O Cariri Digital deseja para todos um 2010 cheio de paz e prosperidade. Feliz 2010 para todos.
Estou publicando votos de um Cearense para 2010. Enviado por email pelo amigo Marcos David. E que Deus nos abençoe nesse ano de 2010.
Feliz 2010 - votos de um cearense
Ano novo bem arretado pra vocês tudim !
Votos de um cearense para um 2010 bem pai d’égua.
Sobre as suas metas para o Ano Novo
Anote os seus querê e pendure num lugar que você enxergue todo dia.
Mesmo que seus objetivos estejam lá prá baixa da égua, vale à pena correr atrás. Não se agonie e nem esmoreça. Peleje.
Se vire num cão chupando manga e mêta o pé na carreira, pois pra gente conseguir o que quer, tem é Zé.
Lembre que pra ficar estribado é preciso trabalhar. Não fique só frescando por aí.
Sobre o amor
Não fique enrolando e arrudiando prá chegar junto de quem você gosta. Tome rumo, avie, se avexe.
Dê um desconto prá peste daquela cabrita que só bate fofo com você. Aperreia ela. Vai que dá certo e nasce um bruguelim réi amarelo.
Prestenção: você é uma corralinda. Se você ainda não tem ninguém, não pegue qualquer marmota. Escolha uma corralinda igual a você.
Não bula no que tá quieto. Num seja avexado, pois de tanto coisar com uma, coisar com outra, você acaba mesmo é com um chapéu de touro.
As cabritas num devem se agoniar. O certo é pastorar até encontrar alguém pai d'égua. Num devem se atracar com um cabra peba, malamanhado e fulerage. O segredo é pelejar e não desistir nunca. Num peça pinico e deixe quem quiser mangar. Um dia vai aparecer um machoréi da sua bitola.
Sobre o trabalho
Trabalhe, num se mêta a besta. Quem num dá um prego numa barra de sabão num tem vez não.
Se você vive fumando numa quenga, puto nas calças e não agenta mais aquele seu chefe réi fulerage, tenha calma, não adianta se ispritar. Se ele não lhe notou até agora é porque num tá nem aí se você rala o bucho no trabalho. Procure algo melhor e cape o gato assim que puder.
Se a lida não está como você quer, num bote boneco, num se aperreie e nem fique de lundu. Saia com aquele magote de amigos pra tomar uns merol. Tome umas meiotas e conte uma ruma de piadas que tudo melhora.
Sobre a sua vidinha
Você já é um cagado só por estar vivo. Pense nisso e agradeça a Deus.
Cuide bem dos bruguelos e da mulher. Dê sempre mais que o sustento, pois eles lhe dão o aconchego no fim da lida.
Não fique resmungando e batendo no quengo por besteira. Seje macho e pense positivo.
Num se avexe, num se aperreie e num se agonie. Num é nas carreira que se esfola um preá.
Arrumação motivacional
No forró da entrada do ano, coma aquela gororoba até encher o bucho. É prá dar sorte, mas cuidado, senão dá caganeira!!
Tome um burrim e tire o gosto com passarinha ou panelada que é prá num perder a mania.
Prá começar o ano dicunforça: -
Reflita sobre as besteiras do ano passado e rebole no mato os maus pensamentos.
Murche as orêia, respire fundo e grite bem alto: Sai mundiça !!!
Ah, e não esqueça do grito de guerra, que é prá dar mais sorte ainda: Queima raparigal !!!
Agora é só levantar a cabeça e desimbestar no rumo da venta que vai dar tudo certo em 2010, afinal de contas você é cearense ou, se não é, mora no coração do cearense.
E para os que não são da terrinha, ou são doidim prá ser, nosso desejo é que sejam tão felizes quanto nós.
Pense num ano que vai ser muito bom e alegre!
Respeite como vai ser pai d’égua esse 2010!
Colaboração de Marcos David, por email.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Interrupção
Por Luiz Domingos de Luna*
O Tempo quebra o espaço
No grito que foi sufocado
Corpo sem vida parado
Vago no tracejado Compasso
Deixei a marca no aço
Não completei a missão
Estou noutra dimensão
Não sei o que é que faço
A matéria não cabe em mim
A luz não curva o universo
Penso que atravesso
Um Horizonte sem fim
Estás próximo de mim
Mas como manter contato
Não sou um ser de fato
Mas uma onda sem fim
Falta o ponto linha ou cruz
Ou uma voz para falar
Não posso sempre vagar
Numa atmosfera sem luz
(*) Professor da Escola de Ensino Fundamental e Médio Monsenhor Vicente Bezerra – Aurora (CE)
O Tempo quebra o espaço
No grito que foi sufocado
Corpo sem vida parado
Vago no tracejado Compasso
Deixei a marca no aço
Não completei a missão
Estou noutra dimensão
Não sei o que é que faço
A matéria não cabe em mim
A luz não curva o universo
Penso que atravesso
Um Horizonte sem fim
Estás próximo de mim
Mas como manter contato
Não sou um ser de fato
Mas uma onda sem fim
Falta o ponto linha ou cruz
Ou uma voz para falar
Não posso sempre vagar
Numa atmosfera sem luz
(*) Professor da Escola de Ensino Fundamental e Médio Monsenhor Vicente Bezerra – Aurora (CE)
Notícias Inovação Tecnológica
Robô antropomimético terá esqueleto de plástico
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Deveria-se pagar menos pela energia?
Por Lula Morais
O Ceará tem a sexta maior tarifa de energia elétrica do Brasil, acima de estados ricos e 35% maior que a tarifa do consumidor residencial norte-americano. As razões para o cearense pagar uma tarifa abusiva estão no erro da metodologia do cálculo tarifário e, principalmente, na compra de energia mais cara pela Coelce junto a Termo fortaleza, empresa pertencente ao mesmo grupo econômico Endesa. Essas são as principais conclusões do relatório final da CPI do Aumento da Tarifa de Energia Elétrica.
O relatório está fundamentado em documentos, depoimentos de especialistas e de pessoas protagonistas dessa história. Atualmente como é de conhecimento público, está comprovado que a metodologia adotada pela Aneel, para os reajustes está equivocada, por implicar em desequilíbrio econômico financeiro do contrato em favor da concessionária e em prejuízo dos consumidores.
No ano de 2009 apuramos que se fosse aplicada a metodologia correta, o reajuste deveria ter sido de 7,15% , ao invés dos 13,93% autorizados pela Annel. Fato este detectado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e que vem ocorrendo desde 2002 em todo Brasil. Cálculos apresentados pela Fiec mostram que a diferença entre o gasto na compra de energia hidrelétrica, que a CGTF fez no mercado livre e revendeu para Coelce, a preço de energia térmica, totaliza R$ 1,2 bilhões. Cerca de R$ 220 milhões por ano de ganho extra, além do lucro. Valor equivalente ao preço da Coelce quando foi privatizada em 1988. Energia essa comprada no mercado livre em valores atuais de R$ 16,31 MWh e repassado para a Coelce por R$ 160,30, que joga na conta do consumidor cearense.
No ano de 2007, se a Coelce tivesse adquirido toda energia pelo preço médio do restante da energia comprada, ou seja, R$ 70,31 MWh, o índice de reposição teria sido de -20,15% e não -6,35% como foi aplicado. Desse modo, o que aparentou ser um reajuste negativo foi altamente positivo para a concessionária e a CGTF, que obtém lucros exorbitantes, que são transferidos para a Europa, subtraído da pobre economia cearense.
Considerando que direitos transindividuais de milhões de consumidores, foram frontalmente violados, identificamos infrações contra ordem econômica, vício de regulação e evidencia a captura do agente regulador pelo agente regulado, imposição de preços abusivos e por fim detectamos práticas abusivas sob a ótica da relação de consumo, ferindo Código de Defesa do Consumidor. Tudo isso com a anuência e omissão da Aneel.
Concluímos o relatório da CPI da Redução da Tarifa de Energia instalada na Assembleia Legislativa, resta agora após sua aprovação, que a Mesa Diretora da Casa encaminhe para o Governo do Estado do Ceará, Ministério Público Estadual, TCE, Ministérios de Minas e Energia, da Justiça e da Fazenda,Cade, Ministério Público Federal, OAB-CE e TCU, para adoção das providências cabíveis.
*Lula Morais é Deputado estadual /PCdoB e relator da CPI da redução da tarifa de energia
Fonte: Portal Vermelho
O Ceará tem a sexta maior tarifa de energia elétrica do Brasil, acima de estados ricos e 35% maior que a tarifa do consumidor residencial norte-americano. As razões para o cearense pagar uma tarifa abusiva estão no erro da metodologia do cálculo tarifário e, principalmente, na compra de energia mais cara pela Coelce junto a Termo fortaleza, empresa pertencente ao mesmo grupo econômico Endesa. Essas são as principais conclusões do relatório final da CPI do Aumento da Tarifa de Energia Elétrica.
O relatório está fundamentado em documentos, depoimentos de especialistas e de pessoas protagonistas dessa história. Atualmente como é de conhecimento público, está comprovado que a metodologia adotada pela Aneel, para os reajustes está equivocada, por implicar em desequilíbrio econômico financeiro do contrato em favor da concessionária e em prejuízo dos consumidores.
No ano de 2009 apuramos que se fosse aplicada a metodologia correta, o reajuste deveria ter sido de 7,15% , ao invés dos 13,93% autorizados pela Annel. Fato este detectado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e que vem ocorrendo desde 2002 em todo Brasil. Cálculos apresentados pela Fiec mostram que a diferença entre o gasto na compra de energia hidrelétrica, que a CGTF fez no mercado livre e revendeu para Coelce, a preço de energia térmica, totaliza R$ 1,2 bilhões. Cerca de R$ 220 milhões por ano de ganho extra, além do lucro. Valor equivalente ao preço da Coelce quando foi privatizada em 1988. Energia essa comprada no mercado livre em valores atuais de R$ 16,31 MWh e repassado para a Coelce por R$ 160,30, que joga na conta do consumidor cearense.
No ano de 2007, se a Coelce tivesse adquirido toda energia pelo preço médio do restante da energia comprada, ou seja, R$ 70,31 MWh, o índice de reposição teria sido de -20,15% e não -6,35% como foi aplicado. Desse modo, o que aparentou ser um reajuste negativo foi altamente positivo para a concessionária e a CGTF, que obtém lucros exorbitantes, que são transferidos para a Europa, subtraído da pobre economia cearense.
Considerando que direitos transindividuais de milhões de consumidores, foram frontalmente violados, identificamos infrações contra ordem econômica, vício de regulação e evidencia a captura do agente regulador pelo agente regulado, imposição de preços abusivos e por fim detectamos práticas abusivas sob a ótica da relação de consumo, ferindo Código de Defesa do Consumidor. Tudo isso com a anuência e omissão da Aneel.
Concluímos o relatório da CPI da Redução da Tarifa de Energia instalada na Assembleia Legislativa, resta agora após sua aprovação, que a Mesa Diretora da Casa encaminhe para o Governo do Estado do Ceará, Ministério Público Estadual, TCE, Ministérios de Minas e Energia, da Justiça e da Fazenda,Cade, Ministério Público Federal, OAB-CE e TCU, para adoção das providências cabíveis.
*Lula Morais é Deputado estadual /PCdoB e relator da CPI da redução da tarifa de energia
Fonte: Portal Vermelho
O Show na Terra
Por Luiz Domingos de Luna*
É muito fácil observar
A presilha dos seres humanos
Sentidos, prazeres, desenganos.
Uma paisagem a embelezar
Tudo parece um sonho
Emoções sentimentos
Um corpo lançado ao vento
Na busca de um mundo risonho
Cada um num carrossel a girar
O filme da vida pontuando
O Futuro ao presente ocupando
A Câmera a história registrar
A máquina humana em movimento
Os líquidos internos em plena ação
Uma desordem que vai parar- Pena!
Deixar a cadeira, para outro ocupar.
É um show com tempo determinado
É Viver plenamente a emoção?
É A razão e emoção conjuntamente
Ou o grande parque da Ilusão?
