a pressão excepcional, liderada pelos EUA nesta terça-feira (18), está dirigida a retomar as “rédeas” nas negociações sobre o programa nuclear iraniano e aniquilar os esforços feitos pelo Brasil. Deixa claro, por outro lado, que EUA e seus aliados como a UE e Israel, não estão interessando em uma saída negociada para a crise, os mesmos buscam usar as sanções como caminho para desestabilizar o regime iraniano e dar passos na implementação do projeto “ Grande Oriente Médio”, projeto geopolítico do imperialismo para a região.

É completamente descabida a proposta de novas sanções, até mesmo pelo aspecto procedimental. Antes do Conselho de Segurança debater algo, dever-se-ia aguardar a analise e o posicionamento da Agencia Internacional de Energia Atômica (AIEA), a quem acordo de Teerã é dirigido.

Emerge uma nova ordem

As reações por parte das grandes potências somente reforça uma das dimensões estratégicas que o Acordo Brasil-Irã, que é a tendência a uma nova ordem internacional, na qual países em desenvolvimento possuem papel de destaque. Fica evidente que são necessários novos atores para a solução dos conflitos contemporâneos — e que as estruturas de governança mundial, como o Conselho de Segurança das Nações Unidas, devem se adequar à nova realidade. A ordem do pós-guerra caducou já faz tempo.

Na novíssima configuração, sobressai o papel de Brasil e Turquia, países de porte médio no contexto internacional, distantes geograficamente, mas com várias identidades em comum — entre elas a capacidade de atuar conjuntamente na busca de um novo ordenamento internacional. Por estarem agora em cadeiras rotativas do Conselho de Segurança da ONU, foram os países que destravaram as negociações com o Irã — algo incômodo para algumas potências decadentes que lá possuem assento.

A influência do Brasil cresceu, seu peso aumentou dentro do tabuleiro internacional. O país demonstrou ter condições de contribuir com a solução dos grandes conflitos internacionais contemporâneos. Revelou-se merecedor de ser um membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Para muitos, o presidente Lula também deveria estar na lista de indicados ao Prêmio Nobel da Paz, por seus incansáveis esforços na busca de um mundo mais justo.

O Brasil no Oriente Médio

Os povos do Oriente Médio têm encontrado na atuação e nas palavras do Brasil o eco de suas causas, a justeza de suas lutas — o que seguramente contribuiu para a materialização do acordo com o Irã. O Brasil, com firmeza nos princípios e flexibilidade na construção de consensos, tem ganhado a confiança de atores centrais na região.

Tal feito credencia o país a ter um papel de maior relevância na solução de conflitos que perduram por décadas no Oriente Médio. O panorama na região “ventilou-se” com a entrada em cena do Brasil.

Direito soberano de desenvolver energia nuclear de fins pacíficos e o TNP

O acordo entre Irã, Brasil e Turquia também repercutirá no debate sobre a normatização do uso da energia nuclear, em curso na etapa final da Conferência de Revisão do TNP, em Nova York. O mesmo apóia-se no respeito ao artigo IV do TNP, que garante o direito inalienável de cada Estado-Parte de desenvolver um programa nuclear de fins pacíficos. Assim, coloca-se a questão, TNP vale para todos, ou é possível dizer que o TNP é letra morta.

Outra repercussão do acordo sobre a Conferência de Revisão do TNP é a exigência que o Brasil e outras nações devem fazer para que Israel entre no TNP e deixe instalações, matérias e arsenais atômicos sob inspeção da AIEA, tornando possível a entrada em vigor da resolução de 1995 de transformar o Oriente Médio em uma zona livre de armas nucleares.

Em um movimento, o Brasil se posicionou em três questões de grande centralidade na atualidade — a defesa de uma nova ordem, a saída para as crises por que passa o Oriente Médio e a defesa do direito ao uso da energia nuclear, quebrando o monopólio das grandes potencias sobre o tema. Em resumo, reforçou a estratégia brasileira de inserção internacional, que vinha sendo injustamente criticada pelas grandes potências e por seus súditos locais. Independentemente dos desdobramentos do acordo é um cala-boca que ecoou de Teerrã até o ninho do tucanato.

