sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Intervozes lança vídeo sobre Direito à Comunicação

Numa linguagem inspirada no filme de Jorge Furtado, diretor do documentário "Ilha das Flores" vídeo compara a regulação da comunicação no Brasil com a lei da selva, onde os mais fortes ditam as regras.

Já está disponível no Observatório do Direito à Comunicação o vídeo do Intervozes sobre a temática do Direito à Comunicação. O curta traz uma breve história da concentração dos meios de comunicação no Brasil, com os nomes dos principais atores do cenário, e um panorama sobre a dificuldade de se ter uma comunicação mais democrática no país.

Na história, a personagem central representa telespectadores que encontram barreiras para conseguir se fazerem ouvidas frente ao monopólio dos grandes grupos empresariais de mídia. Assim, registra-se a dificuldade que existe no Brasil no cumprimento de normas constitucionais que garantem um cenário mais democrático. A linguagem escolhida para o vídeo foi a mesma do curta “A Ilha de Flores”, devido à simplicidade com que o diretor Jorge Furtado tenta expor características de uma sociedade capitalista. “Fizemos esta opção porque queríamos falar de maneira leve sobre um tema pesado, com pontos polêmicos e difíceis”, explica Pedro Ekman, integrante do coletivo e roteirista do vídeo.
Um dos exemplos do cerceamento à voz da população é ilustrado pela batalha da rádio comunitária Constelação, criada em 1998 por cegos e dirigidas a este público. Os irmãos Roberto e Raimundo da Silva, fundadores da rádio em Belo Horizonte, tentam há mais de 10 anos conseguir uma autorização do Ministério das Comunicações para funcionar legalmente. Enquanto há eles não obtem uma resposta do Minis, tiveram a sede fechada e Roberto foi condenado à prisão por dois anos, em um caso onde a rádio foi tratada como Pirata. “Ali aparece como o Estado lida com os meios alternativos de comunicação”, percebe Paulo. O Ministério das Comunicações ainda não concedeu licença de funcionamento para a rádio.

O vídeo se soma a outros trabalhos que o Coletivo tem produzido, inclusive como material de contribuição para a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). Recentemente, um caderno de propostas foi lançado tratando sobre outros aspectos da Comunicação como regulamentações e alternativas, como o sistema público de televisão e rádio. “Uma das principais contribuições é levar os assuntos que detalhamos para debate. O vídeo não esmiuça tanto quanto os materiais escritos, mas amplia o potencial de formulação de propostas e abre a linguagem para pessoas que tem dificuldade de entender esta discussão”, aposta Pedro.

Veja aqui o vídeo disponibilizado no Observatório do Direito à Comunicação.
Baixe aqui a íntegra do vídeo.



Intervozes - Levante sua voz from Pedro Ekman on Vimeo.

Fonte: http://www.intervozes.org.br

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A cultura do excesso e alguns mitos da interatividade

Por Rodrigo Jacobus*

Entre as mudanças decorrentes da chamada Revolução Informacional, dois aspectos marcantes circundam os debates em torno do tema: a multiplicação dos meios e fluxos comunicacionais, e o surgimento de inúmeros canais de interatividade que supostamente possibilitam maior participação das audiências. Mas até que ponto estas transformações estão operando no sentido de ampliar o debate público e promover o desenvolvimento humano?

A carga de transformações da chamada Revolução Informacional vem interferindo significativamente no modus vivendi das sociedades contemporâneas. Novas rotinas são estabelecidas nas relações sociais, compondo um quadro de incertezas oriundo da necessidade de adequação à velocidade intrínseca ao crescente desenvolvimento tecnológico. Paul Virilio, em sua obra A arte do motor, antevê mazelas decorrentes dos novos tempos, em que a midiatização generalizada ocupa papel determinante, e a reflexão, calcada no raciocínio e na memória, cede lugar a um agir condicionado por reflexos. A redução dos espaços que definem as distâncias reais e físicas rompe com a grandeza natural do mundo e associa-se à lei do menor esforço, introduzindo um consumo desmedido de invenções que tendem a aumentar a velocidade de tudo. No encalço desta lógica, cujo discurso propõe eficiência, pressupõe-se maior aproximação interpessoal e participação interativa. Na prática, a cultura do excesso corrompe as possibilidades e potenciais do ferramental tecnológico.

O ritmo resultante dessa combinação acelera o viver de modo questionável. A voracidade da produção atravessa a esfera pública e gera uma recepção desenfreada da densa carga informacional, de modo que o ganho temporal acaba tomado pela própria lógica que o criou, ocupando-se de modo muito mais quantitativo que qualitativo. Junto à expansão dos espaços comunicacionais, cujo desenvolvimento está diretamente associado à crescente popularização da Internet e à consequente digitalização dos meios, é inegável que se ampliam as possibilidades de produção e participação. Em contrapartida, as relações humanas são cada vez mais marcadas pelo efêmero e o fugaz, conduzindo a uma espécie de isolamento físico que caracteriza uma das principais faces do chamado hiperindividualismo. Se, por um lado, há uma crescente qualificação técnica que expande as capacidades humanas a limites nunca imaginados, por outro, há uma redução dos vínculos com a realidade, estabelecendo-se uma atomização que se amplifica na mesma medida em que a tecnologia enquanto bem de consumo invade os cotidianos.