(*) Professor da Escola de Ensino Fundamental e Médio Monsenhor Vicente Bezerra – Aurora (CE)
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
O embate entre o governo Lula e a rede Globo
Por Dario Pignotti - Le Monde Diplomatique (Cone Sul e Espanha)
No início da década de 1980, centenas de milhares de brasileiros cantaram em coro “O povo não é bobo, abaixo a rede Globo!”, quando a corporação na qual se apoiou a ditadura militar censurou as mobilizações populares contra o regime militar, utilizando fotonovelas e futebol para tentar anestesiar a opinião pública. Hoje, um segmento crescente do público brasileiro expressa seu descontentamento frente o grupo midiático hegemônico. Medições de audiência e investigações acadêmicas detectaram um dado, em certa medida inédito, sobre as relações de produção e consumo de informação: a credibilidade da rede Globo, inquestionável durante décadas, começa a dar sinais de erosão.
Contudo, é possível perceber uma diferença substantiva entre a indignação atual e o descontentamento daqueles que repudiavam a Globo durante as mobilizações de três décadas atrás em defesa das eleições diretas (1). Em 1985, José Sarney, primeiro presidente civil desde o golpe de Estado de 1964, obstruiu qualquer pretensão de iniciativa reformista relativa à estrutura de propriedade midiática e ao direito à informação, em cumplicidade com a família Marinho – proprietária da Globo, da qual, aliás, era sócio. O atual chefe de Estado, Luiz Inácio Lula da Silva, parece disposto a iniciar a ainda pendente transição em direção à democracia na área da comunicação.
No início de 2009, no Fórum Social Mundial realizado na cidade de Belém, Lula convocou uma Conferência Nacional de Comunicação. A partir daí, mais de 10 mil pessoas discutiram em assembléias realizadas em todo o país os rumos da comunicação e definiram propostas para levar para a Conferência, realizada de 14 a 17 de dezembro, em Brasília. “É a primeira vez que o governo, a sociedade civil e os empresários discutem a comunicação; isso, por si só, já é uma derrota para a Globo e sua política de manter esse tema na penumbra (...) O presidente Lula demonstrou estar determinado a instalar na sociedade um debate sobre a democratização das comunicações; creio que isso terá um efeito pedagógico e poderá converter-se em um dos temas da campanha” (de 2010), assinala Joaquim Palhares, diretor da Carta Maior e delegado na Conferência.
O embate entre Lula e a Globo poderia ser resumido como uma disputa pela verossimilhança, um bem escasso no mercado noticioso brasileiro. Ao participar quase que diariamente de atos ou eventos públicos, o presidente dialoga de forma direta com a população, estabelecendo um contrato de confiança que contrasta com a obstinação dos meios dominantes em montar um discurso noticioso divorciado dos fatos que, às vezes, beira a ficção.
Lula configura um “fenômeno comunicacional singular; o povo acredita nele, não só porque fala a linguagem da gente simples, mas porque as pessoas mais carentes foram beneficiadas com seus programas sociais; isso é concreto, o Bolsa Família atende a 45 milhões de brasileiros que não prestam muita atenção ao que diz a Globo”, observa a professora Zélia Leal Adghirni, doutora em Comunicação e coordenadora do programa de investigação sobre Jornalismo e Sociedade da Universidade de Brasília.
“Por que Lula ganhou duas vezes as eleições (2002 e 2006), uma delas contra a manifesta vontade da Globo? Por que Lula tem uma popularidade de 80%?”, pergunta Adghirni (2), para quem “as teorias de comunicação clássica que estudamos na universidade não são aplicadas ao fenômeno Lula.Desde a teoria da ‘agulha hipodérmica’ até a da ‘agenda setting’, dizia-se que os meios formam a opinião ou pautam o temário do público, mas com Lula isso não ocorre: os meios de comunicação estão perdendo o monopólio da palavra”.
Por outro lado, como se sabe, a construção de consensos sociais não se galvaniza só com mensagens racionais ou versões críveis da realidade, também é necessário trabalhar no imaginário das massas, um território no qual a Globo segue sendo praticamente imbatível. A empresa do clã Marinho controla o patrimônio simbólico brasileiro: é a principal produtora de novelas e detém os direitos de transmissão das principais partidas de futebol e do carnaval carioca (3).
Frente à gigantesca indústria de entretenimento da Globo, o governo é praticamente impotente. Não obstante, a imagem do presidente-operário provavelmente ganhará contornos míticos em 2010, com o lançamento do longa-metragem Lula, o filho do Brasil, que será exibido no circuito comercial e em um outro alternativo (sindicatos e igrejas). O produtor Luis Carlos Barreto prevê que cerca de 20 milhões de pessoas assistirão à história do ex-torneiro mecânico que se tornou presidente, o que seria a maior bilheteria da história no país.
O balanço provisório da política de comunicação de Lula indica que esta tem sido errática. Em seu primeiro mandato (2203-2007), impulsionou a criação de um Conselho de Ética informativa, iniciativa que arquivou diante da reação empresarial. Após essa tentativa fracassada, o governo não voltou a incomodar as “cinco famílias” proprietárias da grande imprensa local, até o final de sua primeira gestão.
Em seu segundo governo – iniciado em 1° de janeiro de 2007, Lula nomeou Hélio Costa como ministro das Comunicações, um ex-jornalista da Globo que atua como representante oficioso da empresa no ministério. Mas enquanto a designação de Costa enviava um sinal conciliador aos grupos privados, Lula seguia uma linha de ação paralela.
Em março de 2008, o Senado, com a oposição cerrada do PSDB, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, aprovou o projeto do Executivo para a criação da Empresa Brasileira de Comunicações, um conglomerado público de meios que inclui a interessante TV Brasil, para a qual, em 2010, o Estado destinará cerca de 250 milhões de dólares. O generoso orçamento e a defesa da nova televisão pública feita pelos parlamentares do Partido dos Trabalhadores (PT) indicavam que Lula havia decidido enfrentar a direita política e midiática. Ao mesmo tempo em que media forças com a Globo – ainda que não de forma aberta -, Lula aproximou posições com as empresas de telefonia (interessadas em participar do mercado de conteúdos e disputar terreno com a Globo) e algumas televisões privadas, como a TV Record -de propriedade de uma igreja evangélica (4).
A estratégia foi tomando contornos mais firmes no final do mês de outubro quando Lula defendeu, durante uma cerimônia de inauguração dos novos estúdios da Record no Rio de Janeiro, o fim do ‘pensamento único’ capitaneado por alguns formadores de opinião (em óbvia alusão à Globo) e a construção de um modelo mais plural. Dias mais tarde, o mesmo Lula afirmava: “Quanto mais canais de TV e quanto mais debate político houver, mais democracia teremos (...) e menos monopólio na comunicação” (5).
Com um discurso monolítico e repleto de ressonâncias ideológicas próprias da Doutrina de Segurança Nacional (como associar qualquer objeção à liberdade de imprensa empresarial com ocultas maquinações “sovietizantes”), o grupo Globo lançou uma ofensiva, por meios de seus diversos veículos gráficos e eletrônicos, contra a incipiente tentativa do governo de estimular o debate sobre a atual ordem informativa, que alguns definem como um “latifúndio” eletrônico.
O primeiro passo neste sentido, assinala Joaquim Palhares, foi “esvaziar e boicotar a Conferência Nacional de Comunicação, retirando-se dela, dando um soco na mesa e saindo impestivamente para tentar deslegitimá-la”, movimento seguido por outros grupos midiáticos. O segundo movimento consistiu em articular um discurso institucional para fazer um cerco sanitário contra o contágio de iniciativas adotadas por governos sulamericanos como os da Argentina, Equador e Venezuela, orientadas na direção de uma reformulação do cenário midiático.
A Associação Brasileira de Rádio e Televisão (ABERT) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) “temem que o que ocorreu na Argentina se repita no Brasil; eles vêem essa lei como uma ameaça e começaram a manifestar sua solidariedade com a imprensa da Argentina”, afirma Zélia Leal Adghirni. O receio expresso pelas entidades representativas dos grandes conglomerados midiáticos é o seguinte: se o descontentamento regional contra a concentração informática ganha força junto à opinião pública brasileira, poderia romper-se a cadeia de inércia e conformismo que já dura décadas e, quem sabe, iniciar-se um gradual – nunca abrupto – processo de democratização.
O inverso também se aplica: se o Brasil, liderado por Lula, finalmente assumir como suas as teses do direito à informação e à democracia comunicacional, é certo que essa corrente de opinião, atualmente dispersa na América Sul, poderá adquirir uma vertebração e uma legitimidade de proporções continentais.
NOTAS
(1) Esse objetivo finalmente foi frustrado pelo regime, socorrido pela Globo, que montou um simulacro eleitoral proibindo o voto direto, graças ao qual os generais deixaram o poder sem sobressaltos nem investigações sobre violações de direitos humanos.
(2) A respeito da vitória de Lula nas eleições de 2006, ler Bernardo Kucinski, “O antilulismo na campanha de 2006 e suas raízes”, in. Venício Lima (compilador), “A mídia nas eleições de 2006”, Perseu Abramo, São Paulo, 2007.
(3) Em 1989, o então candidato à presidência Lula foi objeto de um golpe midiático, perpetrado pela Globo que, para impedir sua vitória, fabricou a candidatura de Fernando Collor de Mello, que deixaria o mandato em 1992, cercado de escândalos de corrupção. Dario Pignotii, “Globo: o partido mais poderoso do Brasil”, Le Monde Diplomatique, edição Cone Sul, Buenos Aires, setembro de 2007.
(4) Nos últimos anos, a TV Record, que pertence a neopetencostal Igreja Universal do Reino de Deus, arrebatou parte da audiência cativa da TV Globo, contra a qual iniciou uma guerra de denúncias. A Record veiculou um programa especial sobre a Globo, onde repassou seus vínculos com a ditadura. Por sua parte, a Globo denunciou calotes cometidos pela Record que, segundo investigações judiciais, estaria desviando dinheiro do dízimo dos fiéis.
(5) Luiz Inácio Lula da Silva, declarações na inauguração da nova sede do canal Rede TV, em Osasco, área metropolitana de São Paulo, 13/11/2009.
(*) Jornalista, Brasília, Doutor em Comunicação pela Universidade de São Paulo
Le Monde Diplomatique, edição Cone Sul.
Tradução: Katarina Peixoto
Fonte: www.cartamaior.com.br
CARIRI DIGITAL - O Cariri nas ondas da Internet
No início da década de 1980, centenas de milhares de brasileiros cantaram em coro “O povo não é bobo, abaixo a rede Globo!”, quando a corporação na qual se apoiou a ditadura militar censurou as mobilizações populares contra o regime militar, utilizando fotonovelas e futebol para tentar anestesiar a opinião pública. Hoje, um segmento crescente do público brasileiro expressa seu descontentamento frente o grupo midiático hegemônico. Medições de audiência e investigações acadêmicas detectaram um dado, em certa medida inédito, sobre as relações de produção e consumo de informação: a credibilidade da rede Globo, inquestionável durante décadas, começa a dar sinais de erosão.
Contudo, é possível perceber uma diferença substantiva entre a indignação atual e o descontentamento daqueles que repudiavam a Globo durante as mobilizações de três décadas atrás em defesa das eleições diretas (1). Em 1985, José Sarney, primeiro presidente civil desde o golpe de Estado de 1964, obstruiu qualquer pretensão de iniciativa reformista relativa à estrutura de propriedade midiática e ao direito à informação, em cumplicidade com a família Marinho – proprietária da Globo, da qual, aliás, era sócio. O atual chefe de Estado, Luiz Inácio Lula da Silva, parece disposto a iniciar a ainda pendente transição em direção à democracia na área da comunicação.
No início de 2009, no Fórum Social Mundial realizado na cidade de Belém, Lula convocou uma Conferência Nacional de Comunicação. A partir daí, mais de 10 mil pessoas discutiram em assembléias realizadas em todo o país os rumos da comunicação e definiram propostas para levar para a Conferência, realizada de 14 a 17 de dezembro, em Brasília. “É a primeira vez que o governo, a sociedade civil e os empresários discutem a comunicação; isso, por si só, já é uma derrota para a Globo e sua política de manter esse tema na penumbra (...) O presidente Lula demonstrou estar determinado a instalar na sociedade um debate sobre a democratização das comunicações; creio que isso terá um efeito pedagógico e poderá converter-se em um dos temas da campanha” (de 2010), assinala Joaquim Palhares, diretor da Carta Maior e delegado na Conferência.