* Psicólogo, membro da comissão de Relações Internacionais do PCdoB e secretário geral do Cebrapaz

Fonte: Portal Vermelho
http://www.vermelho.org.br

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Jovens cientistas brasileiros brilham em feira mais importante do mundo

Por Cida de Oliveira

Alunos do ensino médio de escolas públicas e particulares brasileiras brilharam na Intel ISEF (sigla em inglês para Feira Internacional de Ciência e Engenharia), maior evento pré-universitário do setor no mundo, que acontece todo ano em San Jose, no estado americano da Califórnia. No total foram dezesseis prêmios e duas menções honrosas.

Participaram 1.600 estudantes, com idades entre 14 e 21 anos, de 59 países. A premiação aconteceu nesta quinta e sexta-feira, dias 13 e 14/5. Os jovens brasileiros e suas invenções premiadas foram selecionados em março último, durante a Feira Brasileira de Ciência e Engenharia (Febrace), da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), e também na Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec) realizada em outubro passado pela Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha, de Novo Hamburgo, RS.

Com o projeto Gemara e Gematria: um estudo de caso sobre os efeitos da contextualização sociocultural para a aprendizagem da matemática, Tamara Gedankien, 17 anos, aluna da Escola Brasileira Israelita Chaim Nachman Bialik, de São Paulo, SP, conquistou três prêmios. Primeiro lugar na categoria ciências comportamentais da ISEF, destaque como o melhor da categoria e outro primeiro prêmio concedido pelo Instituto de Tecnologia de Illinois. No total, ganhou 8 mil dólares para ela, mil dólares para a escola e uma bolsa de estudos de quatro anos da entidade de Illinois, no valor de 15 mil dólares.

Karoline Elis Lopes Martins, 18 anos, aluna do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais, em Belo Horizonte, MG, também recebeu três prêmios, totalizando 13 mil dólares. Seu projeto de construção de um canal com garrafas PET integrado a um sistema de água e de tratamento de resíduos obteve a primeira colocação no Prêmio Google e se destacou no prêmio da Fundação Lemelson e na categoria meio ambiente da ISEF. A estudante teve ainda menção honrosa do Conselho Internacional sobre sistemas de engenharia.

William Lopes, 20 anos, aluno da Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha, de Novo Hamburgo, RS, ficou em primeiro lugar na categoria agentes da mudança, do Prêmio Google, recebendo 10 mil dólares. E em segundo lugar no prêmio ISEF Intel com o projeto de utilização do fungo Aspergillus niger em tratamento de águas residuais. O prêmio é de 1,5 mil dólares. Recebeu ainda 1 mil dólares da Fundação Lemelson.

Da mesma escola, Eduardo Trierweiler Boff, 18 anos, e Lucas Strasburg Ferreira, 18 anos, ficaram em segundo lugar na categoria projetos em grupo da ISEF. Receberam 1,5 mil dólares pelo projeto de prótese ortopédica de baixo custo para amputação de membros inferiores, produzida a partir de materiais recicláveis.

João Batista de Castro David Junior, 17 anos, do Colégio Estadual Liceu de Maracanaú, na cidade cearense de Maracanaú, saiu com três prêmios e 2,5 mil dólares no bolso com o projeto Identificação de insetos larvicidas biológicos. Seu trabalho foi reconhecido pela Fundação Lemelson, ISEF e pela CACO Pharmaceutical & BioScience Society, sociedade californiana formada por cientistas do setor farmacêutico.

Com o projeto tecelagem de saúde: a tecelagem antimicrobial a partir da teia da aranha Phoneutria nigriventer, Leonardo de Oliveira Bodo, 15 anos, aluno do colégio particular Dante Alighieri, de São Paulo, recebeu um prêmio da Sociedade Americana de Farmacognose e outro da ISEF, na categoria bioquímica, totalizando 1,5 mil dólares.

Heitor Geraldo da Cruz Santos, 15, da Associação Educacional e Cultural Arco-Iris, Recife, PE, recebeu 150 dólares pelo terceiro lugar no prêmio concedido pela International Honor Society in Psychology, entidade criada em 1929 para estimular o interesse de estudantes por assuntos da psicologia. O estudante pernambucano concorreu com o projeto de uma nova metodologia para o estudo da educação nutricional nas escolas brasileiras.

Amanda De La Rocque Rodrigues, 18 anos, Carlos Henrique Leite da Silva, 18 anos, e Paolo Damas Pulcini, também de 18, alunos ETEC Getúlio Vargas, em São Paulo, SP, tiveram menção honrosa pelo projeto sulfonação de poliestireno para ser aplicado na retenção de íons de metais pesados.