Há um abismo entre o avanço tecnológico e a nossa capacidade de avaliar e lidar com a real necessidade de tantas opções. A cultura do excesso tende a contaminar os debates com discursos publicitários excessivamente otimistas, que relativizam as contradições e omitem o fato de que a exagerada fartura de inovações é imanente ao modo de produção capitalista, movido por uma carga de intencionalidades que atuam como o grande motor dos motores de Virilio. Assim, se as novas tecnologias ampliam e dinamizam a nossa capacidade de interação e acesso à informação, não obstante podem agir modestamente no sentido de promover a reflexão. A imposição cultural da lógica quantitativa em detrimento da qualitativa, a supervalorização do avanço técnico em lugar do conteúdo, e a submissão da audiência à lógica do mercado abrem demasiado espaço à entorpecente indústria do entretenimento e à reafirmação cíclica do culto ao hedonismo. O amanhã é tratado com certa indiferença, sob a ótica de um despretensioso olhar vislumbrado, conformado com as possíveis consequências da produção em um modelo com tendências centralistas e monopolistas.

Entre as consequências mais graves deste nebuloso caminho, há o risco eminente de um colapso social tal qual Saramago alertou em seu Ensaio sobre a cegueira. Uma quebra no fluxo a que estamos habituados pode jogar a sociedade no caos e rapidamente esmagar os projetos civilizatórios sob orientação hegemônica do capitalismo. E, neste caso, é grande a possibilidade de uma convulsão social sem precedentes, pois a grande maioria não está preparada para uma repentina interrupção cultural. Os estímulos a que estamos sendo submetidos nos tornaram irresponsavelmente dependentes da estrutura oferecida, e esta se tornou mais importante que nós mesmos. Urge a necessidade de um rompimento de caráter distributivo e organicamente orientado para uma nova lógica, mais próxima do pensamento sistêmico e orientada pela solidariedade e pelo bem-estar social para além de discursos políticos eleitoreiros e falaciosos.

A diluição informacional inerente à Internet tende a comprometer a visibilidade massiva, mas sugere uma falsa aparência de participação efetiva. Em termos de interferência na esfera pública, por exemplo, é preciso aceitar que o movimento em torno dos inúmeros blogs independentes ainda é incapaz de competir com a influência da grande mídia monopólica, que continua concentrando as maiores audiências em torno do viés mercadológico. Assim, é necessário valorizar as alternativas descentralizadoras, mas também é preciso resgatar o envolvimento da sociedade civil na elaboração do próprio rumo, ampliando o debate público em torno de temas comuns à grande maioria e combatendo a excessiva diluição das informações veiculadas. É preciso reconsiderar a lógica de produção da mídia e buscar a formação de redes que compartilhem objetivos, rompendo com a ideia de audiência enquanto produto e fomentando a participação real dos receptores para muito além do papel de meros consumidores.

[* Mestrando pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação (FABICO/UFRGS). Atua na comunicação comunitária como colaborador junto à Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária do Rio Grande do Sul (ABRAÇO-RS) e radiocoms de Porto Alegre e Região Metropolitana. É membro do Grupo de Pesquisa Comunicação, Economia Política e Sociedade (CEPOS/UNISINOS). E-mail: rodrigojacobus@gmail.com]

* Instituto Humanitas Unisinos

Fonte: Adital
www.adital.com.br

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A implantação da TV digital aberta no Brasil

Por Sebastião Squirra e Valdecir Becker em 24/11/2009

Apresentação de TV Digital.Br: Conceitos e Estudos sobre o ISDB-Tb, de S. Squirra e Valdecir Becker (orgs.), 280 pp., Ateliê Editorial, Cotia, 2009

O livro TV Digital.BR: conceitos e estudos sobre o ISDB-Tb surgiu de um desafio proposto pelo grupo de estudos temático TV digital interativa, um dos subgrupos do Comtec (Comunicação e Tecnologias Digitais), da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp). O grupo de TV Digital Interativa é composto pelos professores do curso de especialização Produção para TV Digital Interativa, oferecido pela instituição, desde o começo de 2007, e por especialistas nas diferentes áreas cobertas pela TV digital. Foi criado para estudar e entender melhor a dinâmica da implantação da TV digital aberta no Brasil.

Considerando a pouca literatura em português existente sobre o assunto, e que aborde de forma dinâmica e compreensível os principais temas, foi proposto o desafio de lançar um livro que sirva de base para os estudos dos interessados em entender TV digital interativa holisticamente. Por isso, este livro é, antes de mais nada, extremamente multidisciplinar. Cobre as mais variadas facetas da digitalização da radiodifusão e os ambientes convergentes frutos da mesma.

Os temas foram definidos seguindo o arcabouço de conhecimentos necessários para um profissional poder atuar plenamente nessa nova tecnologia, idealizando e implantando novos conteúdos. O perfil desse profissional passa pelo domínio de conceitos técnicos sobre TV digital, funcionamento da interatividade e transmissão do software em redes de televisão.

Visão geral dos componentes

Além disso, a digitalização da TV e a conseqüente interatividade não acontecem de forma isolada ou desconexa dos demais aspectos da evolução tecnológica. Novas tecnologias são lançadas, diariamente, com repercussões tanto nas formas de distribuição, caso dos telefones celulares, agora aptos a receber sinal de TV, quanto na publicidade, que paga os custos do conteúdo e da implantação.