O embate entre Lula e a Globo poderia ser resumido como uma disputa pela verossimilhança, um bem escasso no mercado noticioso brasileiro. Ao participar quase que diariamente de atos ou eventos públicos, o presidente dialoga de forma direta com a população, estabelecendo um contrato de confiança que contrasta com a obstinação dos meios dominantes em montar um discurso noticioso divorciado dos fatos que, às vezes, beira a ficção.
Lula configura um “fenômeno comunicacional singular; o povo acredita nele, não só porque fala a linguagem da gente simples, mas porque as pessoas mais carentes foram beneficiadas com seus programas sociais; isso é concreto, o Bolsa Família atende a 45 milhões de brasileiros que não prestam muita atenção ao que diz a Globo”, observa a professora Zélia Leal Adghirni, doutora em Comunicação e coordenadora do programa de investigação sobre Jornalismo e Sociedade da Universidade de Brasília.
“Por que Lula ganhou duas vezes as eleições (2002 e 2006), uma delas contra a manifesta vontade da Globo? Por que Lula tem uma popularidade de 80%?”, pergunta Adghirni (2), para quem “as teorias de comunicação clássica que estudamos na universidade não são aplicadas ao fenômeno Lula.Desde a teoria da ‘agulha hipodérmica’ até a da ‘agenda setting’, dizia-se que os meios formam a opinião ou pautam o temário do público, mas com Lula isso não ocorre: os meios de comunicação estão perdendo o monopólio da palavra”.
Por outro lado, como se sabe, a construção de consensos sociais não se galvaniza só com mensagens racionais ou versões críveis da realidade, também é necessário trabalhar no imaginário das massas, um território no qual a Globo segue sendo praticamente imbatível. A empresa do clã Marinho controla o patrimônio simbólico brasileiro: é a principal produtora de novelas e detém os direitos de transmissão das principais partidas de futebol e do carnaval carioca (3).
Frente à gigantesca indústria de entretenimento da Globo, o governo é praticamente impotente. Não obstante, a imagem do presidente-operário provavelmente ganhará contornos míticos em 2010, com o lançamento do longa-metragem Lula, o filho do Brasil, que será exibido no circuito comercial e em um outro alternativo (sindicatos e igrejas). O produtor Luis Carlos Barreto prevê que cerca de 20 milhões de pessoas assistirão à história do ex-torneiro mecânico que se tornou presidente, o que seria a maior bilheteria da história no país.
O balanço provisório da política de comunicação de Lula indica que esta tem sido errática. Em seu primeiro mandato (2203-2007), impulsionou a criação de um Conselho de Ética informativa, iniciativa que arquivou diante da reação empresarial. Após essa tentativa fracassada, o governo não voltou a incomodar as “cinco famílias” proprietárias da grande imprensa local, até o final de sua primeira gestão.
Em seu segundo governo – iniciado em 1° de janeiro de 2007, Lula nomeou Hélio Costa como ministro das Comunicações, um ex-jornalista da Globo que atua como representante oficioso da empresa no ministério. Mas enquanto a designação de Costa enviava um sinal conciliador aos grupos privados, Lula seguia uma linha de ação paralela.
Em março de 2008, o Senado, com a oposição cerrada do PSDB, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, aprovou o projeto do Executivo para a criação da Empresa Brasileira de Comunicações, um conglomerado público de meios que inclui a interessante TV Brasil, para a qual, em 2010, o Estado destinará cerca de 250 milhões de dólares. O generoso orçamento e a defesa da nova televisão pública feita pelos parlamentares do Partido dos Trabalhadores (PT) indicavam que Lula havia decidido enfrentar a direita política e midiática. Ao mesmo tempo em que media forças com a Globo – ainda que não de forma aberta -, Lula aproximou posições com as empresas de telefonia (interessadas em participar do mercado de conteúdos e disputar terreno com a Globo) e algumas televisões privadas, como a TV Record -de propriedade de uma igreja evangélica (4).
A estratégia foi tomando contornos mais firmes no final do mês de outubro quando Lula defendeu, durante uma cerimônia de inauguração dos novos estúdios da Record no Rio de Janeiro, o fim do ‘pensamento único’ capitaneado por alguns formadores de opinião (em óbvia alusão à Globo) e a construção de um modelo mais plural. Dias mais tarde, o mesmo Lula afirmava: “Quanto mais canais de TV e quanto mais debate político houver, mais democracia teremos (...) e menos monopólio na comunicação” (5).
Com um discurso monolítico e repleto de ressonâncias ideológicas próprias da Doutrina de Segurança Nacional (como associar qualquer objeção à liberdade de imprensa empresarial com ocultas maquinações “sovietizantes”), o grupo Globo lançou uma ofensiva, por meios de seus diversos veículos gráficos e eletrônicos, contra a incipiente tentativa do governo de estimular o debate sobre a atual ordem informativa, que alguns definem como um “latifúndio” eletrônico.
O primeiro passo neste sentido, assinala Joaquim Palhares, foi “esvaziar e boicotar a Conferência Nacional de Comunicação, retirando-se dela, dando um soco na mesa e saindo impestivamente para tentar deslegitimá-la”, movimento seguido por outros grupos midiáticos. O segundo movimento consistiu em articular um discurso institucional para fazer um cerco sanitário contra o contágio de iniciativas adotadas por governos sulamericanos como os da Argentina, Equador e Venezuela, orientadas na direção de uma reformulação do cenário midiático.
A Associação Brasileira de Rádio e Televisão (ABERT) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) “temem que o que ocorreu na Argentina se repita no Brasil; eles vêem essa lei como uma ameaça e começaram a manifestar sua solidariedade com a imprensa da Argentina”, afirma Zélia Leal Adghirni. O receio expresso pelas entidades representativas dos grandes conglomerados midiáticos é o seguinte: se o descontentamento regional contra a concentração informática ganha força junto à opinião pública brasileira, poderia romper-se a cadeia de inércia e conformismo que já dura décadas e, quem sabe, iniciar-se um gradual – nunca abrupto – processo de democratização.
O inverso também se aplica: se o Brasil, liderado por Lula, finalmente assumir como suas as teses do direito à informação e à democracia comunicacional, é certo que essa corrente de opinião, atualmente dispersa na América Sul, poderá adquirir uma vertebração e uma legitimidade de proporções continentais.
NOTAS
(1) Esse objetivo finalmente foi frustrado pelo regime, socorrido pela Globo, que montou um simulacro eleitoral proibindo o voto direto, graças ao qual os generais deixaram o poder sem sobressaltos nem investigações sobre violações de direitos humanos.
(2) A respeito da vitória de Lula nas eleições de 2006, ler Bernardo Kucinski, “O antilulismo na campanha de 2006 e suas raízes”, in. Venício Lima (compilador), “A mídia nas eleições de 2006”, Perseu Abramo, São Paulo, 2007.
(3) Em 1989, o então candidato à presidência Lula foi objeto de um golpe midiático, perpetrado pela Globo que, para impedir sua vitória, fabricou a candidatura de Fernando Collor de Mello, que deixaria o mandato em 1992, cercado de escândalos de corrupção. Dario Pignotii, “Globo: o partido mais poderoso do Brasil”, Le Monde Diplomatique, edição Cone Sul, Buenos Aires, setembro de 2007.
(4) Nos últimos anos, a TV Record, que pertence a neopetencostal Igreja Universal do Reino de Deus, arrebatou parte da audiência cativa da TV Globo, contra a qual iniciou uma guerra de denúncias. A Record veiculou um programa especial sobre a Globo, onde repassou seus vínculos com a ditadura. Por sua parte, a Globo denunciou calotes cometidos pela Record que, segundo investigações judiciais, estaria desviando dinheiro do dízimo dos fiéis.
(5) Luiz Inácio Lula da Silva, declarações na inauguração da nova sede do canal Rede TV, em Osasco, área metropolitana de São Paulo, 13/11/2009.
(*) Jornalista, Brasília, Doutor em Comunicação pela Universidade de São Paulo
Le Monde Diplomatique, edição Cone Sul.
Tradução: Katarina Peixoto
Fonte: www.cartamaior.com.br
CARIRI DIGITAL - O Cariri nas ondas da Internet
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
100 livros essenciais da literatura brasileira
Dom Casmurro, Macunaíma, O Tempo e o Vento e outras obras fantásticas que você deve ler uma vez na vida
Quais são os 100 livros fundamentais, essenciais, imperdíveis da literatura brasileira? Que romance, poesia, crônica ou conto você não pode deixar de ler na vida? Dom Casmurro, Brás Cubas, Macunaíma, Sargento de Milícias, Grande Sertão Veredas e outras grandes obras do Brasil. A revista Bravo selecionou os 100 melhores livros dos melhores autores do país. Aqueles clássicos que caem no vestibular com 100% de certeza. Um ranking dos livros mais importantes do Brasil. Veja a lista no final do texto ou siga as dicas de 17 educadoras que selecionaram os livros essenciais para ler dos 2 aos 18 anos e chegar a vida adulta com boas referências, no hotsite Biblioteca Básica.
Escritores costumam ser, até por ofício, bons frasistas. É com essa habilidade em manejar palavras, afinal, que constroem suas obras, e é em parte por causa dela que caem no esquecimento ou passam para a história. Uma dessas frases, famosa, é de um dos autores que figuram nesta edição, Monteiro Lobato: "Um país se faz com homens e livros". Quase um século depois, a sentença é incômoda: o que fazer para fazer deste um Brasil melhor? No que lhe cabe, a literatura ainda não deu totalmente as suas respostas.
Outro grande criador de frases, mais cínico na sua genialidade, é o dramaturgo e escritor Nelson Rodrigues, outro autor representado nesta edição. Dizer que "toda unanimidade é burra" é muito mais que um dito espirituoso: significa mesmo uma postura em relação às coisas do mundo e do homem tão crucial quanto aquela do criador do Sítio do Picapau Amarelo.
É evidente que o ranking das 100 obras obrigatórias da literatura brasileira feito nesta edição não encontrará unanimidade entre os leitores. Alguns discordarão da ordem, outros eliminariam títulos ou acrescentariam outros. E é bom que seja assim, é bom que haja o dissenso: ficamos longe da burrice dos cânones dos velhos compêndios e da tradição mumificada.
Embora tenha sua inevitável dose de subjetividade, a seleção feita nesta edição, contudo, está longe de ser arbitrária. Os livros que, em seus gêneros (romance, poesia, crônica, dramaturgia) ajudaram a construir a identidade da literatura nacional não foram desprezados (na relação geral e na ordem). Nem foram deixados de lado aqueles destacados pelas várias correntes da crítica, muito menos os que a própria revista BRAVO!, na sua missão de divulgar o que de melhor tem sido produzido na cultura brasileira, julgou merecer.
O resultado é um guia amplo, ao mesmo tempo informativo e útil. Para o leitor dos livros de ontem e hoje, do consagrado e do que pode apontar para o inovador. Não só para a literatura, mas também, como queria Lobato, para os homens e para o país que ainda temos de construir. A seguir, os 100 livros essenciais da literatura brasileira, listados em ordem alfabética de autor. Leia e divirta-se!
Adélia Prado: Bagagem
Aluísio Azevedo: O Cortiço
Álvares de Azevedo: Lira dos Vinte Anos
Noite na Taverna
Antonio Callado: Quarup
Antônio de Alcântara Machado: Brás, Bexiga e Barra Funda
Ariano Suassuna: Romance d'A Pedra do Reino
Augusto de Campos: Viva Vaia
Augusto dos Anjos: Eu
Autran Dourado: Ópera dos Mortos
Basílio da Gama: O Uruguai
Bernando Élis: O Tronco
Bernando Guimarães: A Escrava Isaura
Caio Fernando Abreu: Morangos Mofados
Carlos Drummond de Andrade: A Rosa do Povo
Claro Enigma
Castro Alves: Os Escravos
Espumas Flutuantes
Cecília Meireles: Romanceiro da Inconfidência
Mar Absoluto
Clarice Lispector: A Paixão Segundo G.H.