O Brasil participa da ISEF desde 2003, quando conquistou um prêmio – resultado igual ao de 2005. Em 2006, foram duas premiações; em 2008, três; e cinco no ano passado. Apenas em 2004 e 2007 os estudantes não conseguiram vencer em nenhuma das categorias.

Fonte: Rede Brasil Atual
http://www.redebrasilatual.com.br

Calçada Cultural - O dia do pau da bandeira



A Calçada Cultural é um evento realizado pelo grupo Os Peleja, e acontece na Festa de Santo Antônio no dia do pau da bandeira, na cidade de Barbalha, na rua da Matriz, próximo ao Calçadão.


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domingo, 16 de maio de 2010

Preparativos para a Festa de Santo Antônio em Barbalha



Faltando pouco mais de duas semanas para a procissão do pau da bandeira, a cidade de Barbalha já vive o clima da festa de Santo Antônio. Artesãos preparam o material que vai enfeitar a cidade.

Tinta, pincel e compensado. Material que Guêdo e equipe utilizam pra fazer molduras para estampar o retrato de Santo Antônio. Este ano, o vermelho e o verde predominam. São as cores da bandeira de Portugal, país de origem do padroeiro de Barbalha.

Como é ano de Copa do Mundo, também vai ter na decoração, as cores da seleção brasileira. Essas costureiras se encarregaram de fazer a bandeira nacional.

Mais uma vez, a secretaria municipal da cultura vai inserir na decoração, bonecos gigantes, representando personagens folclóricos do nordeste.

Na entrada principal, o santo casamenteiro já dá as boas vindas. E pelo segundo ano seguido, no parque de festas, uma cidade cenográfica.

São 13 fachadas que relembram a cidade de barbalha do século XIX. Patrimônio arquitetônico ainda hoje conservado no município.

Fonte: TV Verdes Mares
http://tvverdesmares.com.br/cetv1aedicaocariri/procissao-do-pau-da-bandeira/

sábado, 15 de maio de 2010

Vídeo do corte do pau da bandeira de Santo Antônio 2010



Fonte: Jangadeiro Online
www.jangadeiroonline.com.br

Trabalho Acadêmico sobre a Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio

UNIVERSIDADE REGIONAL DO CARIRI- URCA

CENTRO DE HUMANIDADES- CH

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS- DECISO

CURSO DE CIÊNCIAS SOCIAIS

Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio de Barbalha: compreendendo símbolos

Ruth Rodrigues Santos*

Crato- CE, 2010

O trabalho trás como proposta inicial fazer uma etnografia sobre as manifestações e conseqüentemente os significados destas, que acontecem durante os festejos em homenagem a Santo Antônio em Barbalha, momento este que se refere a um dos momentos auge dos festejos , que é o carregamento pelos moradores local do pau da bandeira de Santo Antônio.

Serão observadas, as relações que são estabelecidas durante os principais momentos deste processo, que são: a escolha do pau, o corte, o carregamento e o hasteamento da bandeira de santo Antônio, delimitando assim o campo de pesquisa. Tal acontecimento será descrito partindo dos conceitos do antropólogo C. Geertz, sob a luz da antropologia interpretativa, onde o conceito de cultura aparece sob forma de rede de significados, e desta forma, portanto, passíveis de compreensão.

O intuito é fazer a interpretação dos símbolos que são parte do todo maior que é a festa, que está para além do aspecto cultural, mas também, político, econômico, religioso, etc., através da compreensão dos carregadores (os nativos), será feita uma interpretação e descrição dessa teia de significados, que conta e traduz a história de décadas da cidade e de pessoas que dela faz parte.

As manifestações culturais revelam a identidade cultural do povo que a pratica. Faz parte da formação cultural do Brasil, que ao longo do tempo tornou-se cada vez mais miscigenada desde o seu descobrimento e a mistura de raças e seus respectivos costumes, esta miscigenação, que deu-se por conta da mistura, que fizeram parte da construção da identidade e conseqüentemente da cultura brasileira, realizados pelos negros africanos e pelos índios e também os portugueses, povos diferentes, com culturas e formas de expressão culturais também diversificadas. Dentre as manifestações, a que sem dúvida marcou e desenvolveu-se ao longo do tempo na construção da história do Brasil, foram as manifestações culturais de caráter religioso.