Baseado neste cenário, onde se exige cada vez mais conhecimento dos profissionais de televisão, este livro procura mostrar a amplitude do tema, abordando desde aspectos conceituais sobre a digitalização da televisão aberta no Brasil, até pontos teóricos do alcance e implicação dessa tecnologia.

O objetivo deste livro não é esgotar o assunto, nem ser uma referência teórica. É apresentar TV digital interativa sem preconceitos, dentro de um contexto de produção multimídia e multifacetada, no qual o conteúdo audiovisual é acessível através de diversas fontes, além da televisão. Por isso, foram convidados especialistas em produção para dispositivos móveis e para internet, uma vez que essas duas ferramentas estão cada vez mais próximas da televisão, seja oferecendo conteúdo, seja servindo de canal de retorno para as aplicações interativas. Além disso, o livro apresenta uma parte conceitual, na qual são discutidos aspectos técnicos e teóricos sobre TV digital, interatividade e comunicação. Também é apresentado o desenvolvimento de aplicações, sob um viés prático, englobando conceitos e métodos.

Assim, o primeiro capítulo traz um texto do professor Carlos Montez, da Universidade Federal de Santa Catarina, sobre a conceituação da TV digital e os processos de digitalização do sinal televisivo. Conforme o texto, a TV digital interativa pode ser considerada como uma evolução dos seus antepassados analógicos: a TV preto e branco e a TV em cores. No entanto, esse novo tipo de TV precisa ser tratado como uma nova mídia, e não uma simples junção de tecnologias de TV com tecnologias de computador e de internet. Ainda assim, o estudo dos componentes que formam essa nova mídia pode ser feito de uma forma analítica, separando e analisando cada tecnologia e teoria que estão por trás desse sistema. Dessa forma, o texto do professor Carlos Montez apresenta uma visão geral dos componentes que formam uma TV digital interativa.

Canais de retorno para manifestações individuais

Mesmo sem entrar profundamente em cada assunto, apresenta detalhadamente as teorias de cor e seu tratamento no olho humano, como acontece a formação do vídeo no cérebro humano, a teoria da conversão do analógico para digital, compressão de dados e os componentes envolvidos na transmissão de TV digital. No final do capítulo, esses tópicos acabam convergindo na explicação do set top box, que tem papel fundamental durante a transição da TV analógica convencional para a TV digital interativa.

O capítulo dois traz um artigo do professor Sebastião Squirra, professor da Umesp e coordenador do Comtec. Ele parte da premissa de que a TV é o meio de comunicação popular mais consumido no Brasil, há várias décadas, mas cujo modelo atual está com os dias contados. A evolução tecnológica e os principais participantes do mundo digital atual apontam para mudanças, uma vez que o homem está profunda e irrecusavelmente integrado, miscigenado, às mídias digitais para conexões e intercâmbios em intermináveis tipos e configurações.

O professor explica que a vida já é digital e esta tecnologia, onipresente. As pessoas passarão a assistir aos programas de televisão no modelo e visualização da internet, numa hibridização midiática ainda não experimentada, muito menos praticada em larga escala. A conjunção tecnológica trará para os telespectadores a interatividade, elemento nativo na web, mas que estará plenamente integrado aos aparelhos de TV em todos os lares, estimulando a inserção digital. Pela primeira vez na história da comunicação massiva, os telespectadores terão canais de retorno para a expressão dos seus desejos e manifestações individuais. Este é o Brasil que nasce em dezembro de 2007.

Sincronismo de mídia e adaptabilidade

Contextualizando essa evolução, porém focando a TV digital, os pesquisadores Almir Almas e Ana Vitoria Joly debatem a televisão digital brasileira e o acesso público no capítulo três. O texto visa explorar o impacto que a introdução da tecnologia de digitalização da radiodifusão exerce na televisão brasileira, examinando as principais interações entre a criatividade e a esfera popular, dentro do contexto histórico. Ao analisar questões sobre o que pode ocorrer no Brasil, no futuro próximo, com ênfase em assuntos relacionados com a digitalização da televisão e as mídias interativas, surge o foco no acesso público, na participação comunitária e nos conteúdos gerados pelos telespectadores, visando à inclusão digital através da interatividade.

A seguir, no capítulo quatro, os jornalistas Alexandre Mendonça e Fernando Crocomo apresentam a produção interativa de televisão. Muito se fala na valorização do conteúdo na TV digital interativa, em processo de implantação no Brasil. Se, por um lado, a comunidade que lida com conteúdo de mídia, aguarda com expectativa a chegada da nova tecnologia; de outro lado, especialistas da área tecnológica procuram entender ao máximo os recursos a serem disponibilizados. O objetivo deste capítulo é discutir a importância do trabalho multidisciplinar na produção de conteúdo para TV digital interativa; o que muda no processo de produção de programas interativos, e como um novo formato de roteiro de TV pode ajudar na integração entre todos os envolvidos na transmissão de um programa interativo. O capítulo mostra que o trabalho conjunto entre as áreas pode resultar em opções mais ricas de conteúdo, indo além do recurso técnico e permitindo que a interatividade realmente seja útil e interessante para o usuário. Experiências dos autores mostraram que aplicativos interativos, pensados na linguagem dessa nova mídia, precisam ser o mais próximo possível de um diálogo, no qual o apresentador, ou o conteúdo sendo apresentado, convida o usuário a participar.