Laços de Família
Cruz e Souza: Broquéis
Dalton Trevisan: O Vampiro de Curitiba
Dias Gomes: O Pagador de Promessas
Dyonélio Machado: Os Ratos
Erico Verissimo: O Tempo e o Vento
Euclides da Cunha: Os Sertões
Fernando Gabeira: O que é Isso, Companheiro?
Fernando Sabino: O Encontro Marcado
Ferreira Gullar: Poema Sujo
Gonçalves Dias: I-Juca Pirama
Graça Aranha: Canaã
Graciliano Ramos: Vidas Secas
São Bernardo
Gregório de Matos: Obra Poética
Guimarães Rosa: O Grande Sertão: Veredas
Sagarana
Haroldo de Campos: Galáxias
Hilda Hilst: A Obscena Senhora D
Ignágio de Loyola Brandão: Zero
João Antônio: Malagueta, Perus e Bacanaço
João Cabral de Melo Neto: Morte e Vida Severina
João do Rio:A Alma Encantadora das Ruas
João Gilberto Noll: Harmada
João Simões Lopes Neto: Contos Gauchescos
João Ubaldo Ribeiro: Viva o Povo Brasileiro
Joaquim Manuel de Macedo: A Moreninha
Jorge Amado: Gabriela, Cravo e Canela
Terras do Sem Fim
Jorge de Lima: Invenção de Orfeu
José Cândido de Carvalho: O Coronel e o Lobisomen
José de Alencar: O Guarani
Lucíola
José J. Veiga: Os Cavalinhos de Platiplanto
José Lins do Rego: Fogo Morto
Lima Barreto: Triste Fim de Policarpo Quaresma
Lúcio Cardoso: Crônica da Casa Assassinada
Luis Fernando Verissimo: O Analista de Bagé
Luiz Vilela: Tremor de Terra
Lygia Fagundes Telles: As Meninas
Seminário dos Ratos
Machado de Assis: Memórias Póstumas de Brás Cubas
Dom Casmurro
Manuel Antônio de Almeida: Memórias de um Sargento de Milícias
Manuel Bandeira: Libertinagem
Estrela da Manhã
Márcio Souza: Galvez, Imperador do Acre
Mário de Andrade: Macunaíma;
Paulicéia Desvairada
Mário Faustino: o Homem e Sua Hora
Mário Quintana: Nova Antologia Poética
Marques Rebelo: A Estrela Sobe
Menotti Del Picchia: Juca Mulato
Monteiro Lobato: O Sítio do Pica-pau Amarelo
Murilo Mendes: As Metamorfoses
Murilo Rubião: O Ex-Mágico
Nelson Rodrigues: Vestido de Noiva
A Vida Como Ela É
Olavo Bilac: Poesias
Osman Lins: Avalovara
Oswald de Andrade: Serafim Ponte Grande
Memórias Sentimentais de João Miramar
Otto Lara Resende: O Braço Direito
Padre Antônio Vieira: Sermões
Paulo Leminski: Catatau
Pedro Nava: Baú de Ossos
Plínio Marcos: Navalha de Carne
Rachel de Queiroz: O Quinze
Raduan Nassar: Lavoura Arcaica
Um Copo de Cólera
Raul Pompéia: O Ateneu
Rubem Braga: 200 Crônicas Escolhidas
Rubem Fonseca: A Coleira do Cão
Sérgio Sant'Anna: A Senhorita Simpson
Stanislaw Ponte Preta: Febeapá
Tomás Antônio Gonzaga: Marília de Dirceu
Cartas Chilenas
Vinícius de Moraes: Nova Antologia Poética
Visconde de Taunay: Inocência
Fonte: http://educarparacrescer.abril.com.br
Cariri Digital: O Cariri nas Ondas da Internet
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Pingo da vida?
Por Luiz Domingos de Luna*
Começou a girar
Fiquei a olhar
O Seu caminho
Desceu a ladeira
Parou um segundo
Estava imundo
Cheio de poeira
Bolinha consistente
Ganhou conteúdo
Da parte o tudo
Sempre à frente
Rolou num tinteiro
Ficou colorido
Bicho sabido
Fugiu bem ligeiro
Atravessou uma vala
Passou na ferida
A Vida levava
Pingo complicado
É a vida da ferida
O pingo da vida
Ou tudo - interrogado ?
(*) Professor da Escola de Ensino Fundamental e Médio Monsenhor Vicente Bezerra – Aurora – (CE)
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Notícias - Inovação Tecnológica
Buracos negros devoram estrelas de dentro para fora
Segundo a nova teoria, as erupções de raios gama vêm diretamente dos buracos negros, quando eles avançam em direção às estrelas vizinhas e as engolem. Leia mais...Telas impressas levam filmes para a embalagem de produtos
Em vez de simples rótulos que, ainda que coloridos e criativos, são sempre estáticos, as embalagens poderão conter animações e até filmes. Leia mais...Criado laser capaz de emitir múltiplos feixes de luz simultaneamente
A tecnologia, que traz uma flexibilidade sem precedentes para a área dos lasers, é totalmente adaptável, podendo ser utilizada em inúmeros campos, da detecção de compostos químicos, ao monitoramento climático e às telecomunicações. Leia mais...Sofia vai revelar os segredos do nascimento dos planetas
Para fazer boas observações astronômicas, nem sempre é necessário usar foguetes e telescópios espaciais. Algumas vezes, um mero avião é suficiente - ainda que seja um "mero" Boeing 747. Leia mais...Nano-agricultura: efeitos gigantescos sobre o crescimento das plantas
Em um feito que lembra a lenda João e o Pé de Feijão, cientistas demonstraram que os nanotubos de carbono têm efeitos dramáticos sobre o desenvolvimento das plantas. Leia mais...Batido recorde de transmissão de dados entre hemisférios Norte e Sul
Equipe da Unesp bateu recorde de transmissão digital de dados entre hemisférios Sul e Norte e venceu o Bandwidth Challenge Award, competição realizada durante conferência mundial nos Estados Unidos. Leia mais...Pneus com nanotecnologia diminuem consumo de combustível
As nanopartículas, com cerca de 50 nanômetros de diâmetro, permitem uma conexão mais precisa entre os diversos elementos que entram na composição dos pneus, sobretudo a sílica e os silanos. Leia mais...Microrrobôs começam aquecimento para campeonato mundial
O objetivo da competição é avaliar características que os futuros microrrobôs precisarão para desempenhar tarefas como microcirurgias no interior do corpo humano e fabricação de nanomáquinas. Leia mais...Simulador planeja trajeto de caminhões de carga em rodovias
O programa leva em conta as características mecânicas dos caminhões pesados, o perfil geométrico das rodovias e até o estilo de dirigir do motorista. Leia mais...LHC poderá testar propulsão hiperdrive para naves espaciais
A teoria de uma propulsão em hipervelocidade pode ser testada pelo Grande Colisor de Hádrons sem nenhuma interferência com os experimentos científicos que lá estarão sendo conduzidos. Leia mais...Fonte: www.inovacaotecnologica.com.br
Concurso Público é Investimento
Luiz Domingos de Luna*
A tradição no Brasil sempre a carregar costumes que estão fora do processo de desenvolvimento, assim, este gigante pela própria natureza fica transfigurado num anão quando os agentes públicos, servidores em esferas: municipal, estadual, federal são escolhidos por critérios subjetivos, parentescos, amizade, e qualquer outro, que não tenha como foco o conhecimento. Esta prática tem feito a felicidade de uns em detrimento do bom funcionamento do Estado Democrático de Direito.
A Constituição de 1988, sabiamente, focou esta luz que posta na prática de forma intensiva e abusiva vai aparelhando o estado para uma nova roupagem de ações concretas por profissionais que estão em serviço por mérito, sem a preocupação de estar agradando ao desagradando à alguém, afinal, o objetivo do funcionário é servir e servir bem ao estado e por conseguinte a sociedade como um todo.
É mister afirmar que: a premissa parte do todo, da totalidade, do conjunto maior, do colegiado que forma a sociedade, assim, os interesses, ou indicações ,ou subjetividade são dissolvida no bem maior, o bem estar da sociedade como um todo.
Quanto maior e mais transparentes forem às ações do estado maior será à força de coesão da sociedade; nisto, reside o principio da civilidade, tão necessária para a harmonia do conjunto heterogêneo, e de: ter a aptidão para o convívio com as diferenças e com os diferentes sem o uso do etnocentrismo, praga que ceifa todo o processo civilizatório, força que emperra e embrutece o processo de socialização, tão necessário, para o bom convívio dos seres humanos no espaço tempo.
Quando uma instituição, prima pela seriedade, compromisso social, sempre dentro de uma ética exemplar passa para a sociedade estes princípios ativos, todos os integrantes do contrato social são beneficiados, pois, o processo é possuidor de lisura, de lealdade, de coesão social, o corpo a exercer a nova função foi escolhido dentro de padrões característicos de atitudes que dão a credibilidade necessária para o exercício da atribuição; pois, todo o processo, deste o surgimento foi balizado no mérito por meios constitucionais, legais, com a devida probidade, universalidade e, principalmente, com meios de civilidade e transparência, ficando no consciente coletivo, o modelo a ser seguido, o norte a ser desenhado, o objetivo a ser alcançado, a meta a ser cumprida; assim, a chama da cidadania faz aflorar um novo mundo, uma nova luz.
A seriedade e a transparência vetores de esperança de toda uma gama de jovens desta e das futuras gerações.
(*) Professor da Escola de Ensino Fundamental e Médio Monsenhor Vicente Bezerra – Aurora – (CE)
A tradição no Brasil sempre a carregar costumes que estão fora do processo de desenvolvimento, assim, este gigante pela própria natureza fica transfigurado num anão quando os agentes públicos, servidores em esferas: municipal, estadual, federal são escolhidos por critérios subjetivos, parentescos, amizade, e qualquer outro, que não tenha como foco o conhecimento. Esta prática tem feito a felicidade de uns em detrimento do bom funcionamento do Estado Democrático de Direito.A Constituição de 1988, sabiamente, focou esta luz que posta na prática de forma intensiva e abusiva vai aparelhando o estado para uma nova roupagem de ações concretas por profissionais que estão em serviço por mérito, sem a preocupação de estar agradando ao desagradando à alguém, afinal, o objetivo do funcionário é servir e servir bem ao estado e por conseguinte a sociedade como um todo.
É mister afirmar que: a premissa parte do todo, da totalidade, do conjunto maior, do colegiado que forma a sociedade, assim, os interesses, ou indicações ,ou subjetividade são dissolvida no bem maior, o bem estar da sociedade como um todo.
Quanto maior e mais transparentes forem às ações do estado maior será à força de coesão da sociedade; nisto, reside o principio da civilidade, tão necessária para a harmonia do conjunto heterogêneo, e de: ter a aptidão para o convívio com as diferenças e com os diferentes sem o uso do etnocentrismo, praga que ceifa todo o processo civilizatório, força que emperra e embrutece o processo de socialização, tão necessário, para o bom convívio dos seres humanos no espaço tempo.
Quando uma instituição, prima pela seriedade, compromisso social, sempre dentro de uma ética exemplar passa para a sociedade estes princípios ativos, todos os integrantes do contrato social são beneficiados, pois, o processo é possuidor de lisura, de lealdade, de coesão social, o corpo a exercer a nova função foi escolhido dentro de padrões característicos de atitudes que dão a credibilidade necessária para o exercício da atribuição; pois, todo o processo, deste o surgimento foi balizado no mérito por meios constitucionais, legais, com a devida probidade, universalidade e, principalmente, com meios de civilidade e transparência, ficando no consciente coletivo, o modelo a ser seguido, o norte a ser desenhado, o objetivo a ser alcançado, a meta a ser cumprida; assim, a chama da cidadania faz aflorar um novo mundo, uma nova luz.
A seriedade e a transparência vetores de esperança de toda uma gama de jovens desta e das futuras gerações.