Os índios endeusando astros terrenos (sol, lua, terra, ar, etc), acreditando-se que através dos cultos em homenagem a estes "deuses" teriam retorno na sua principal fonte de renda e sobrevivência que eram basicamente a agricultura e a pecuária. Os negros africanos, que também cultuavam os deuses, fazendo rodas de oferendas, músicas, tambores, danças, com as particularidades que são próprias de toda e qualquer povo, etnia, enfim, de toda forma de relação social, ou seja, de cada sociedade. E assim, também os portugueses, que trouxeram para o Brasil conhecimentos sobre o Catolicismo, atuante no Brasil ainda nos dias atuais.

Esta rápida e supérflua passagem sobre a construção da identidade cultural brasileira é para situar-nos naquilo que é o objeto de estudo deste trabalho, que são as manifestações culturais religiosas que acontecem durante os festejos em homenagem a Santo Antônio, que tem por objetivo analisar quais as relações estabelecidas entre os carregadores do pau da bandeira de Santo Antônio e qual o papel social desses atores que fazem acontecer um dos principais fenômenos culturais da cidade de Barbalha, da região do Cariri, do Nordeste, contribuindo para a construção da história cultural do país.

Desta forma utilizo-me do conceito de cultura proposto por Clifford Geertz quando diz que a cultura são como teias tecidas pelos homens "sobrepostas e amarradas umas as outras" onde são "simultaneamente estranhas, irregulares e inexplicáveis". (1989, p. 7).

Para Geertz a cultura não é algo homogêneo, ou seja, sua estrutura de interligações faz com que cada uma das estruturas informe de modo diferente as práticas humanas, ou seja, dar significados diferentes uma mesma conduta de um mesmo ambiente.

Daí a proposta da pesquisa parafraseando Geertz, de compreender a compreensão dos carregadores do pau da bandeira de Santo Antônio, sobre este acontecimento do qual fazem parte e tornam-se protagonistasdesta festa que traduz a importância e o valor histórico-cultural da cidade de Barbalha.

As festividades populares no Brasil relacionadas à religiosidade são comumente nomeadas de "festas de padroeiro", um momento normalmente caracterizado por manifestações coletivas públicas, rituais e reverendas em homenagem ao santo, renovação de crenças e o fortalecimento da fé pelos devotos.

Nesses eventos religiosos prevalece o chamado "catolicismo popular". As festas de "santos", diz Alba Zaluar (1980), fazem parte de um sistema de reciprocidade com as divindades cósmicas, em um sistema socialmente construído pelos homens e parte integrante de sua própria visão de mundo.

Assim acontece em Barbalha- CE anualmente, no período entre o ultimo domingo de maio ou primeiro de junho e se estende até o dia 13 de junho, dia de Santo Antônio. Nesta festa é notável a presença de vários simbolismos e rituais realizados em oferenda ao santo padroeiro da cidade.

"Um sistema de símbolos é usado para qualquer objeto, ato, acontecimento, qualidade ou revelação que serve como vínculo a uma concepção – a concepção é o significado do símbolo." (Geertz, 1989; p.105.).

Um dos símbolos que mais representa a festa è o "pau da bandeira". Denominado assim, pois ao final de hasteamento em frente à Igreja Matriz de Santo Antônio, coloca-se uma bandeira com a imagem do santo.

Pelo menos desde os anos 40 do século passado, a escolha e o corte do pau ocorrem alguns dias antes do carregamento. Desses dois momentos participavam apenas alguns homens, coordenados pelo Chefe do Pau ou Capitão do Pau, como hoje é chamado o líder dos carregadores, tradição esta ainda mantida.

"Os símbolos são os instrumentos por excelência da integração social: enquanto instrumentos de conhecimento e comunicação do mundo social." (Bourdier, 1989.).

Faz parte da tradição que os cidadãos da cidade, mais especificamente, porém não exclusivamente, os homens se encarreguem da escolha e do corte do pau da bandeira, que será carregado, em seus ombros por um longo percurso, em homenagem ao santo padroeiro.

Este momento pode ser traduzido segundo o pensamento de Bourdier quando fala que:

O poder simbólico com o poder de constituir o dado pela enunciação, de fazer ver e crer, de confirmar ou de transformar a visão do mundo (...); poder quase mágico que permite obter o equivalente daquilo que é obtido pela força graças ao efeito específico de mobilização, só se exerce se for reconhecido, quer dizer, ignorado como arbitrário. (BOURDIER, 1989.).