Todo conteúdo interativo é desenvolvido e visualizado a partir de uma plataforma de interatividade, chamada tecnicamente de middleware. Esse suporte à interatividade foi totalmente desenvolvido no Brasil, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). O professor Luiz Fernando Gomes Soares, da PUC-Rio, apresenta, no capítulo cinco, o ambiente para desenvolvimento de aplicações declarativas, chamado de Ginga-NCL. Ele explica que as aplicações com o foco no sincronismo de mídia e adaptabilidade devem representar a maior parte das aplicações de um sistema de TV digital. Prover um bom suporte para a execução e apresentação de tais aplicações é função do ambiente declarativo de um middleware. Nos middlewares atuais, tais funções, com exceção da interatividade, têm sido resolvidas através de scripts em uma linguagem procedural embutida no ambiente declarativo, e não por um suporte verdadeiramente declarativo da linguagem. Sem perder a compatibilidade com os outros padrões, ao contrário das implementações correntes, o Ginga oferece um ambiente puramente declarativo, através da linguagem NCL, para a definição e tratamento do sincronismo de mídia e da adaptabilidade, bem como para o suporte à utilização de múltiplos dispositivos de interação e exibição.

Vídeo é incipiente, mas tem potencial

Completando o assunto, Günter Herweg Filho apresenta no capítulo seis a linguagem NCL e o desenvolvimento de aplicações declarativas para TV interativa, além do modelo conceitual NCM. O middleware Ginga é parte integrante do decodificador da televisão digital, sendo responsável pelo gerenciamento das aplicações feitas em NCL. Já o NCM (Nested Context Model) é um modelo conceitual para representação e manipulação de documentos hipermídia que podem ser aninhados, formando estruturas contextualizadas. É neste modelo que a linguagem NCL se baseia.

No capítulo sete, os pesquisadores Rogério Furlan e Karla Caldas Ehrenberg mostram como é feita a produção de conteúdo para dispositivos móveis. A união entre a TV e o celular demanda a atuação de três grandes áreas da comunicação: os fabricantes de aparelhos que colocam no mercado produtos com muitas funcionalidades; as produtoras e emissoras que buscam a melhor maneira de produzir os seus conteúdos; as empresas de telefonia que estudam a forma ideal de transmissão dos sinais. Este artigo dá ênfase ao debate sobre a produção de conteúdo audiovisual, abordando as diferenças entre a TV tradicional e o celular. Sugere opções de planos, enquadramentos e outras questões técnicas que devem ser observadas e adaptadas, quando o assunto em pauta é a produção de conteúdo para dispositivos móveis.

Dentro dessa perspectiva de abordar áreas correlatas à TV digital interativa, mas com reflexos na produção e distribuição de conteúdo, o professor Sammyr Freitas apresenta a produção audiovisual para a internet, no capítulo oito. O artigo contextualiza a comunicação audiovisual na web, analisando as implicações de desse meio como distribuidor de conteúdo e produtor de conteúdo. Apresenta e discute de forma completa as ferramentas e profissionais envolvidos no processo, concluindo que o vídeo, na internet, ainda é incipiente, principalmente na qualidade, mas tem muito potencial com o surgimento de novas redes peer-to-peer, inclusive em alta definição.

Conseqüências para usabilidade

No capítulo nove, a pesquisadora Alia Nasim Chaudhry discute os rumos da publicidade interativa. O texto mostra como a revolução digital está mudando o cotidiano das pessoas, principalmente na forma de comunicar. O telefone celular, a internet e uma infinidade produtos digitais passaram a fazer parte do dia a dia das pessoas. Da mesma forma, a publicidade evoluiu, chegando ao consumidor em novos meios, com campanhas mais segmentadas e formatos cada vez mais personalizados aos perfis de público-alvo. O consumidor, por sua vez, deixa a passividade de lado, e interage com o conteúdo publicitário. Neste momento, chega a TV digital ao Brasil, trazendo desafios e novas oportunidades para a publicidade, que procura através dos formatos consolidados em outros meios digitais e de exemplos estrangeiros, um novo caminho para a TV no país.

Para finalizar, o professor e coordenador do curso de Especialização Produção em TV Digital, da Umesp, Valdecir Becker, discute a usabilidade na TV digital interativa no capítulo dez. O texto introduz o contexto teórico da interatividade na TV, discutindo as mais recentes abordagens da Interação Humano-Computador, visando a explicar a relação do ser humano com tecnologias digitais. Ao analisar a relação truncada entre teoria e prática na IHC, busca-se entender se as aplicações interativas, na televisão, demandam novas ferramentas e adequações teóricas para poderem ser compreendidas sob um aspecto mais amplo. Aborda-se a teoria da atividade como base para o entendimento de como o ser humano usa a tecnologia, neste caso específico, a televisão interativa, o que inclui o contexto em que acontece a interatividade, e as conseqüências para a usabilidade.

Fechando o livro, são apresentadas as pessoas que ajudaram a construir este trabalho. O livro pode ser lido em diversas ordens, sem comprometer a compreensão dos assuntos. No entanto, o entendimento de alguns termos técnicos usados nos primeiros capítulos pode ser necessário para o pleno entendimento dos textos sobre produção.

Boa leitura.