(*) Professor da Escola de Ensino Fundamental e Médio Monsenhor Vicente Bezerra – Aurora – (CE)
Notícias do Diário da Saúde
Segunda pele: curativo é biodegradável e aplica antibióticos O segredo dos novos curativos está nas fibras projetadas especialmente para conterem medicamentos antibióticos e se degradarem em contato com o corpo humano. Leia mais... Um grupo multidisciplinar, composto por bioengenheiros, ortopedistas, neurologistas e neurocirurgiões, conseguiu reconstruir uma "ponte" entre a mão artificial e o cérebro do paciente. Leia mais... O novo exame usa uma técnica totalmente diferente do ultrassom, não gerando imagens 3D apenas da aparência do bebê, mas do corpo inteiro do feto, incluindo seus órgãos internos. Leia mais... Novas conexões entre neurônios começam a se formar logo após o aprendizado de uma nova tarefa. Leia mais... Por que as mulheres vivem mais dos que os homens? Os pesquisadores analisaram ratos criados com material genético de duas mães e nenhum pai. Os filhotes livres de qualquer material genético herdado de um macho viveram em média 30% mais. Leia mais... As pessoas solitárias tendem a dividir a solidão com outras pessoas e, gradativamente acabam, em grupo, se afastando dos seus círculos sociais. Leia mais... A expectativa de vida da população brasileira passou de 69,66 anos, em 1998, para 72,86 anos, em 2008. Leia mais... Religião e medicina: Algumas vezes, uma receita com alto poder curativo "Há uma crença subjacente de que há algo além deste mundo que é basicamente um mundo melhor. É muito mais fácil discutir de forma construtiva com famílias que acreditam nisso do que com aquelas que não acreditam." Leia mais... O supercomputador vai ser instalado no Campus do Cérebro, em Macaíba (RN) e será dedicado a pesquisas em neurociências. A previsão é que ele comece a funcionar em meados de 2010. Leia mais... Em todos os parâmetros analisados, a diferença na qualidade das cicatrizes foi surpreendente, em favor dos pacientes submetidos à laserterapia. Leia mais... As medidas da Organização Mundial da Saúde mostram uma alteração radical na forma de enfrentamento da doença que vinha sendo conduzida nos últimos anos. Leia mais... |
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sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Intervozes lança vídeo sobre Direito à Comunicação
Numa linguagem inspirada no filme de Jorge Furtado, diretor do documentário "Ilha das Flores" vídeo compara a regulação da comunicação no Brasil com a lei da selva, onde os mais fortes ditam as regras.
Já está disponível no Observatório do Direito à Comunicação o vídeo do Intervozes sobre a temática do Direito à Comunicação. O curta traz uma breve história da concentração dos meios de comunicação no Brasil, com os nomes dos principais atores do cenário, e um panorama sobre a dificuldade de se ter uma comunicação mais democrática no país.
Na história, a personagem central representa telespectadores que encontram barreiras para conseguir se fazerem ouvidas frente ao monopólio dos grandes grupos empresariais de mídia. Assim, registra-se a dificuldade que existe no Brasil no cumprimento de normas constitucionais que garantem um cenário mais democrático. A linguagem escolhida para o vídeo foi a mesma do curta “A Ilha de Flores”, devido à simplicidade com que o diretor Jorge Furtado tenta expor características de uma sociedade capitalista. “Fizemos esta opção porque queríamos falar de maneira leve sobre um tema pesado, com pontos polêmicos e difíceis”, explica Pedro Ekman, integrante do coletivo e roteirista do vídeo.
Um dos exemplos do cerceamento à voz da população é ilustrado pela batalha da rádio comunitária Constelação, criada em 1998 por cegos e dirigidas a este público. Os irmãos Roberto e Raimundo da Silva, fundadores da rádio em Belo Horizonte, tentam há mais de 10 anos conseguir uma autorização do Ministério das Comunicações para funcionar legalmente. Enquanto há eles não obtem uma resposta do Minis, tiveram a sede fechada e Roberto foi condenado à prisão por dois anos, em um caso onde a rádio foi tratada como Pirata. “Ali aparece como o Estado lida com os meios alternativos de comunicação”, percebe Paulo. O Ministério das Comunicações ainda não concedeu licença de funcionamento para a rádio.
O vídeo se soma a outros trabalhos que o Coletivo tem produzido, inclusive como material de contribuição para a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). Recentemente, um caderno de propostas foi lançado tratando sobre outros aspectos da Comunicação como regulamentações e alternativas, como o sistema público de televisão e rádio. “Uma das principais contribuições é levar os assuntos que detalhamos para debate. O vídeo não esmiuça tanto quanto os materiais escritos, mas amplia o potencial de formulação de propostas e abre a linguagem para pessoas que tem dificuldade de entender esta discussão”, aposta Pedro.
Veja aqui o vídeo disponibilizado no Observatório do Direito à Comunicação.
Baixe aqui a íntegra do vídeo.
Intervozes - Levante sua voz from Pedro Ekman on Vimeo.
Fonte: http://www.intervozes.org.br
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
A cultura do excesso e alguns mitos da interatividade
Por Rodrigo Jacobus*
Entre as mudanças decorrentes da chamada Revolução Informacional, dois aspectos marcantes circundam os debates em torno do tema: a multiplicação dos meios e fluxos comunicacionais, e o surgimento de inúmeros canais de interatividade que supostamente possibilitam maior participação das audiências. Mas até que ponto estas transformações estão operando no sentido de ampliar o debate público e promover o desenvolvimento humano?
A carga de transformações da chamada Revolução Informacional vem interferindo significativamente no modus vivendi das sociedades contemporâneas. Novas rotinas são estabelecidas nas relações sociais, compondo um quadro de incertezas oriundo da necessidade de adequação à velocidade intrínseca ao crescente desenvolvimento tecnológico. Paul Virilio, em sua obra A arte do motor, antevê mazelas decorrentes dos novos tempos, em que a midiatização generalizada ocupa papel determinante, e a reflexão, calcada no raciocínio e na memória, cede lugar a um agir condicionado por reflexos. A redução dos espaços que definem as distâncias reais e físicas rompe com a grandeza natural do mundo e associa-se à lei do menor esforço, introduzindo um consumo desmedido de invenções que tendem a aumentar a velocidade de tudo. No encalço desta lógica, cujo discurso propõe eficiência, pressupõe-se maior aproximação interpessoal e participação interativa. Na prática, a cultura do excesso corrompe as possibilidades e potenciais do ferramental tecnológico.
O ritmo resultante dessa combinação acelera o viver de modo questionável. A voracidade da produção atravessa a esfera pública e gera uma recepção desenfreada da densa carga informacional, de modo que o ganho temporal acaba tomado pela própria lógica que o criou, ocupando-se de modo muito mais quantitativo que qualitativo. Junto à expansão dos espaços comunicacionais, cujo desenvolvimento está diretamente associado à crescente popularização da Internet e à consequente digitalização dos meios, é inegável que se ampliam as possibilidades de produção e participação. Em contrapartida, as relações humanas são cada vez mais marcadas pelo efêmero e o fugaz, conduzindo a uma espécie de isolamento físico que caracteriza uma das principais faces do chamado hiperindividualismo. Se, por um lado, há uma crescente qualificação técnica que expande as capacidades humanas a limites nunca imaginados, por outro, há uma redução dos vínculos com a realidade, estabelecendo-se uma atomização que se amplifica na mesma medida em que a tecnologia enquanto bem de consumo invade os cotidianos.
Há um abismo entre o avanço tecnológico e a nossa capacidade de avaliar e lidar com a real necessidade de tantas opções. A cultura do excesso tende a contaminar os debates com discursos publicitários excessivamente otimistas, que relativizam as contradições e omitem o fato de que a exagerada fartura de inovações é imanente ao modo de produção capitalista, movido por uma carga de intencionalidades que atuam como o grande motor dos motores de Virilio. Assim, se as novas tecnologias ampliam e dinamizam a nossa capacidade de interação e acesso à informação, não obstante podem agir modestamente no sentido de promover a reflexão. A imposição cultural da lógica quantitativa em detrimento da qualitativa, a supervalorização do avanço técnico em lugar do conteúdo, e a submissão da audiência à lógica do mercado abrem demasiado espaço à entorpecente indústria do entretenimento e à reafirmação cíclica do culto ao hedonismo. O amanhã é tratado com certa indiferença, sob a ótica de um despretensioso olhar vislumbrado, conformado com as possíveis consequências da produção em um modelo com tendências centralistas e monopolistas.
Entre as consequências mais graves deste nebuloso caminho, há o risco eminente de um colapso social tal qual Saramago alertou em seu Ensaio sobre a cegueira. Uma quebra no fluxo a que estamos habituados pode jogar a sociedade no caos e rapidamente esmagar os projetos civilizatórios sob orientação hegemônica do capitalismo. E, neste caso, é grande a possibilidade de uma convulsão social sem precedentes, pois a grande maioria não está preparada para uma repentina interrupção cultural. Os estímulos a que estamos sendo submetidos nos tornaram irresponsavelmente dependentes da estrutura oferecida, e esta se tornou mais importante que nós mesmos. Urge a necessidade de um rompimento de caráter distributivo e organicamente orientado para uma nova lógica, mais próxima do pensamento sistêmico e orientada pela solidariedade e pelo bem-estar social para além de discursos políticos eleitoreiros e falaciosos.
A diluição informacional inerente à Internet tende a comprometer a visibilidade massiva, mas sugere uma falsa aparência de participação efetiva. Em termos de interferência na esfera pública, por exemplo, é preciso aceitar que o movimento em torno dos inúmeros blogs independentes ainda é incapaz de competir com a influência da grande mídia monopólica, que continua concentrando as maiores audiências em torno do viés mercadológico. Assim, é necessário valorizar as alternativas descentralizadoras, mas também é preciso resgatar o envolvimento da sociedade civil na elaboração do próprio rumo, ampliando o debate público em torno de temas comuns à grande maioria e combatendo a excessiva diluição das informações veiculadas. É preciso reconsiderar a lógica de produção da mídia e buscar a formação de redes que compartilhem objetivos, rompendo com a ideia de audiência enquanto produto e fomentando a participação real dos receptores para muito além do papel de meros consumidores.
[* Mestrando pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação (FABICO/UFRGS). Atua na comunicação comunitária como colaborador junto à Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária do Rio Grande do Sul (ABRAÇO-RS) e radiocoms de Porto Alegre e Região Metropolitana. É membro do Grupo de Pesquisa Comunicação, Economia Política e Sociedade (CEPOS/UNISINOS). E-mail: rodrigojacobus@gmail.com]
* Instituto Humanitas Unisinos
Fonte: Adital
www.adital.com.br
Entre as mudanças decorrentes da chamada Revolução Informacional, dois aspectos marcantes circundam os debates em torno do tema: a multiplicação dos meios e fluxos comunicacionais, e o surgimento de inúmeros canais de interatividade que supostamente possibilitam maior participação das audiências. Mas até que ponto estas transformações estão operando no sentido de ampliar o debate público e promover o desenvolvimento humano?
A carga de transformações da chamada Revolução Informacional vem interferindo significativamente no modus vivendi das sociedades contemporâneas. Novas rotinas são estabelecidas nas relações sociais, compondo um quadro de incertezas oriundo da necessidade de adequação à velocidade intrínseca ao crescente desenvolvimento tecnológico. Paul Virilio, em sua obra A arte do motor, antevê mazelas decorrentes dos novos tempos, em que a midiatização generalizada ocupa papel determinante, e a reflexão, calcada no raciocínio e na memória, cede lugar a um agir condicionado por reflexos. A redução dos espaços que definem as distâncias reais e físicas rompe com a grandeza natural do mundo e associa-se à lei do menor esforço, introduzindo um consumo desmedido de invenções que tendem a aumentar a velocidade de tudo. No encalço desta lógica, cujo discurso propõe eficiência, pressupõe-se maior aproximação interpessoal e participação interativa. Na prática, a cultura do excesso corrompe as possibilidades e potenciais do ferramental tecnológico.