O processo que antecede e que acontece durante o carregamento do pau da bandeira, é caracterizado principalmente pela força (seja esta subjetiva ou objetiva, ou um misto das duas, uma sustentando a outra) e pela relação social, onde transparece apoio e reciprocidade mútua; mútua não apenas em relação aos carregadores entre si, mas, de toda a população, dando apoio direto (oferecendo-lhes água durante o percurso) e/ou indireto (apoio moral, demonstrando entusiasmo e satisfação.).

O ritual de carregamento do pau da bandeira pode ser visto da forma como Geertz explicitou afirmando que "os símbolos religiosos formulam uma congruência básica entre um estilo de vida particular e uma metafísica específica (implícita no mais das vezes) e, ao final, sustentam cada uma delas com a autoridade emprestada da outra." (1989.).

Desta forma, consciente ou não, com objetivos particulares ou coletivos, torna-se evidente a responsabilidade que compete aos homens de fazer acontecer alguns dos momentos mais importantes e significativos e conseqüentemente os de maior representação simbólica, que são: o corte do pau da bandeira, o carregamento (o cortejo que percorre as principais ruas da cidade), o hasteamento e o momento em que é colocada a bandeira com a imagem do santo na ponta do tronco.

Neste sentido, a festividade constituiria "um evento transcendente, um mundo ideal... onde a imaginação tudo pode engendrar, transformar, refazer" (Amaral, 1998, p. 7). Ou, como diz Mauro Passos, a festa é "um ato coletivo extra-ordinário, extra-temporal e extra-lógico" (2002, p. 17).

"Num ritual o mudo vivido e o mundo imaginado fundem-se sob a mediação de um único conjunto de formas simbólicas, tornado-se um mundo único e produzindo aquela transformação idiossincrática no sentido da realidade." (Geertz, 1989.).

Afirma ainda:

Tendo "pulado" ritualmente para o arcabouço de significados que as concepções religiosas definem e, quando termina o ritual, voltado novamente para o mundo do senso comum, um homem se modifica- a menos que, como acontece algumas vezes, a experiência deixa de ter influência. (GEERTZ, 1989; p.139.).

Lógico que a cultura, ou seja, os costumes, as crenças, o meio social em que estes homens foram criados, educados e vivenciados segundo e seguindo estes costumes, influencia consideravelmente. E, segundo Geertz: "no que concerne aos padrões culturais, isto é, os sistemas ou complexos de símbolos, é que eles representam fontes extrínsecas de informações." O homem seria "um animal amarrado a teias de significados que ele mesmo teceu", devendo a Cultura ser entendida como "essas teias e sua análise" (Geertz, 1989, p.15).

Isto nos leva a pensar, mas não afirmar, que a festa de Santo Antônio é uma construção social, que se estabelecem relações sociais que, pelo menos no processo desde o corte até o hasteamento, todos se encontram engajados e apoiados, ou não, numa crença que os faz superar as dificuldades.

É importante lembrar que, a festa é uma reafirmação tanto social quanto religiosa das pessoas que estão envolvidas e que a fazem acontecer.

Para traduzir essa esfera simbólica que encobre, principalmente, os rituais religiosos, Bourdier diz: "o poder simbólico é, com efeito, esse poder invisível o qual só pode ser exercido com a cumplicidade daqueles que não querem saber que estão sujeitos ou mesmo que o exercem".

Para Roberto Da Matta (1985), esse tipo de celebração implica uma transformação do cotidiano, uma transformação temporária do tempo e do espaço rotineiros, abrindo, assim, a possibilidade para uma viagem real e simbólica a um "outro mundo", divino, transcendente e mágico.

Vale salientar que este é apenas um dos aspectos característicos da Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio, e que, portanto (não necessariamente), seja esta a finalidade que atua motivando os carregadores a participarem dessa manifestação profano-religiosa. Porém não cabe descartar a importância e a forte presença de simbolismos e rituais agindo como pano de fundo durante a realização deste festejo religioso em homenagem a Santo Antônio.

Geertz baseia seus estudos antropológicos no que chamou de antropologia interpretativa, no círculo hermenêutico, utilizando as idéias de "conceito de experiência próxima "e "conceito de experiência distante", pois para o autor, não é preciso ser um "nativo" para compreendê-lo, e sim através da empatia chegar a incorporar os caracteres dele.