Fonte: Observatório da Imprensa
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=565AZL002

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Passos


Por Luiz Domingos de Luna*


Passos que passo
Passos que vem
Passos do além
Não sei o que faço

É como um compasso
De um tempo passado
Já foi um chamado
Na imensidão do espaço

Ouvi um grito
Parecia um trovão
Na escuridão
Estava aflito

Pulei noutro astro
Deixei a pisada
Ta lá registrada
Como um mastro

Luz em ebulição
Fiquei assustado
Parece ter entrado
Noutra dimensão

Tudo tão diferente
Um carrossel giratório
Um som vibratório
No meu consciente

Sonho ou realidade
Não sei precisar
É um vôo a voar
Não tem gravidade

Uma mão me puxou
Numa frieza gelada
Não sei mais de nada
Num novo mundo estou

(*) Professor da Escola de Ensino Fundamental e Médio Monsenhor Vicente Bezerra – Aurora (CE)

A fome e o fim do mundo

Por Bruno Peron Loureiro *

Triunfa a capacidade destrutiva do ser humano. Há os que dizem, ao contrário das tentativas que se dedicam a bendizer-nos, que o aniquilamento sempre foi uma característica intrínseca desta espécie. Desinteressados na resolução de problemas precípuos, acabamos sendo espectadores de uma arena de luta cultural e técnica sem precedentes, ao mesmo tempo em que a maior expressão de agonia resume-se em teses apocalípticas do fim do mundo em 2012.

Antes de que a humanidade supra suas carências básicas e reformule a relação com a natureza, alguns prognosticam que finalmente os grãos serão selecionados a fim de equilibrar a nossa senda evolutiva. Ainda que eu tenha ressalvas diante deste argumento, acredito que as tochas que renitem acesas nas nossas mãos devem iluminar atitudes e esforços para que os países dialoguem em irmandade e desapareçam situações nefastas, como a fome.

Para tratar de uma das mazelas, o combate à crise alimentar e a luta contra a fome foram os objetivos temáticos da Cúpula Mundial de Segurança Alimentar, que se realizou em Roma entre 16 e 18 de novembro e foi promovida pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO, da sigla em inglês).

Em foros anteriores, o prazo para erradicar a fome mundial havia sido estipulado para 2025. Estas reuniões tomam em conta que os preços dos alimentos nos países em desenvolvimento são elevados, aumenta o número de famintos no mundo e a questão afeta um de cada seis seres humanos, o que não é uma quantidade desprezível. Nesta ocasião, não se reiterou uma data limite para acabar com a fome mundial nem se firmou um acordo para que os países mais desenvolvidos destinassem novos recursos para incentivar a agricultura.

O alerta de que a população mundial cresceria mais rapidamente que a provisão de alimentos não é recente, porém este problema aliado ao desmatamento, a mudança climática e o depósito de lixo geram um cenário apocalíptico. Demandam-se maiores investimentos agrícolas nas regiões em que residem os pobres e famintos, principalmente América Latina, África e Ásia, enquanto o protecionismo dos países mais ricos é prejudicial às economias menos desenvolvidas. Vale recordar que a agricultura é fonte de renda para 70% dos pobres no mundo.

Na Cúpula de Roma, propôs-se a necessidade de uma "governança mundial" para regular as questões alimentares, uma vez que a balança tem pesado mais de um lado a partir dos esforços concentrados nalguns países. Segundo a organização não-governamental Action Aid International, Brasil, China e Índia tiveram o melhor desempenho na redução da fome. Nesta avaliação, releva-se a poluição atmosférica na China e a contaminação de água e esgoto na Índia.

A crença no fim do mundo transforma-se em convicção, mas talvez não tão precoce quanto as previsões para 2012. Triste é aceitar que os cálculos científicos apontam nessa direção apesar da descrença de alguns. Somente no quesito alimentação, um bilhão de seres humanos sobrevivem com fome ou não resistem. Regiões inteiras do planeta são esquecidas pelo progresso material de outrem. Para um final apocalíptico, tem que juntar fatores. Já os acumulamos de sobra.

* Analista de relações internacionais

Fonte: Adital
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?boletim=1&lang=PT&cod=43174

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Notícias do Diário da Saúde

Memórias podem ser reforçadas enquanto dormimos
Mesmo durante o sono mais profundo, nossa mente não se desliga por completo e é de fato possível consolidar e reforçar nossas memórias de forma dirigida enquanto dormimos. Leia mais...
Cientistas querem retardar evolução natural para evitar resistência a medicamentos
Pesquisadores suecos estão tentando encontrar substâncias capazes de retardar o ritmo da evolução natural a fim de garantir que os medicamentos de hoje permaneçam eficazes no futuro. Leia mais...
Celular ameaça segurança dos pedestres, tocador de MP3 não
Andar na rua falando ao celular é perigoso para pessoas de qualquer idade, mas ainda mais perigoso para idosos. O aumento no risco não foi significativo para aqueles que apenas ouviam música. Leia mais...
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A terapia com laser de baixa potência é altamente eficaz para o tratamento de dores no pescoço causadas por lesão muscular. Leia mais...
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Você sabia que somente a meningite bacteriana meningocócica tem potencial epidêmico? E que ela é transmita por pessoas sadias, portadoras assintomáticas do meningococo, bactéria normalmente encontrada na garganta? Leia mais...
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Pesquisa feita na USP descobriu um dos mecanismos pelos quais o hormônio tireoidiano atua no aumento do coração, um problema que pode levar à morte. Leia mais...
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Uma bebê britânica sobreviveu após ter sido submetida a 11 transfusões de sangue ainda no útero da mãe e outras duas após seu nascimento prematuro. Leia mais...