O ritmo resultante dessa combinação acelera o viver de modo questionável. A voracidade da produção atravessa a esfera pública e gera uma recepção desenfreada da densa carga informacional, de modo que o ganho temporal acaba tomado pela própria lógica que o criou, ocupando-se de modo muito mais quantitativo que qualitativo. Junto à expansão dos espaços comunicacionais, cujo desenvolvimento está diretamente associado à crescente popularização da Internet e à consequente digitalização dos meios, é inegável que se ampliam as possibilidades de produção e participação. Em contrapartida, as relações humanas são cada vez mais marcadas pelo efêmero e o fugaz, conduzindo a uma espécie de isolamento físico que caracteriza uma das principais faces do chamado hiperindividualismo. Se, por um lado, há uma crescente qualificação técnica que expande as capacidades humanas a limites nunca imaginados, por outro, há uma redução dos vínculos com a realidade, estabelecendo-se uma atomização que se amplifica na mesma medida em que a tecnologia enquanto bem de consumo invade os cotidianos.
Há um abismo entre o avanço tecnológico e a nossa capacidade de avaliar e lidar com a real necessidade de tantas opções. A cultura do excesso tende a contaminar os debates com discursos publicitários excessivamente otimistas, que relativizam as contradições e omitem o fato de que a exagerada fartura de inovações é imanente ao modo de produção capitalista, movido por uma carga de intencionalidades que atuam como o grande motor dos motores de Virilio. Assim, se as novas tecnologias ampliam e dinamizam a nossa capacidade de interação e acesso à informação, não obstante podem agir modestamente no sentido de promover a reflexão. A imposição cultural da lógica quantitativa em detrimento da qualitativa, a supervalorização do avanço técnico em lugar do conteúdo, e a submissão da audiência à lógica do mercado abrem demasiado espaço à entorpecente indústria do entretenimento e à reafirmação cíclica do culto ao hedonismo. O amanhã é tratado com certa indiferença, sob a ótica de um despretensioso olhar vislumbrado, conformado com as possíveis consequências da produção em um modelo com tendências centralistas e monopolistas.
Entre as consequências mais graves deste nebuloso caminho, há o risco eminente de um colapso social tal qual Saramago alertou em seu Ensaio sobre a cegueira. Uma quebra no fluxo a que estamos habituados pode jogar a sociedade no caos e rapidamente esmagar os projetos civilizatórios sob orientação hegemônica do capitalismo. E, neste caso, é grande a possibilidade de uma convulsão social sem precedentes, pois a grande maioria não está preparada para uma repentina interrupção cultural. Os estímulos a que estamos sendo submetidos nos tornaram irresponsavelmente dependentes da estrutura oferecida, e esta se tornou mais importante que nós mesmos. Urge a necessidade de um rompimento de caráter distributivo e organicamente orientado para uma nova lógica, mais próxima do pensamento sistêmico e orientada pela solidariedade e pelo bem-estar social para além de discursos políticos eleitoreiros e falaciosos.
A diluição informacional inerente à Internet tende a comprometer a visibilidade massiva, mas sugere uma falsa aparência de participação efetiva. Em termos de interferência na esfera pública, por exemplo, é preciso aceitar que o movimento em torno dos inúmeros blogs independentes ainda é incapaz de competir com a influência da grande mídia monopólica, que continua concentrando as maiores audiências em torno do viés mercadológico. Assim, é necessário valorizar as alternativas descentralizadoras, mas também é preciso resgatar o envolvimento da sociedade civil na elaboração do próprio rumo, ampliando o debate público em torno de temas comuns à grande maioria e combatendo a excessiva diluição das informações veiculadas. É preciso reconsiderar a lógica de produção da mídia e buscar a formação de redes que compartilhem objetivos, rompendo com a ideia de audiência enquanto produto e fomentando a participação real dos receptores para muito além do papel de meros consumidores.
[* Mestrando pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação (FABICO/UFRGS). Atua na comunicação comunitária como colaborador junto à Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária do Rio Grande do Sul (ABRAÇO-RS) e radiocoms de Porto Alegre e Região Metropolitana. É membro do Grupo de Pesquisa Comunicação, Economia Política e Sociedade (CEPOS/UNISINOS). E-mail: rodrigojacobus@gmail.com]
* Instituto Humanitas Unisinos
Fonte: Adital
www.adital.com.br
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
A implantação da TV digital aberta no Brasil
Por Sebastião Squirra e Valdecir Becker em 24/11/2009
Apresentação de TV Digital.Br: Conceitos e Estudos sobre o ISDB-Tb, de S. Squirra e Valdecir Becker (orgs.), 280 pp., Ateliê Editorial, Cotia, 2009
O livro TV Digital.BR: conceitos e estudos sobre o ISDB-Tb surgiu de um desafio proposto pelo grupo de estudos temático TV digital interativa, um dos subgrupos do Comtec (Comunicação e Tecnologias Digitais), da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp). O grupo de TV Digital Interativa é composto pelos professores do curso de especialização Produção para TV Digital Interativa, oferecido pela instituição, desde o começo de 2007, e por especialistas nas diferentes áreas cobertas pela TV digital. Foi criado para estudar e entender melhor a dinâmica da implantação da TV digital aberta no Brasil.

Considerando a pouca literatura em português existente sobre o assunto, e que aborde de forma dinâmica e compreensível os principais temas, foi proposto o desafio de lançar um livro que sirva de base para os estudos dos interessados em entender TV digital interativa holisticamente. Por isso, este livro é, antes de mais nada, extremamente multidisciplinar. Cobre as mais variadas facetas da digitalização da radiodifusão e os ambientes convergentes frutos da mesma.
Os temas foram definidos seguindo o arcabouço de conhecimentos necessários para um profissional poder atuar plenamente nessa nova tecnologia, idealizando e implantando novos conteúdos. O perfil desse profissional passa pelo domínio de conceitos técnicos sobre TV digital, funcionamento da interatividade e transmissão do software em redes de televisão.
Visão geral dos componentes
Além disso, a digitalização da TV e a conseqüente interatividade não acontecem de forma isolada ou desconexa dos demais aspectos da evolução tecnológica. Novas tecnologias são lançadas, diariamente, com repercussões tanto nas formas de distribuição, caso dos telefones celulares, agora aptos a receber sinal de TV, quanto na publicidade, que paga os custos do conteúdo e da implantação.
Baseado neste cenário, onde se exige cada vez mais conhecimento dos profissionais de televisão, este livro procura mostrar a amplitude do tema, abordando desde aspectos conceituais sobre a digitalização da televisão aberta no Brasil, até pontos teóricos do alcance e implicação dessa tecnologia.
O objetivo deste livro não é esgotar o assunto, nem ser uma referência teórica. É apresentar TV digital interativa sem preconceitos, dentro de um contexto de produção multimídia e multifacetada, no qual o conteúdo audiovisual é acessível através de diversas fontes, além da televisão. Por isso, foram convidados especialistas em produção para dispositivos móveis e para internet, uma vez que essas duas ferramentas estão cada vez mais próximas da televisão, seja oferecendo conteúdo, seja servindo de canal de retorno para as aplicações interativas. Além disso, o livro apresenta uma parte conceitual, na qual são discutidos aspectos técnicos e teóricos sobre TV digital, interatividade e comunicação. Também é apresentado o desenvolvimento de aplicações, sob um viés prático, englobando conceitos e métodos.
Assim, o primeiro capítulo traz um texto do professor Carlos Montez, da Universidade Federal de Santa Catarina, sobre a conceituação da TV digital e os processos de digitalização do sinal televisivo. Conforme o texto, a TV digital interativa pode ser considerada como uma evolução dos seus antepassados analógicos: a TV preto e branco e a TV em cores. No entanto, esse novo tipo de TV precisa ser tratado como uma nova mídia, e não uma simples junção de tecnologias de TV com tecnologias de computador e de internet. Ainda assim, o estudo dos componentes que formam essa nova mídia pode ser feito de uma forma analítica, separando e analisando cada tecnologia e teoria que estão por trás desse sistema. Dessa forma, o texto do professor Carlos Montez apresenta uma visão geral dos componentes que formam uma TV digital interativa.
Canais de retorno para manifestações individuais
Mesmo sem entrar profundamente em cada assunto, apresenta detalhadamente as teorias de cor e seu tratamento no olho humano, como acontece a formação do vídeo no cérebro humano, a teoria da conversão do analógico para digital, compressão de dados e os componentes envolvidos na transmissão de TV digital. No final do capítulo, esses tópicos acabam convergindo na explicação do set top box, que tem papel fundamental durante a transição da TV analógica convencional para a TV digital interativa.
O capítulo dois traz um artigo do professor Sebastião Squirra, professor da Umesp e coordenador do Comtec. Ele parte da premissa de que a TV é o meio de comunicação popular mais consumido no Brasil, há várias décadas, mas cujo modelo atual está com os dias contados. A evolução tecnológica e os principais participantes do mundo digital atual apontam para mudanças, uma vez que o homem está profunda e irrecusavelmente integrado, miscigenado, às mídias digitais para conexões e intercâmbios em intermináveis tipos e configurações.
O professor explica que a vida já é digital e esta tecnologia, onipresente. As pessoas passarão a assistir aos programas de televisão no modelo e visualização da internet, numa hibridização midiática ainda não experimentada, muito menos praticada em larga escala. A conjunção tecnológica trará para os telespectadores a interatividade, elemento nativo na web, mas que estará plenamente integrado aos aparelhos de TV em todos os lares, estimulando a inserção digital. Pela primeira vez na história da comunicação massiva, os telespectadores terão canais de retorno para a expressão dos seus desejos e manifestações individuais. Este é o Brasil que nasce em dezembro de 2007.
Sincronismo de mídia e adaptabilidade
Contextualizando essa evolução, porém focando a TV digital, os pesquisadores Almir Almas e Ana Vitoria Joly debatem a televisão digital brasileira e o acesso público no capítulo três. O texto visa explorar o impacto que a introdução da tecnologia de digitalização da radiodifusão exerce na televisão brasileira, examinando as principais interações entre a criatividade e a esfera popular, dentro do contexto histórico. Ao analisar questões sobre o que pode ocorrer no Brasil, no futuro próximo, com ênfase em assuntos relacionados com a digitalização da televisão e as mídias interativas, surge o foco no acesso público, na participação comunitária e nos conteúdos gerados pelos telespectadores, visando à inclusão digital através da interatividade.
A seguir, no capítulo quatro, os jornalistas Alexandre Mendonça e Fernando Crocomo apresentam a produção interativa de televisão. Muito se fala na valorização do conteúdo na TV digital interativa, em processo de implantação no Brasil. Se, por um lado, a comunidade que lida com conteúdo de mídia, aguarda com expectativa a chegada da nova tecnologia; de outro lado, especialistas da área tecnológica procuram entender ao máximo os recursos a serem disponibilizados. O objetivo deste capítulo é discutir a importância do trabalho multidisciplinar na produção de conteúdo para TV digital interativa; o que muda no processo de produção de programas interativos, e como um novo formato de roteiro de TV pode ajudar na integração entre todos os envolvidos na transmissão de um programa interativo. O capítulo mostra que o trabalho conjunto entre as áreas pode resultar em opções mais ricas de conteúdo, indo além do recurso técnico e permitindo que a interatividade realmente seja útil e interessante para o usuário. Experiências dos autores mostraram que aplicativos interativos, pensados na linguagem dessa nova mídia, precisam ser o mais próximo possível de um diálogo, no qual o apresentador, ou o conteúdo sendo apresentado, convida o usuário a participar.
Todo conteúdo interativo é desenvolvido e visualizado a partir de uma plataforma de interatividade, chamada tecnicamente de middleware. Esse suporte à interatividade foi totalmente desenvolvido no Brasil, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). O professor Luiz Fernando Gomes Soares, da PUC-Rio, apresenta, no capítulo cinco, o ambiente para desenvolvimento de aplicações declarativas, chamado de Ginga-NCL. Ele explica que as aplicações com o foco no sincronismo de mídia e adaptabilidade devem representar a maior parte das aplicações de um sistema de TV digital. Prover um bom suporte para a execução e apresentação de tais aplicações é função do ambiente declarativo de um middleware. Nos middlewares atuais, tais funções, com exceção da interatividade, têm sido resolvidas através de scripts em uma linguagem procedural embutida no ambiente declarativo, e não por um suporte verdadeiramente declarativo da linguagem. Sem perder a compatibilidade com os outros padrões, ao contrário das implementações correntes, o Ginga oferece um ambiente puramente declarativo, através da linguagem NCL, para a definição e tratamento do sincronismo de mídia e da adaptabilidade, bem como para o suporte à utilização de múltiplos dispositivos de interação e exibição.