Vale salientar que os primeiros contatos com o campo se deram através de entrevistas, e conversas informais com os "nativos", e também na participação da festa ainda não na qualidade de pesquisadora, mas como espectadora e cidadã genuína de Barbalha, que assim como a maioria, juntava-se a multidão de pessoas para fazer parte desta manifestação cultural que traduz a história tanto da cidade quanto dos cidadãos.

5. Metodologia

Para a realização desta pesquisa, serão efetuadas além da pesquisa de campo, dando assim um dos requisitos necessários para uma etnografia do objeto, entrevistas, revisão bibliográfica, observação participante contribuindo assim uma maior proximidade do investigador com seu objeto de estudo, inserir-se no ambiente em que acontece o fato que está sendo proposto, resultando assim numa maior relação de aproximação entre o investigador e seu objeto de estudo.

Para tanto, serão realizadas pesquisas exploratórias, visando um maior esclarecimento do objeto a ser investigado, relacionando os dados que serão coletados com o auxílio de entrevistas que serão realizadas nas pesquisas de campo ou pesquisa participante (como trabalho etnográfico) com pessoas envolvidas com o tema em questão, neste caso específico, os carregadores do pau da bandeira, a revisão bibliográfica que auxiliaram no embasamento teórico e conceitual do trabalho, como por exemplo, os trabalhos de P. Bourdier e C. Geertz.

6. Referências bibliográficas

BOURDIER, P. O poder simbólico. DIFEL/ Bertrand Brasil, Lisboa/ Rio de Janeiro, 1989.

GEERTZ, C. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: LTC, 1989.

_______. O saber local. Novos ensaios em antropologia interpretativa. Petrópolis: Vozes, 1998.

SOUZA, O. T.A festa do pau da bandeira de Santo Antonio de Barbalha (CE): entre o controle e a autonomia (1928/1998). Dissertação de Mestrado, Rio de Janeiro: UFRJ

ZALUAR, A. Sobre a lógica do catolicismo. Rio de Janeiro, Dados, n.º 11, p. 173-193,

1973.

* Estudante de Ciências Sociais


Fonte: http://www.webartigos.com/articles/34388/1/Festa-do-Pau-da-Bandeira-de-Santo-Antonio-de-Barbalha-compreendendo-simbolos/pagina1.html

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Superproteção – Um Castigo

Por Luiz Domingos de Luna*

Os adolescentes, ao tempo da ditadura militar, sonhavam com a liberdade como um instrumento de auto-afirmação na família, nas comunidades e na sociedade como um todo. Pois, apesar do regime de exceção, a alma do espírito democrático a rondar o inconsciente ou “consciente maturativo”. De que algo no espaço social, político precisava ser mudado. Este eixo espiritual não foi destruído pela força de dominação do militares à época.

A noção de mudança, sempre presente no tecido sociológico brasileiro, a inquietação grassava desde as camadas sociais mais baixas às mais altas – Elites.

O espírito mudancista sempre presente no meio social em todas as suas arestas, em proporções e intensidades constantes, como uma massa pensamental uniforme e invisível a incomodar sempre o regime de opressão. – Uma permanente inquietação.

A entrada no regime democrático um sonho realizado de um povo que não acostomou-se com a mordaça.

A mancha negra do regime de exceção não pode e nem deve ser um trauma para superproteção de crianças, adolescentes, ou mesmo adultos, por algo que não pertence mais ao mundo deles, pois o relativismo político do estado brasileiro foi incorporado ao Estado Democrático de Direito.

Ao se propalar a superproteção às novas gerações, que vivem a liberdade, ideal sonhado pela anterior, está se criando um grande paradoxo, pois a própria liberdade almejada pela geração anterior não pode ser utilizada como ferramenta para o bem comum, vez que os pais passam a controlar os passos de seus filhos de forma intensiva, coercitiva desde o nascimento, formando assim, não filhos reais, mais filhos ideais, modelos, referências, projetos, tudo, menos uma vida autônoma e soberana no espaço tempo.

A vida não pode ser um projeto de vida que não deu certo em um ideal sonhado por outrem, visto cada um, ser único e total. Educação, orientação, sim, porém superproteção nunca, pois a superproteção é apenas um castigo disfarçado.

* Professor – Aurora – Ceará.