CARIRI DIGITAL - O CARIRI NAS ONDAS DA INTERNET

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Notícias do Diário da Saúde

Terapias do Biocampo: Mais verdades do que mitos, concluem cientistas
Depois de analisar dezenas de estudos científicos sobre as terapias como o Reiki, pesquisadores concluíram que há fortes evidências de que esses tratamentos complementares de fato têm vários benefícios para os pacientes. Leia mais...
Programa de realidade virtual trata fobias de aranhas e baratas
O sistema baseia-se no conceito de "Realidade Ampliada," no qual imagens dos insetos são incorporados em tempo real sobre as imagens vistas pelo paciente. Leia mais...
Postura negativa dos chefes ameaça saúde mental dos trabalhadores
As medidas corretivas incluem comentários positivos do chefe após um trabalho bem feito, horários de trabalho mais flexíveis e mais dias de folga como recompensa por bom desempenho. Leia mais...
Descobertos 3 indicadores de doenças cardíacas piores do que colesterol alto
Cientistas identificaram uma combinação particular de problemas de saúde que pode dobrar o risco de um ataque cardíaco e aumentar em três vezes o risco de mortalidade. Leia mais...
Colesterol alto dificulta cicatrização da mucosa bucal
O problema pode prejudicar tratamentos odontológicos que dependam de cirurgia, além do uso de aparelhos ortodônticos ou mesmo em tratamentos odontológicos de rotina. Leia mais...
Chá verde previne o câncer? Evidências aumentam, mas ainda há dúvidas
Embora os cientistas estejam relutantes em endossar oficialmente o chá verde como um método de prevenção contra o câncer, as evidências continuam a se acumular sobre os seus efeitos protetores. Leia mais...

Cariri Digital - O Cariri na ondas da Internet

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Favelização das Metrópoles Brasileiras

Por Luiz Domingos de Luna (*)

Favelização das Metrópoles Brasileiras


Com essas políticas públicas que somente funcionam para: via uma mídia crédula, logo, logo, teremos uma pequena metrópole cercada por uma grande favela em todas as regiões do Brasil.

As metrópoles brasileiras não estão crescendo, mas sim, inchando; logo teremos uma grande favela com uma pequena metrópole no centro. Tudo isso se dá, graças à falta de políticas públicas sérias em benefício da sociedade. O Êxodo rural, o desemprego, uma educação caótica, uma saúde em UTI, uma infraestrutura em frangalhos.

Toda solução mágica é puro paliativo. Porém, enquanto não se tiver a consciência plena de que o conjunto estando bem todos estão bem, ou seja, que o patamar da mediana da sociedade é quem define o bem estar coletivo. Todo o corpo social, sofre, se abala e chora.

Praza Deus, agora, com estes eventos esportivos a acontecerem no ano de 2014 – Copa do mundo e em 2016 - As Olimpíadas, seja o Brasil merecedor de uma política urbanística de infraestrutura que, de fato e de direito, coloque o pais do futuro nos holofotes do presente, como uma fonte geradora de desenvolvimento estrutural, já é chegada a hora de tratar com seriedade, compromisso e vontade de ter um país finalmente no primeiro mundo, estas duas oportunidades históricas são um verdadeiro desafio para nossa capacidade de superar os nossos problemas que vêm se avolumando na infinitude do tempo.

Creio que o momento é oportuno e que o futuro já chegou.

Não podemos tratar temas novos com costumes envelhecidos, nem temas envelhecidos com costumes novos. Assim, urge a necessidade de pensar no bem estar do Brasil. Não podemos nos dispersar em objetivos individuais em detrimento do bem maior que é o desenvolvimento de nosso querido Brasil. -O bem estar do Brasil como um tudo - uma realidade possível, oportuna, difícil, - com certeza, creio porém que, a força que pulsa viva na alma do Povo Brasileiro supere todas as nossas limitações.

Creio que o Brasil seja um país sério

Avante Brasil!!!

O Futuro já Chegou !!!

O Mundo de olho em nós, falta-nos a compreensão da responsabilidade de colocar na mídia internacional, aquilo que sempre sonhamos e que, finalmente chegou à hora. O Futuro como um presente do agora, com tenacidade, luta, determinação, coragem, bravura e a certeza de ser aptos, a mostrar que somos capazes de fazer e fazer bem feito. É apenas uma questão de fé ou otimismo – Porém não basta somente sonhar, viver este sonho é preciso.


(*) Professor da Escola de Ensino Fundamental e Médio Monsenhor Vicente Bezerra – Aurora – Ceará.
Foto: Favela Morumbi em São Paulo

AS MULHERES E A LUTA SOCIAL E POLÍTICA

Por  Jota de Aurora


AS MULHERES E A LUTA SOCIAL E POLÍTICA


“Mulheres dotadas de grande capacidade intelectual se revelariam às criminosas natas, mostrando-se incapazes de abnegação, paciência e altruísmo que caracterizam a maternidade, função primordial que comandaria toda a organização biológica e psicológica da mulher”.