Vídeo é incipiente, mas tem potencial
Completando o assunto, Günter Herweg Filho apresenta no capítulo seis a linguagem NCL e o desenvolvimento de aplicações declarativas para TV interativa, além do modelo conceitual NCM. O middleware Ginga é parte integrante do decodificador da televisão digital, sendo responsável pelo gerenciamento das aplicações feitas em NCL. Já o NCM (Nested Context Model) é um modelo conceitual para representação e manipulação de documentos hipermídia que podem ser aninhados, formando estruturas contextualizadas. É neste modelo que a linguagem NCL se baseia.
No capítulo sete, os pesquisadores Rogério Furlan e Karla Caldas Ehrenberg mostram como é feita a produção de conteúdo para dispositivos móveis. A união entre a TV e o celular demanda a atuação de três grandes áreas da comunicação: os fabricantes de aparelhos que colocam no mercado produtos com muitas funcionalidades; as produtoras e emissoras que buscam a melhor maneira de produzir os seus conteúdos; as empresas de telefonia que estudam a forma ideal de transmissão dos sinais. Este artigo dá ênfase ao debate sobre a produção de conteúdo audiovisual, abordando as diferenças entre a TV tradicional e o celular. Sugere opções de planos, enquadramentos e outras questões técnicas que devem ser observadas e adaptadas, quando o assunto em pauta é a produção de conteúdo para dispositivos móveis.
Dentro dessa perspectiva de abordar áreas correlatas à TV digital interativa, mas com reflexos na produção e distribuição de conteúdo, o professor Sammyr Freitas apresenta a produção audiovisual para a internet, no capítulo oito. O artigo contextualiza a comunicação audiovisual na web, analisando as implicações de desse meio como distribuidor de conteúdo e produtor de conteúdo. Apresenta e discute de forma completa as ferramentas e profissionais envolvidos no processo, concluindo que o vídeo, na internet, ainda é incipiente, principalmente na qualidade, mas tem muito potencial com o surgimento de novas redes peer-to-peer, inclusive em alta definição.
Conseqüências para usabilidade
No capítulo nove, a pesquisadora Alia Nasim Chaudhry discute os rumos da publicidade interativa. O texto mostra como a revolução digital está mudando o cotidiano das pessoas, principalmente na forma de comunicar. O telefone celular, a internet e uma infinidade produtos digitais passaram a fazer parte do dia a dia das pessoas. Da mesma forma, a publicidade evoluiu, chegando ao consumidor em novos meios, com campanhas mais segmentadas e formatos cada vez mais personalizados aos perfis de público-alvo. O consumidor, por sua vez, deixa a passividade de lado, e interage com o conteúdo publicitário. Neste momento, chega a TV digital ao Brasil, trazendo desafios e novas oportunidades para a publicidade, que procura através dos formatos consolidados em outros meios digitais e de exemplos estrangeiros, um novo caminho para a TV no país.
Para finalizar, o professor e coordenador do curso de Especialização Produção em TV Digital, da Umesp, Valdecir Becker, discute a usabilidade na TV digital interativa no capítulo dez. O texto introduz o contexto teórico da interatividade na TV, discutindo as mais recentes abordagens da Interação Humano-Computador, visando a explicar a relação do ser humano com tecnologias digitais. Ao analisar a relação truncada entre teoria e prática na IHC, busca-se entender se as aplicações interativas, na televisão, demandam novas ferramentas e adequações teóricas para poderem ser compreendidas sob um aspecto mais amplo. Aborda-se a teoria da atividade como base para o entendimento de como o ser humano usa a tecnologia, neste caso específico, a televisão interativa, o que inclui o contexto em que acontece a interatividade, e as conseqüências para a usabilidade.
Fechando o livro, são apresentadas as pessoas que ajudaram a construir este trabalho. O livro pode ser lido em diversas ordens, sem comprometer a compreensão dos assuntos. No entanto, o entendimento de alguns termos técnicos usados nos primeiros capítulos pode ser necessário para o pleno entendimento dos textos sobre produção.
Boa leitura.
Fonte: Observatório da Imprensa
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=565AZL002
Apresentação de TV Digital.Br: Conceitos e Estudos sobre o ISDB-Tb, de S. Squirra e Valdecir Becker (orgs.), 280 pp., Ateliê Editorial, Cotia, 2009
O livro TV Digital.BR: conceitos e estudos sobre o ISDB-Tb surgiu de um desafio proposto pelo grupo de estudos temático TV digital interativa, um dos subgrupos do Comtec (Comunicação e Tecnologias Digitais), da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp). O grupo de TV Digital Interativa é composto pelos professores do curso de especialização Produção para TV Digital Interativa, oferecido pela instituição, desde o começo de 2007, e por especialistas nas diferentes áreas cobertas pela TV digital. Foi criado para estudar e entender melhor a dinâmica da implantação da TV digital aberta no Brasil.

Considerando a pouca literatura em português existente sobre o assunto, e que aborde de forma dinâmica e compreensível os principais temas, foi proposto o desafio de lançar um livro que sirva de base para os estudos dos interessados em entender TV digital interativa holisticamente. Por isso, este livro é, antes de mais nada, extremamente multidisciplinar. Cobre as mais variadas facetas da digitalização da radiodifusão e os ambientes convergentes frutos da mesma.
Os temas foram definidos seguindo o arcabouço de conhecimentos necessários para um profissional poder atuar plenamente nessa nova tecnologia, idealizando e implantando novos conteúdos. O perfil desse profissional passa pelo domínio de conceitos técnicos sobre TV digital, funcionamento da interatividade e transmissão do software em redes de televisão.
Visão geral dos componentes
Além disso, a digitalização da TV e a conseqüente interatividade não acontecem de forma isolada ou desconexa dos demais aspectos da evolução tecnológica. Novas tecnologias são lançadas, diariamente, com repercussões tanto nas formas de distribuição, caso dos telefones celulares, agora aptos a receber sinal de TV, quanto na publicidade, que paga os custos do conteúdo e da implantação.
Baseado neste cenário, onde se exige cada vez mais conhecimento dos profissionais de televisão, este livro procura mostrar a amplitude do tema, abordando desde aspectos conceituais sobre a digitalização da televisão aberta no Brasil, até pontos teóricos do alcance e implicação dessa tecnologia.
O objetivo deste livro não é esgotar o assunto, nem ser uma referência teórica. É apresentar TV digital interativa sem preconceitos, dentro de um contexto de produção multimídia e multifacetada, no qual o conteúdo audiovisual é acessível através de diversas fontes, além da televisão. Por isso, foram convidados especialistas em produção para dispositivos móveis e para internet, uma vez que essas duas ferramentas estão cada vez mais próximas da televisão, seja oferecendo conteúdo, seja servindo de canal de retorno para as aplicações interativas. Além disso, o livro apresenta uma parte conceitual, na qual são discutidos aspectos técnicos e teóricos sobre TV digital, interatividade e comunicação. Também é apresentado o desenvolvimento de aplicações, sob um viés prático, englobando conceitos e métodos.
Assim, o primeiro capítulo traz um texto do professor Carlos Montez, da Universidade Federal de Santa Catarina, sobre a conceituação da TV digital e os processos de digitalização do sinal televisivo. Conforme o texto, a TV digital interativa pode ser considerada como uma evolução dos seus antepassados analógicos: a TV preto e branco e a TV em cores. No entanto, esse novo tipo de TV precisa ser tratado como uma nova mídia, e não uma simples junção de tecnologias de TV com tecnologias de computador e de internet. Ainda assim, o estudo dos componentes que formam essa nova mídia pode ser feito de uma forma analítica, separando e analisando cada tecnologia e teoria que estão por trás desse sistema. Dessa forma, o texto do professor Carlos Montez apresenta uma visão geral dos componentes que formam uma TV digital interativa.
Canais de retorno para manifestações individuais
Mesmo sem entrar profundamente em cada assunto, apresenta detalhadamente as teorias de cor e seu tratamento no olho humano, como acontece a formação do vídeo no cérebro humano, a teoria da conversão do analógico para digital, compressão de dados e os componentes envolvidos na transmissão de TV digital. No final do capítulo, esses tópicos acabam convergindo na explicação do set top box, que tem papel fundamental durante a transição da TV analógica convencional para a TV digital interativa.
O capítulo dois traz um artigo do professor Sebastião Squirra, professor da Umesp e coordenador do Comtec. Ele parte da premissa de que a TV é o meio de comunicação popular mais consumido no Brasil, há várias décadas, mas cujo modelo atual está com os dias contados. A evolução tecnológica e os principais participantes do mundo digital atual apontam para mudanças, uma vez que o homem está profunda e irrecusavelmente integrado, miscigenado, às mídias digitais para conexões e intercâmbios em intermináveis tipos e configurações.
O professor explica que a vida já é digital e esta tecnologia, onipresente. As pessoas passarão a assistir aos programas de televisão no modelo e visualização da internet, numa hibridização midiática ainda não experimentada, muito menos praticada em larga escala. A conjunção tecnológica trará para os telespectadores a interatividade, elemento nativo na web, mas que estará plenamente integrado aos aparelhos de TV em todos os lares, estimulando a inserção digital. Pela primeira vez na história da comunicação massiva, os telespectadores terão canais de retorno para a expressão dos seus desejos e manifestações individuais. Este é o Brasil que nasce em dezembro de 2007.
Sincronismo de mídia e adaptabilidade
Contextualizando essa evolução, porém focando a TV digital, os pesquisadores Almir Almas e Ana Vitoria Joly debatem a televisão digital brasileira e o acesso público no capítulo três. O texto visa explorar o impacto que a introdução da tecnologia de digitalização da radiodifusão exerce na televisão brasileira, examinando as principais interações entre a criatividade e a esfera popular, dentro do contexto histórico. Ao analisar questões sobre o que pode ocorrer no Brasil, no futuro próximo, com ênfase em assuntos relacionados com a digitalização da televisão e as mídias interativas, surge o foco no acesso público, na participação comunitária e nos conteúdos gerados pelos telespectadores, visando à inclusão digital através da interatividade.
A seguir, no capítulo quatro, os jornalistas Alexandre Mendonça e Fernando Crocomo apresentam a produção interativa de televisão. Muito se fala na valorização do conteúdo na TV digital interativa, em processo de implantação no Brasil. Se, por um lado, a comunidade que lida com conteúdo de mídia, aguarda com expectativa a chegada da nova tecnologia; de outro lado, especialistas da área tecnológica procuram entender ao máximo os recursos a serem disponibilizados. O objetivo deste capítulo é discutir a importância do trabalho multidisciplinar na produção de conteúdo para TV digital interativa; o que muda no processo de produção de programas interativos, e como um novo formato de roteiro de TV pode ajudar na integração entre todos os envolvidos na transmissão de um programa interativo. O capítulo mostra que o trabalho conjunto entre as áreas pode resultar em opções mais ricas de conteúdo, indo além do recurso técnico e permitindo que a interatividade realmente seja útil e interessante para o usuário. Experiências dos autores mostraram que aplicativos interativos, pensados na linguagem dessa nova mídia, precisam ser o mais próximo possível de um diálogo, no qual o apresentador, ou o conteúdo sendo apresentado, convida o usuário a participar.
Todo conteúdo interativo é desenvolvido e visualizado a partir de uma plataforma de interatividade, chamada tecnicamente de middleware. Esse suporte à interatividade foi totalmente desenvolvido no Brasil, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). O professor Luiz Fernando Gomes Soares, da PUC-Rio, apresenta, no capítulo cinco, o ambiente para desenvolvimento de aplicações declarativas, chamado de Ginga-NCL. Ele explica que as aplicações com o foco no sincronismo de mídia e adaptabilidade devem representar a maior parte das aplicações de um sistema de TV digital. Prover um bom suporte para a execução e apresentação de tais aplicações é função do ambiente declarativo de um middleware. Nos middlewares atuais, tais funções, com exceção da interatividade, têm sido resolvidas através de scripts em uma linguagem procedural embutida no ambiente declarativo, e não por um suporte verdadeiramente declarativo da linguagem. Sem perder a compatibilidade com os outros padrões, ao contrário das implementações correntes, o Ginga oferece um ambiente puramente declarativo, através da linguagem NCL, para a definição e tratamento do sincronismo de mídia e da adaptabilidade, bem como para o suporte à utilização de múltiplos dispositivos de interação e exibição.