(Médico e criminologista, Dr. Cesare Lombroso)



As mulheres que hoje ocupam 41% do mercado de trabalho, que lutaram tanto pela emancipação, são vitoriosas, pois conseguiram, concretizar apesar de muito sacrifício, o seu ideário de luta e vida, mas a princípio de 1886, a situação da mulher e sua reivindicação por maior participação na sociedade não eram vistas com bons olhos. A emancipação era vista pelos mais diversos setores sociais e tendências políticas como grave ameaça à ordem estabelecida, predomínio desta visão encontravam legitimidade até no pensamento científico da época. Conforme o filósofo Pimentel Lins, a filosofia considerava que a inferioridade da razão ente as mulheres era fato incontestável, cabendo a elas apenas cultivá-la na medida certa ao cumprimento de seus deveres naturais: obedecer ao marido e cuidar dos filhos. A medicina do séc. XIX afirmava que a fragilidade, o recato e o predomínio das faculdades afetivas sobre as intelectuais eram características biologicamente femininas, assim como a subordinação da sexualidade ao instinto maternal. Em oposição, o homem somaria sua força física, uma natureza autoritária, empreendedora, racional, e uma sexualidade sem freios.

O recurso da ironia e da comédia foi um poderoso instrumento para desmoralizar a luta pela emancipação feminina e reforçar o mito da inferioridade e passividade da mulher. Apesar desse tom depreciativo, essa abordagem não está tão distante da adotada por criminalistas e médicos da época, que alertavam para o perigo representado pela mulher intelectualizada. No Rio de Janeiro, vários médicos concordavam com essa afirmativa. Comentando os motivos que levariam as mulheres a cometer o terrível crime de infanticídio.

O Dr. Augusto Militão Pacheco aponta as “mulheres originais” distintas das demais “pela extrema devassidão, pelo gosto freme de pintar, escrever, viajar e etc.” São enquadradas nesse pensamento do Dr. Militão, primeiro a mulher infiel e depois a emancipada. Na virada de séc. XIX para o séc. XX a mulher emancipada e intelectual, e compenetrada de seus afazeres, era mau exemplo para outras mulheres, pois faziam como que acreditassem que elas poderiam viver sem o marido. Ao se recusarem a restringir o seu universo a maternidade e ao lar, desprezando suas funções naturais, essas mulheres de comportamento diferenciado, seriam a fonte de todos os flagelos sociais. Nenhum meio, foi desprezado na difusão do princípio de que o cuidado com os filhos exigia que a esfera feminina fosse aquela da casa, uma forma de salvaguardar os privilégios masculinos.

Nesse momento, ficava-se claro que além, dos males acarretados aos filhos, a competição que se desenvolveria entre homens e mulheres, seria prejudicial ao convívio conjugal. Lavando como conseqüência a ruína da instituição do matrimônio. O médico italiano Cesare Lombroso, conceituado criminologista do séc. XIX, fazia uma série de observações sobre a mulher dizendo que a mulher normal apresentaria uma série de comportamentos e ações que as assemelham as crianças, como um senso moral deficiente e uma tendência exagerada à vingança e ao ciúme. De maneira geral, isso tudo ficaria freado pela maternidade, frieza sexual e inteligência menor.

Lombroso faz uma leitura esdrúxula do pensamento e da intenção feminina, coloca que as moças honestas que procuram maior instrução poderiam incorrer em delitos. Depois de tão desiludida com o casamento, que era o destino esperado por quase todas as mulheres, que não suportavam as traições de seus cônjuges e os maus tratos sofridos, não lhes resta nada se não o delito, o suicídio ou a prostituição.

As questões voltadas também à profissionalização feminina, também foi muito criticada. As demais reivindicações do gênero, como os vistos ao exercício da plena cidadania, particularmente as lutas pelo voto, eram objetos de chacota com o objetivo de ridicularizá-las. Um bom exemplo é a crônica “mais uma reinvidicação feminina” (publicada na revista fon-fon, de 04/11/1908), disponível através do google pela Internet: revistas e matérias históricas.



“Já não são somente nas profissões, não se limitam aos direitos civis e políticos, as reinvidicações das nossas ardentes feministas. Há uma tendência pronunciada, para usar coisas até agora permitida ao sexo feio. É assim que brevemente, aparecera uma obra da ilustrada por alguma senhora... reivindicando o direito das senhoras usarem barba também.”

Carlos Alberto Kinkler, jornalista, escritor, cartunista e poeta.



Por trás dessa piada sem graça sobre as mulheres usarem barba, ilustra a visão da época que as feministas estavam ansiosas para ocupar não só as funções que eram privadas ao homem, mais também seus atributos físicos. Para terminar de vez o autor destaca mais uma das fraquezas da mulher: “(barba) servirá (...) para demonstrar a falsidade da alegação de que toda mulher é tagarela, pois necessariamente terão de ficar caladas pelo menos enquanto fazem à barba” (publicada na revista fon-fon, de 04/12/1908). Muitos autores da época tentaram se opor e até mesmo barrar esse avanço feminista em direção a sua emancipação, usando um tom de cavalheirismo e pieguice:


“Não concebo a mulher fora do seu ciclo apostrofando sobre os deuses ou discutindo a origem das espécies. Ela foi feita para domar o homem. O que será da humanidade no dia em que ela rasgar a camisola e sair às ruas, não mais com a leve sombrinha da seda mais sim com o humilhante cacetete do capanga eleitoral? Desaparecera (Desaparecerá) o encanto dos salões, a alma da paisagem, o amor do lar...”

(Pierre Corcant, cronista Francês que trabalhou no Jornal Gazeta nos anos de 1930 a 1948)


Colocações maldosas vêm à tona novamente e fatos que vira e mexe vem à tona, a impotência entre os diferentes atributos do homem e da mulher serem respeitados.

Reforça-se o pensamento de que a mulher tem de ser bela e recatada. Algumas crônicas propõem estratégias para a superação desses obstáculos, a fim de garantir as feias à possibilidade do casamento, única aspiração feminina, considerada legítima pela mentalidade machista da época.

Outros cronistas da época propunham que sejam realizados “leilões matrimoniais”, recurso para que as moças feias tivessem mais chance de conseguir o casamento. A curiosa conclusão é que a mulher não agraciada com a beleza, e relegada a humilhante situação de solteirona, buscaria vingança questionando sua condição e aderindo aos movimentos de emancipação. Veja um trecho da musica de Euclides Tavares, datada de 1923, chamada de A Mulher de Hoje:


O homem já perdeu o jeito

Já não pode fazer nada

O homem hoje fica em casa

Para as crianças tratar

E a mulher toda garbosa

Vai para rua passear

Pode a mulher todo trabalho

Do homem querer fazer

Mas... eu

Só tenho uma vingança

Homem não pode ela ser

Por isso mesmo não me caso

Pra mulher não me mandar

Este conselho dou a todos

Que se quer amarrar

Ai, ai, ai

Tudo ela quer

Pois seja tudo

Mas seja sempre mulher


A música dá uma boa noção da reação diante das iniciativas femininas para ter direito ao voto e ao trabalho. E apesar de tudo isso, mais e mais as mulheres reagiam no sentido de alterar sua posição em relação da esfera política e privada.

A virada do séc. XIX para o XX assinalou a marcha das mulheres para conquistar sua emancipação. Na constituição de 1891, as mulheres ainda não tinham direito a voto, direito conquistado em 1932, na Era Vargas. O Brasil foi o quarto país do mundo a permitir a mulher votar e ser votada (os outros três eram, pela ordem, Canadá, Estados Unidos Equador). Mas ainda hoje a participação da mulher em cargos públicos e na vida política, ainda é pequena.

Mais em 1999 elas já representavam 41,4% do total populacional que recebia salários iguais, no entanto, ainda é tabu. Na maior parte das vezes elas chegam aos cargos de chefia, recebendo um terço a menos do que eles. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), as mulheres estudam mais embora continuem a ganhar menos.

As mulheres já entram praticamente em todas as atividades antes reservadas a os homens. Elas são por “exemplo” mais de 40% dos advogados de São Paulo, são maioria em profissões como jornalismo, estão em todos os lugares, nas Forças Armadas, como motoristas de táxi e caminhões de carga e até nas lutas de boxe. Dois fatores contribuíram grandemente para esse avanço: a queda na taxa de fecundidade e o aumento do nível de instrução. A redução da fecundidade ocorreu com mais intensidade nos anos 70 e 80. Em 1960, as mulheres brasileiras tinham em média, 6,3 filhos. Em 1980, a média diminuiu para 4,4. No final dos anos 90, a taxa de fecundidade era de 2,3.

Hoje no Brasil, um quarto das famílias é chefiada por mulheres. De acordo com as estimativas, a participação feminina nos cargos mais altos e poderosos só será igual à dos homens, nos Estados Unidos, em 2064. No mundo inteiro, segundo a organização internacional do trabalho, isso só ocorrer por volta de 2472.

Conclui-se, pois que desde os primórdios da história humana, onde as mulheres têm um papel fundamental nessa trajetória como peças propulsoras da evolução social e do ser humano, que houve uma evolução gradativa da mulher no que diz respeito a os seus direitos e deveres, suas obrigações e aptidões.

Contudo se compararmos a vida dessas mulheres, no período da idade média com os dias atuais, são inúmeras as mudanças e vitórias, porém é muito pouco comparado a todo o sofrimento e humilhação que foram submetidas em todas as fases da história.

Mesmo com os direitos garantidos por Leis, como o direito ao voto, Lei Maria da Penha, Licença Maternidade e outros, muitas ainda passam por situações de violência, sexual, social e familiar, profissionalmente são diminuídas e os salários ainda são inferiores, como seres humanos ainda são tratadas em alguns casos como inferiores, submissas, quando na realidade estão prontas para desempenhar atividades que só os homens atuam, ainda melhor que eles, pois já chegaram a um pé de igualdade em nível de intelectualidade com os homens.

Numa conclusão mais abrangente, podemos dizer que esse trabalho busca mostrar que as mulheres têm direito de mostrar seus valores que são muitos, para uma sociedade machista e preconceituosa que até hoje impera de forma quase absoluta, não para ocupar os seus lugares na sociedade, mais como indivíduas constitutivas desse sociedade compondo a regulação e a harmonia dela de forma vital no lar, na família, na sociedade, na política e no mundo.



BIBLIOGRAFIA:

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História do Amor no Brasil / Mary Del Priore. 2. ed. São Paulo : Contexto, 2006

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Sexo, desvio e danação: as minorias na Idade média. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1993.


*Jota de Aurora, Historiador pela (Urca) e Especialista em História Social pela (UFC) e Mestrando pela mesma.