Vídeo é incipiente, mas tem potencial
Completando o assunto, Günter Herweg Filho apresenta no capítulo seis a linguagem NCL e o desenvolvimento de aplicações declarativas para TV interativa, além do modelo conceitual NCM. O middleware Ginga é parte integrante do decodificador da televisão digital, sendo responsável pelo gerenciamento das aplicações feitas em NCL. Já o NCM (Nested Context Model) é um modelo conceitual para representação e manipulação de documentos hipermídia que podem ser aninhados, formando estruturas contextualizadas. É neste modelo que a linguagem NCL se baseia.
No capítulo sete, os pesquisadores Rogério Furlan e Karla Caldas Ehrenberg mostram como é feita a produção de conteúdo para dispositivos móveis. A união entre a TV e o celular demanda a atuação de três grandes áreas da comunicação: os fabricantes de aparelhos que colocam no mercado produtos com muitas funcionalidades; as produtoras e emissoras que buscam a melhor maneira de produzir os seus conteúdos; as empresas de telefonia que estudam a forma ideal de transmissão dos sinais. Este artigo dá ênfase ao debate sobre a produção de conteúdo audiovisual, abordando as diferenças entre a TV tradicional e o celular. Sugere opções de planos, enquadramentos e outras questões técnicas que devem ser observadas e adaptadas, quando o assunto em pauta é a produção de conteúdo para dispositivos móveis.
Dentro dessa perspectiva de abordar áreas correlatas à TV digital interativa, mas com reflexos na produção e distribuição de conteúdo, o professor Sammyr Freitas apresenta a produção audiovisual para a internet, no capítulo oito. O artigo contextualiza a comunicação audiovisual na web, analisando as implicações de desse meio como distribuidor de conteúdo e produtor de conteúdo. Apresenta e discute de forma completa as ferramentas e profissionais envolvidos no processo, concluindo que o vídeo, na internet, ainda é incipiente, principalmente na qualidade, mas tem muito potencial com o surgimento de novas redes peer-to-peer, inclusive em alta definição.
Conseqüências para usabilidade
No capítulo nove, a pesquisadora Alia Nasim Chaudhry discute os rumos da publicidade interativa. O texto mostra como a revolução digital está mudando o cotidiano das pessoas, principalmente na forma de comunicar. O telefone celular, a internet e uma infinidade produtos digitais passaram a fazer parte do dia a dia das pessoas. Da mesma forma, a publicidade evoluiu, chegando ao consumidor em novos meios, com campanhas mais segmentadas e formatos cada vez mais personalizados aos perfis de público-alvo. O consumidor, por sua vez, deixa a passividade de lado, e interage com o conteúdo publicitário. Neste momento, chega a TV digital ao Brasil, trazendo desafios e novas oportunidades para a publicidade, que procura através dos formatos consolidados em outros meios digitais e de exemplos estrangeiros, um novo caminho para a TV no país.
Para finalizar, o professor e coordenador do curso de Especialização Produção em TV Digital, da Umesp, Valdecir Becker, discute a usabilidade na TV digital interativa no capítulo dez. O texto introduz o contexto teórico da interatividade na TV, discutindo as mais recentes abordagens da Interação Humano-Computador, visando a explicar a relação do ser humano com tecnologias digitais. Ao analisar a relação truncada entre teoria e prática na IHC, busca-se entender se as aplicações interativas, na televisão, demandam novas ferramentas e adequações teóricas para poderem ser compreendidas sob um aspecto mais amplo. Aborda-se a teoria da atividade como base para o entendimento de como o ser humano usa a tecnologia, neste caso específico, a televisão interativa, o que inclui o contexto em que acontece a interatividade, e as conseqüências para a usabilidade.
Fechando o livro, são apresentadas as pessoas que ajudaram a construir este trabalho. O livro pode ser lido em diversas ordens, sem comprometer a compreensão dos assuntos. No entanto, o entendimento de alguns termos técnicos usados nos primeiros capítulos pode ser necessário para o pleno entendimento dos textos sobre produção.
Boa leitura.
Fonte: Observatório da Imprensa
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=565AZL002
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Passos
Por Luiz Domingos de Luna*
Passos que passo
Passos que vem
Passos do além
Não sei o que faço
É como um compasso
De um tempo passado
Já foi um chamado
Na imensidão do espaço
Ouvi um grito
Parecia um trovão
Na escuridão
Estava aflito
Pulei noutro astro
Deixei a pisada
Ta lá registrada
Como um mastro
Luz em ebulição
Fiquei assustado
Parece ter entrado
Noutra dimensão
Tudo tão diferente
Um carrossel giratório
Um som vibratório
No meu consciente
Sonho ou realidade
Não sei precisar
É um vôo a voar
Não tem gravidade
Uma mão me puxou
Numa frieza gelada
Não sei mais de nada
Num novo mundo estou
(*) Professor da Escola de Ensino Fundamental e Médio Monsenhor Vicente Bezerra – Aurora (CE)
Passos que passo
Passos que vem
Passos do além
Não sei o que faço
É como um compasso
De um tempo passado
Já foi um chamado
Na imensidão do espaço
Ouvi um grito
Parecia um trovão
Na escuridão
Estava aflito
Pulei noutro astro
Deixei a pisada
Ta lá registrada
Como um mastro
Luz em ebulição
Fiquei assustado
Parece ter entrado
Noutra dimensão
Tudo tão diferente
Um carrossel giratório
Um som vibratório
No meu consciente
Sonho ou realidade
Não sei precisar
É um vôo a voar
Não tem gravidade
Uma mão me puxou
Numa frieza gelada
Não sei mais de nada
Num novo mundo estou
(*) Professor da Escola de Ensino Fundamental e Médio Monsenhor Vicente Bezerra – Aurora (CE)
A fome e o fim do mundo
Por Bruno Peron Loureiro *
Triunfa a capacidade destrutiva do ser humano. Há os que dizem, ao contrário das tentativas que se dedicam a bendizer-nos, que o aniquilamento sempre foi uma característica intrínseca desta espécie. Desinteressados na resolução de problemas precípuos, acabamos sendo espectadores de uma arena de luta cultural e técnica sem precedentes, ao mesmo tempo em que a maior expressão de agonia resume-se em teses apocalípticas do fim do mundo em 2012.
Antes de que a humanidade supra suas carências básicas e reformule a relação com a natureza, alguns prognosticam que finalmente os grãos serão selecionados a fim de equilibrar a nossa senda evolutiva. Ainda que eu tenha ressalvas diante deste argumento, acredito que as tochas que renitem acesas nas nossas mãos devem iluminar atitudes e esforços para que os países dialoguem em irmandade e desapareçam situações nefastas, como a fome.
Para tratar de uma das mazelas, o combate à crise alimentar e a luta contra a fome foram os objetivos temáticos da Cúpula Mundial de Segurança Alimentar, que se realizou em Roma entre 16 e 18 de novembro e foi promovida pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO, da sigla em inglês).
Em foros anteriores, o prazo para erradicar a fome mundial havia sido estipulado para 2025. Estas reuniões tomam em conta que os preços dos alimentos nos países em desenvolvimento são elevados, aumenta o número de famintos no mundo e a questão afeta um de cada seis seres humanos, o que não é uma quantidade desprezível. Nesta ocasião, não se reiterou uma data limite para acabar com a fome mundial nem se firmou um acordo para que os países mais desenvolvidos destinassem novos recursos para incentivar a agricultura.
O alerta de que a população mundial cresceria mais rapidamente que a provisão de alimentos não é recente, porém este problema aliado ao desmatamento, a mudança climática e o depósito de lixo geram um cenário apocalíptico. Demandam-se maiores investimentos agrícolas nas regiões em que residem os pobres e famintos, principalmente América Latina, África e Ásia, enquanto o protecionismo dos países mais ricos é prejudicial às economias menos desenvolvidas. Vale recordar que a agricultura é fonte de renda para 70% dos pobres no mundo.
Na Cúpula de Roma, propôs-se a necessidade de uma "governança mundial" para regular as questões alimentares, uma vez que a balança tem pesado mais de um lado a partir dos esforços concentrados nalguns países. Segundo a organização não-governamental Action Aid International, Brasil, China e Índia tiveram o melhor desempenho na redução da fome. Nesta avaliação, releva-se a poluição atmosférica na China e a contaminação de água e esgoto na Índia.
A crença no fim do mundo transforma-se em convicção, mas talvez não tão precoce quanto as previsões para 2012. Triste é aceitar que os cálculos científicos apontam nessa direção apesar da descrença de alguns. Somente no quesito alimentação, um bilhão de seres humanos sobrevivem com fome ou não resistem. Regiões inteiras do planeta são esquecidas pelo progresso material de outrem. Para um final apocalíptico, tem que juntar fatores. Já os acumulamos de sobra.
* Analista de relações internacionais
Fonte: Adital
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?boletim=1&lang=PT&cod=43174
Triunfa a capacidade destrutiva do ser humano. Há os que dizem, ao contrário das tentativas que se dedicam a bendizer-nos, que o aniquilamento sempre foi uma característica intrínseca desta espécie. Desinteressados na resolução de problemas precípuos, acabamos sendo espectadores de uma arena de luta cultural e técnica sem precedentes, ao mesmo tempo em que a maior expressão de agonia resume-se em teses apocalípticas do fim do mundo em 2012.
Antes de que a humanidade supra suas carências básicas e reformule a relação com a natureza, alguns prognosticam que finalmente os grãos serão selecionados a fim de equilibrar a nossa senda evolutiva. Ainda que eu tenha ressalvas diante deste argumento, acredito que as tochas que renitem acesas nas nossas mãos devem iluminar atitudes e esforços para que os países dialoguem em irmandade e desapareçam situações nefastas, como a fome.
Para tratar de uma das mazelas, o combate à crise alimentar e a luta contra a fome foram os objetivos temáticos da Cúpula Mundial de Segurança Alimentar, que se realizou em Roma entre 16 e 18 de novembro e foi promovida pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO, da sigla em inglês).
Em foros anteriores, o prazo para erradicar a fome mundial havia sido estipulado para 2025. Estas reuniões tomam em conta que os preços dos alimentos nos países em desenvolvimento são elevados, aumenta o número de famintos no mundo e a questão afeta um de cada seis seres humanos, o que não é uma quantidade desprezível. Nesta ocasião, não se reiterou uma data limite para acabar com a fome mundial nem se firmou um acordo para que os países mais desenvolvidos destinassem novos recursos para incentivar a agricultura.
O alerta de que a população mundial cresceria mais rapidamente que a provisão de alimentos não é recente, porém este problema aliado ao desmatamento, a mudança climática e o depósito de lixo geram um cenário apocalíptico. Demandam-se maiores investimentos agrícolas nas regiões em que residem os pobres e famintos, principalmente América Latina, África e Ásia, enquanto o protecionismo dos países mais ricos é prejudicial às economias menos desenvolvidas. Vale recordar que a agricultura é fonte de renda para 70% dos pobres no mundo.
Na Cúpula de Roma, propôs-se a necessidade de uma "governança mundial" para regular as questões alimentares, uma vez que a balança tem pesado mais de um lado a partir dos esforços concentrados nalguns países. Segundo a organização não-governamental Action Aid International, Brasil, China e Índia tiveram o melhor desempenho na redução da fome. Nesta avaliação, releva-se a poluição atmosférica na China e a contaminação de água e esgoto na Índia.
A crença no fim do mundo transforma-se em convicção, mas talvez não tão precoce quanto as previsões para 2012. Triste é aceitar que os cálculos científicos apontam nessa direção apesar da descrença de alguns. Somente no quesito alimentação, um bilhão de seres humanos sobrevivem com fome ou não resistem. Regiões inteiras do planeta são esquecidas pelo progresso material de outrem. Para um final apocalíptico, tem que juntar fatores. Já os acumulamos de sobra.
* Analista de relações internacionais
Fonte: Adital
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?boletim=1&lang=PT&cod=43174
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